Depois de três dias de evento – FEBRABAN TECH 2025 – saio com a cabeça cheia de ideias, provocações e, claro, vários insights sobre o que vem por aí para o mercado financeiro — e como a tecnologia, especialmente a Inteligência Artificial, está redesenhando as regras do jogo.
Como Product Manager com foco em inovação e transformação digital, é impossível sair de um evento desse porte sem enxergar oportunidades (e também desafios) que impactam não só os grandes bancos, mas também fintechs, startups e qualquer empreendedor que atue no ecossistema financeiro.
As Três Grandes Forças que Estão Moldando o Futuro
1. Inteligência Artificial – De Tendência a Realidade Operacional
Se em anos anteriores falávamos de IA como um “futuro promissor”, em 2025 ela já é uma peça central nas operações financeiras. O que mais me chamou a atenção:
• Casos reais de GenAI: Bancos utilizando IA generativa para automatizar atendimento, análise de crédito e até renegociação de dívidas. Em um dos painéis, ouvi o exemplo de um banco que recuperou R$ 8 milhões em apenas dois meses com modelos de IA aplicados a cobranças.
• Copilotos e agentes autônomos: Ferramentas que ajudam times de operações, jurídico e até risco a tomar decisões mais rápidas e com menos erro.
Para quem empreende no setor, o recado é claro e não é mais novidade: entender como aplicar IA ao seu produto ou serviço já deixou de ser diferencial — é questão de sobrevivência.
2. Open Finance e Colaboração entre Plataformas
Outro tema quente foi a consolidação do Open Finance como motor de novos modelos de negócio. Os debates deixaram claro que a mentalidade agora é “compartilhar para ganhar” ou “divide and conquer” – como gostam de falar:
• Bancos e fintechs discutiram como criar ecossistemas de dados centrados no cliente, com foco em hiper-personalização e novas fontes de receita.
• Além de finanças, surgiram conversas sobre Open Everything: saúde, telecomunicações e até varejo começando a desenhar modelos similares ao Open Finance.
Como PM, vejo aqui uma baita oportunidade para startups que saibam construir API-first products e criar soluções de integração rápida.
3. Tokenização, Blockchain e a Nova Infraestrutura Financeira
A tokenização deixou de ser teoria. Vi casos de uso reais de *tokenização de recebíveis e ativos financeiros, com plataformas bancárias explorando o conceito de *real-world assets on-chain.
Empresas como Parfin e a própria B3 mostraram como estão colocando esse tema na rua. A conversa agora não é mais “se” vamos tokenizar, mas “quando e como” fazer isso com segurança regulatória e escala.
Não dá para ignorar também outros temas que permearam o evento:
• Cibersegurança: O aumento das ameaças digitais fez com que segurança ganhasse ainda mais espaço nas conversas de boardrooms.
• ESG + Tecnologia: Muito papo sobre como tecnologia pode ser aliada de estratégias sustentáveis, mesmo quando isso não parte de uma demanda direta dos clientes.
O Que Fica de Lição Para Quem Empreende no Setor Financeiro?
Se eu pudesse resumir o sentimento pós-evento em três frases, seriam:
• A aceleração tecnológica é irreversível.
• As barreiras entre instituições financeiras, fintechs e outros setores estão desaparecendo.
• E quem for capaz de transformar dados + IA + integração aberta em produtos centrados no usuário, vai ganhar espaço no mercado.
O FEBRABAN TECH 2025 deixou claro: o futuro do setor financeiro não será escrito apenas pelos grandes players. Tem muita oportunidade aberta para quem souber inovar de forma rápida, ética e centrada no cliente.



