Banco adaptativo ganha espaço na América Latina e pode acelerar crescimento das empresas sem comprometer operações

Estudo da Galileo aponta que velocidade deixou de ser diferencial e que desafio das empresas agora é escalar produtos e serviços sem perder eficiência, segurança e capacidade de inovação

A transformação digital dos serviços financeiros na América Latina entrou em uma nova fase. Após anos de investimentos em pagamentos instantâneos e modernização da infraestrutura financeira, empresas da região passaram a enfrentar um desafio diferente: crescer com velocidade sem comprometer a eficiência operacional, a segurança e a experiência dos clientes. É o que revela o novo Relatório de Banco Adaptativo, divulgado pela Galileo Financial Technologies, plataforma tecnológica da SoFi Technologies.

O levantamento ouviu 337 CIOs e CTOs de empresas do Brasil, México, Colômbia e Argentina e mostra que a velocidade das transações, antes considerada um dos principais diferenciais competitivos do setor financeiro, passou a ser apenas um requisito básico para operar. Hoje, apenas 8% dos entrevistados apontam a rapidez dos pagamentos como sua principal preocupação.

Em contrapartida, a capacidade de adaptação e escalabilidade tornou-se o principal desafio para organizações que buscam crescer em mercados cada vez mais digitais e competitivos.

Segundo o estudo, o conceito de Banco Adaptativo surge como resposta a esse cenário. O modelo propõe que empresas sejam capazes de ajustar continuamente infraestrutura tecnológica, processos de tomada de decisão e experiências dos clientes em tempo real, mantendo elevados padrões de segurança, governança e eficiência operacional.

O gargalo da inovação

Apesar da ampla adoção de sistemas de pagamentos instantâneos em países latino-americanos, os dados mostram que muitas organizações ainda enfrentam dificuldades para transformar velocidade operacional em capacidade de inovação.

Entre os entrevistados, 45,7% apontam sistemas de prevenção a fraudes e gestão de riscos como o principal obstáculo para ampliar suas operações. Além disso, 39,2% afirmam que essas mesmas estruturas representam a maior barreira para acelerar a inovação dentro das empresas.

Outro dado que chama atenção é o tempo necessário para lançar novos produtos financeiros. Mesmo em economias altamente digitalizadas, 69,1% das organizações levam mais de seis meses para colocar uma nova solução no mercado.

Para Abdul Assal, líder de desenvolvimento de negócios da Galileo para Brasil e Colômbia, existe uma contradição entre a velocidade das transações e a capacidade de adaptação das empresas.

“Os dados revelam um paradoxo claro: as empresas já operam com pagamentos em tempo real, mas muitas ainda tomam decisões, lançam produtos e respondem aos clientes por meio de processos concebidos para outra era. A adaptação contínua precisa se tornar uma capacidade central dos negócios”, afirma.

Dados em tempo real ainda são subutilizados

O estudo também mostra que o uso de dados em tempo real ainda acontece de forma desigual nas empresas latino-americanas.

Atualmente, 84,3% das organizações utilizam informações em tempo real para prevenção de fraudes e monitoramento de segurança. No entanto, apenas 61,1% aplicam esses mesmos recursos para oferecer suporte proativo aos clientes.

A diferença demonstra que boa parte das empresas ainda concentra seus esforços tecnológicos em proteção operacional, enquanto oportunidades relacionadas à experiência do consumidor seguem sendo exploradas de forma limitada.

A personalização também avança em ritmo lento. Segundo o levantamento, 57,7% das empresas levam mais de três meses para implementar melhorias ou atualizações baseadas no feedback dos usuários.

Em um ambiente cada vez mais competitivo, esse atraso pode representar perda de mercado para concorrentes mais ágeis e preparados para responder rapidamente às demandas dos consumidores.

Setores fora do mercado financeiro lideram adaptação

Um dos pontos mais relevantes identificados pela pesquisa é que a transformação digital não está acontecendo apenas entre bancos e instituições financeiras.

