Viajar depois dos 60 deixa de ser lazer e se torna símbolo de independência, revela pesquisa

Público maduro amplia consumo no turismo e busca autonomia, liberdade e experiências mais personalizadas

Viajar após os 60 anos deixou de representar apenas descanso ou lazer ocasional para se tornar uma ferramenta de autonomia, liberdade e qualidade de vida. É o que aponta uma pesquisa inédita idealizada por Ana Carolina Kuwabara, fundadora do Expo Fórum de Turismo 60+, realizada pela Data8 com apoio do Ministério do Turismo. O levantamento mostra que o turismo vem assumindo um papel cada vez mais importante na rotina da população madura brasileira, que deseja manter sua independência financeira, social e emocional por meio das viagens.

Os dados revelam que 61% das pessoas com mais de 60 anos enxergam as viagens como uma forma de preservar a própria independência. Mais do que passeios, os deslocamentos representam autonomia e protagonismo em uma fase da vida marcada por novas possibilidades de consumo e experiências.

“Viajar para eles vai muito além do lazer, é uma questão de necessidade”, afirma Ana Carolina Kuwabara.

A pesquisa também evidencia que o público maduro possui forte autonomia financeira durante as viagens. Segundo o levantamento, 96% dos entrevistados afirmam não depender financeiramente de filhos ou parentes para custear os passeios. O comportamento reforça uma geração que deseja continuar ativa, independente e no controle das próprias escolhas.

Turismo maduro movimenta bilhões e cresce no Brasil

O potencial econômico desse público também chama atenção. Cerca de 34% dos entrevistados gastam mais de R$ 10 mil por ano com viagens, enquanto 52% realizam pelo menos três viagens anuais. O cenário demonstra que o turismo voltado ao público 60+ deixou de ser um nicho secundário e passou a ocupar espaço estratégico no mercado brasileiro.

A frequência das viagens mostra que o consumidor maduro mantém uma rotina constante de lazer e deslocamento, aproveitando principalmente a flexibilidade de agenda após a aposentadoria ou redução da carga de trabalho. Segundo a pesquisa, 87% afirmam preferir viajar fora da alta temporada, comportamento que favorece um turismo mais distribuído ao longo do ano e reduz impactos de sazonalidade no setor.

O estudo aponta ainda que os turistas maduros não querem mais ficar presos a roteiros rígidos e pré-formatados. A preferência atual é por experiências mais livres, personalizadas e seguras, que permitam maior autonomia durante os passeios.

Consumidor 60+ está mais digital do que o mercado imagina

Outro dado que desmonta estereótipos ligados ao envelhecimento é o grau de digitalização desse público. A pesquisa mostra que 48% dos entrevistados utilizam plataformas, aplicativos e ferramentas digitais para pesquisar destinos e organizar viagens.

Além disso, 68% já realizam compras online sozinhos ou com algum apoio da família, indicando uma familiaridade crescente com tecnologia e meios digitais de consumo.

As redes sociais também começam a influenciar o comportamento desse público. Embora família e amigos ainda liderem como principais referências na escolha de destinos, com 69%, influenciadores digitais e redes sociais já representam 15% das inspirações para viagens.

Outro comportamento relevante é a mudança na relação com as agências de turismo. Cerca de 16% dos entrevistados afirmam preferir fechar tudo online, sem necessidade de atendimento presencial.

Esse movimento reforça uma transformação importante no perfil do consumidor maduro brasileiro, que se mostra cada vez mais conectado, independente e disposto a experimentar novos formatos de compra e relacionamento com marcas.

Envelhecimento da população cria oportunidade para o turismo

O levantamento chega em um momento em que o Brasil passa por uma profunda transformação demográfica. Segundo estimativas citadas no estudo, em 2050 o país será a sexta nação mais envelhecida do mundo, com aproximadamente 61 milhões de pessoas acima dos 60 anos, o equivalente a 28% da população.

Esse crescimento populacional também deve ampliar significativamente o impacto econômico desse público. Atualmente, o consumo dos brasileiros 60+ movimenta cerca de R$ 1,8 trilhão. A previsão é que esse valor ultrapasse R$ 3,8 trilhões até 2044.

Para Ana Carolina Kuwabara, os números revelam uma oportunidade ainda pouco explorada pelo setor de turismo e serviços.

“É nítido, a partir desses números, que temos muitas oportunidades de expandir o turismo no Brasil com a valorização desse consumidor mais velho, com mais tempo para aproveitar a vida em viagens e outras formas de divertimento. O problema é que a maior parte da rede de serviços ligada ao turismo não está preparada para essa oportunidade”, avalia.

A especialista destaca que hotéis, companhias aéreas, operadoras de turismo, restaurantes e atrações turísticas ainda precisam avançar em acessibilidade, atendimento humanizado, infraestrutura e personalização de experiências voltadas ao público maduro.

Mercado começa a olhar para o turismo 60+ com mais atenção

Os dados foram apresentados durante o IV Expo Fórum de Turismo 60+, realizado em São Paulo, evento que reúne especialistas, empresas e representantes do setor para discutir envelhecimento, turismo e economia prateada.

A pesquisa ouviu mais de mil brasileiros acima de 60 anos em diversas regiões do país e ajuda a consolidar uma tendência que já vem sendo observada internacionalmente: o envelhecimento populacional não representa retração de consumo, mas transformação de hábitos e prioridades.

O turismo aparece como uma das áreas mais impactadas por essa mudança. Diferentemente das gerações anteriores, os atuais consumidores maduros mantêm interesse em experiências, viagens, gastronomia, cultura, bem-estar e socialização.

Além disso, a busca por independência emocional e qualidade de vida faz com que as viagens sejam vistas como ferramentas de realização pessoal e manutenção da autoestima.

Especialistas do setor apontam que empresas capazes de compreender as demandas específicas desse público terão vantagem competitiva nos próximos anos. Entre os fatores mais valorizados estão segurança, praticidade, conforto, atendimento acolhedor, flexibilidade e experiências autênticas.

Ao mesmo tempo, cresce a necessidade de adaptar produtos e serviços para uma população que vive mais, consome mais e deseja continuar participando ativamente da vida social e econômica.

Turismo maduro impulsiona nova economia do envelhecimento

O avanço do turismo 60+ também acompanha o fortalecimento da chamada economia prateada, conceito que engloba produtos, serviços e experiências voltados à população mais velha.

O setor vem atraindo atenção de empresas de tecnologia, saúde, turismo, entretenimento e educação, que começam a perceber o potencial de consumo desse público.

No caso do turismo, isso inclui desde roteiros personalizados até hospedagens mais acessíveis, experiências culturais exclusivas, viagens em grupo, turismo de bem-estar e soluções digitais simplificadas.

A pesquisa reforça que envelhecer no Brasil já não significa reduzir planos ou limitar experiências. Pelo contrário: para muitos brasileiros acima dos 60 anos, viajar representa liberdade, autonomia e a possibilidade de continuar construindo histórias.

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