Inteligência artificial muda decisão de compra e desafia marcas no novo marketing digital

A inteligência artificial já deixou de ser apenas uma tendência tecnológica para se tornar protagonista na jornada de consumo. Dados recentes indicam que até 64% dos consumidores já utilizaram soluções de IA generativa entre 2023 e 2025, segundo estudo da Deloitte. Além disso, cerca de 38% das pessoas recorrem diretamente a essas ferramentas para decidir compras, de acordo com levantamento divulgado pelo The Times. O cenário aponta para uma transformação profunda no marketing e na forma como marcas disputam a atenção do público.

Essa mudança estrutural desloca parte do poder de decisão do consumidor para os algoritmos, que passam a atuar como intermediários na escolha de produtos e serviços. Em vez de depender exclusivamente da comunicação das marcas, o consumidor agora consulta respostas geradas por inteligência artificial, baseadas em múltiplas fontes de informação.

Algoritmos ganham protagonismo na jornada de compra

Na prática, a inteligência artificial funciona como um filtro sofisticado, que analisa critérios objetivos como avaliações, reputação, preço e consistência de informações disponíveis na internet. Esse movimento reduz a influência do marketing tradicional, historicamente baseado em construção de imagem e apelo emocional.

Para o especialista em marketing e estratégia de negócios Frederico Burlamaqui, essa mudança altera o eixo da decisão de consumo. “A inteligência artificial muda o eixo da decisão. O consumidor deixa de depender apenas da comunicação da marca e passa a confiar em respostas geradas a partir de múltiplas fontes. Isso reduz o poder da narrativa isolada e aumenta a importância da consistência e da reputação”, afirma.

Nova disputa acontece dentro das respostas de IA

Com o avanço dessas tecnologias, o campo de batalha das marcas também está mudando. Se antes a disputa por visibilidade estava concentrada nos mecanismos de busca, agora ela passa a acontecer dentro das respostas geradas por sistemas de inteligência artificial.

Esse novo contexto tem levado especialistas a falar em uma evolução do SEO (Search Engine Optimization), conhecida como Generative Engine Optimization (GEO). A lógica deixa de ser apenas aparecer bem posicionado em buscadores como o Google e passa a incluir a necessidade de ser citado nas respostas das ferramentas de IA.

“Não se trata mais apenas de aparecer bem posicionado no Google. As empresas precisam ser citadas nas respostas das inteligências artificiais. Isso exige uma estratégia mais ampla, baseada em autoridade, conteúdo relevante e presença consistente em diferentes canais”, explica Burlamaqui.

Conteúdo informativo ganha mais relevância

Outra consequência direta dessa transformação é a mudança no tipo de conteúdo que gera impacto. Materiais puramente promocionais tendem a perder eficácia, enquanto conteúdos informativos, educativos e comparativos passam a ganhar espaço.

Relatórios de tendências da American Marketing Association já indicam uma demanda crescente por conteúdos que ajudem a resolver problemas reais e forneçam informações claras e objetivas.

Nesse novo cenário, a utilidade do conteúdo se torna um fator decisivo para que algoritmos identifiquem a relevância de uma marca dentro de determinado segmento.

Credibilidade e imprensa ganham peso estratégico

Outro ponto que ganha força é a valorização de fontes confiáveis. Veículos de imprensa, relatórios e conteúdos especializados passam a ter papel ainda mais relevante, já que alimentam grande parte das bases de dados utilizadas por sistemas de inteligência artificial.

Isso eleva o papel da assessoria de imprensa dentro das estratégias de marketing. Marcas que conseguem espaço em ambientes editoriais confiáveis aumentam suas chances de serem reconhecidas como relevantes pelos algoritmos.

“A assessoria de imprensa ganha um papel estratégico nesse novo cenário. Quando uma marca aparece em fontes confiáveis, ela aumenta a chance de ser reconhecida como relevante pelos sistemas de IA. Isso influencia diretamente a forma como ela será apresentada ao consumidor”, destaca o especialista.

Desafio das marcas é se adaptar ao novo cenário

Para as empresas, o principal desafio passa a ser a adaptação a um ambiente em que a atenção do consumidor é fragmentada, a comparação é instantânea e a decisão é cada vez mais mediada por tecnologia.

Mais do que atrair o público, será necessário sustentar a escolha com dados consistentes, transparência e credibilidade. A lógica da comunicação muda de persuasão para comprovação de valor.

“A nova vitrine não é mais a busca, é a resposta. Quem não estiver preparado para esse ambiente corre o risco de simplesmente deixar de aparecer na jornada de decisão”, conclui Burlamaqui.

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