Como alguém que trabalha há anos no mercado financeiro e já participou do lançamento de algumas carteiras digitais, confesso que gostei de ler a notícia sobre os próximos passos do X (ex-Twitter). Ver uma big tech apostar na construção de um super app com funcionalidades financeiras é sempre interessante, principalmente quando envolve pagamentos, investimentos e, claro, um pouco de polêmica.
Mas sendo bem honesta: por mais que a ideia soe inovadora para quem acompanha o X só pela ótica de mídia social, pra quem trabalha com produtos financeiros… não tem muita novidade. Já vimos esse filme antes. E a lição é quase sempre a mesma: wallet sem crédito é funcionalidade fantasma.
Por que isso acontece?
Simples: no mercado de meios de pagamento, principalmente fora da Ásia, o que realmente cria uso recorrente numa carteira digital é crédito atrelado à experiência transacional. Quando o usuário pode comprar agora e pagar depois (BNPL), quando tem um cartão com limite, ou até quando movimenta sua conta para evitar endividamento futuro… aí sim a wallet vira canal de engajamento.
Se o público for maduro financeiramente (como quem já tem o hábito de investir ou guardar dinheiro), o cenário muda um pouco. Mas a base de usuários do X é diversa e, até onde sabemos, pouco inclinada a usar a plataforma como cofre digital.
O detalhe que pode mudar o jogo: Bitcoin e criptoativos
Agora… tem um elemento que me chamou atenção e que pode fazer essa história ter um final diferente: pagamentos e investimentos em cripto, especialmente Bitcoin. Sabemos que a comunidade cripto é superativa dentro do X, e se Musk conseguir conectar essa galera com experiências financeiras nativas na plataforma, pode sim ter uma adoção mais rápida. Principalmente se o discurso for de “liberdade financeira”, algo que já casa bem com o tom da rede.
Conclusão de PM cético, mas curioso
Se a estratégia for só virar uma wallet tradicional, o X vai enfrentar os mesmos desafios que todas as fintechs e bancos digitais enfrentam desde 2018: CAC alto, pouco engajamento e baixo LTV.
Agora… se eles conseguirem fazer o que poucos fizeram bem até hoje — unir social, comunidade e uma camada real de crédito ou cripto-utility — aí sim pode vir algo interessante.
Estou acompanhando de perto. E você?



