Por Leandro Carpegeani, especialista em comunicação e marketing
Sempre que me perguntam por que a inteligência artificial às vezes entrega respostas superficiais, eu devolvo com outra pergunta: o que você pediu para ela fazer? A verdade é simples — um comando raso, sem contexto ou detalhes, só pode gerar um retorno igualmente raso.
Com o tempo, percebi que a qualidade da resposta está diretamente ligada à qualidade do prompt. Quando oferecemos informações completas, explicamos o objetivo, definimos o formato e até o público-alvo, a IA devolve algo muito mais útil e alinhado à necessidade. Não é mágica. É lógica.
Hoje, muito se fala em “usar IA”, mas, para muitos, isso ainda significa apenas abrir o ChatGPT. A realidade é que o universo de inteligência artificial vai muito além. Em 2025, o ChatGPT já alcança cerca de 1 bilhão de usuários ativos por semana, processando mais de 2,5 bilhões de comandos por dia. Mas há outros gigantes disputando espaço: o Google Gemini, com 450 milhões de usuários mensais; o Claude, da Anthropic, com 300 milhões; e modelos como o LLaMA, da Meta, e o Qwen, que rodam localmente nos dispositivos.
Esse crescimento mostra duas coisas. Primeiro, que a IA está se tornando parte do dia a dia de empresas e pessoas. Segundo, que a dependência é cada vez maior. Entre os mais jovens, vejo um cenário ainda mais preocupante: eles estão terceirizando até a escrita de mensagens simples no WhatsApp. Isso empobrece a capacidade de pensar e enfraquece o raciocínio próprio e lógico.
Dados recentes mostram que 54% dos estudantes já usam IA generativa para tarefas escolares. Ferramentas como ChatGPT, Grammarly e Microsoft Copilot estão no topo da lista. Isso me preocupa, não pelo uso em si, mas pela ausência de filtro crítico.
A inteligência artificial é o presente e o futuro — mas precisa ser usada com consciência e, principalmente, com conhecimento. Informação sólida não serve apenas para pedir melhor, mas para avaliar se a resposta recebida faz sentido e corresponde à realidade.
Dica prática: use, explore, se atualize — mas não se contente com a primeira resposta. Busque sempre fontes confiáveis, leia estudos e consulte especialistas da área. Um bom prompt não nasce do nada; ele vem de repertório.
Como criar um bom prompt
- Seja claro e específico: descreva o que deseja, evitando termos vagos.
- Dê contexto: explique a situação, objetivo e público-alvo.
- Defina formato e tom: peça, por exemplo, “resumo executivo” ou “com linguagem simples”.
- Inclua referências: mencione dados, fatos ou fontes que quer que sejam considerados.
- Revise e refine: se a primeira resposta não agradar, ajuste o prompt e tente novamente.
Sei que a IA pode ser uma parceira poderosa. No entanto, para que isso aconteça, precisamos estudar, entender o que queremos e formular pedidos com clareza. Prompts rasos geram respostas rasas. Prompts inteligentes, bem estruturados e embasados, geram resultados que realmente fazem diferença.