Empresas dos setores de turismo e hospitalidade aparecem como líderes em capacidade de resposta ao cliente. Cerca de 78,9% dessas organizações utilizam dados em tempo real para ativar ações de suporte, índice mais que duas vezes superior ao registrado entre instituições financeiras tradicionais, onde apenas 38,5% adotam essa prática.

O varejo também se destaca pelo uso avançado de inteligência artificial voltada à personalização de programas de fidelidade, benefícios e recompensas.

O comportamento demonstra que a adaptação contínua já deixou de ser uma necessidade exclusiva do setor financeiro e passou a ser uma competência estratégica para diferentes segmentos da economia digital.

Brasil lidera maturidade digital

Entre os países analisados, o Brasil aparece como o mercado mais avançado na adoção do conceito de Banco Adaptativo.

Segundo o relatório, 82,6% das empresas brasileiras consideram os serviços financeiros em tempo real uma importante fonte de geração de receita.

O país também lidera em práticas de implantação contínua de produtos e serviços. Uma em cada quatro empresas brasileiras afirma testar e lançar novas soluções constantemente, enquanto 63% dizem ter confiança de que sua infraestrutura tecnológica conseguiria escalar permanentemente em apenas sete dias.

Os números refletem o ambiente criado por iniciativas como o Pix, que aceleraram a digitalização financeira e estimularam a inovação em diferentes setores da economia.

México aposta forte em inovação, mas enfrenta desafios com fraude

O México aparece como o país mais otimista em relação aos benefícios dos serviços financeiros em tempo real.

De acordo com a pesquisa, 90,9% das empresas mexicanas acreditam que essas soluções contribuem significativamente para o crescimento da receita.

Por outro lado, o país também lidera em preocupações relacionadas à fraude e ao gerenciamento de riscos. Para 52,7% dos entrevistados, essas questões representam o principal obstáculo para acelerar a inovação.

O cenário evidencia um dilema comum em mercados digitais: quanto maior a velocidade das operações, maior a necessidade de mecanismos robustos de proteção e governança.

Colômbia e Argentina enfrentam mais dificuldades

A Colômbia aparece como o mercado com maior nível de fricção operacional.

Segundo o estudo, 80,2% das organizações levam mais de seis meses para lançar um novo produto, enquanto 69,1% afirmam estar limitadas por sistemas internos considerados rígidos e pouco flexíveis.

Na Argentina, embora as empresas contem com ambientes tecnológicos mais estáveis e integrados, a lentidão na inovação também preocupa. Cerca de 87,2% das organizações levam mais de seis meses para colocar novos produtos no mercado.

O país também registra dificuldades para desenvolver ofertas personalizadas. Enquanto apenas 17,4% das empresas brasileiras levam mais de três meses para criar soluções voltadas a novos segmentos de clientes, esse percentual sobe para 73,4% na Argentina.

O futuro dos serviços financeiros será adaptativo

Para especialistas do setor, a próxima etapa da transformação digital na América Latina não dependerá apenas de pagamentos instantâneos ou infraestrutura tecnológica moderna.

O diferencial competitivo estará na capacidade de responder rapidamente às mudanças do mercado, adaptar produtos, personalizar experiências e integrar inteligência operacional aos processos de negócio.

Nesse contexto, o conceito de Banco Adaptativo surge como uma evolução natural da digitalização financeira.

“Cada mercado da América Latina enfrenta desafios específicos, mas existe uma necessidade comum: construir organizações capazes de responder com a mesma velocidade com que hoje circulam o dinheiro, os dados e as expectativas dos consumidores. Essa é a essência do banco adaptativo”, conclui Abdul Assal.

Com consumidores cada vez mais exigentes e mercados mais dinâmicos, a capacidade de adaptação tende a se tornar um dos principais indicadores de competitividade para empresas que atuam no setor financeiro e em toda a economia digital.

Sobre a Galileo Financial Technologies

A Galileo Financial Technologies é uma provedora de tecnologia financeira que conecta bancos, fintechs e empresas a soluções modernas de serviços bancários e processamento de pagamentos. A companhia integra a SoFi Technologies e oferece plataformas digitais voltadas para a criação de experiências financeiras inovadoras na América do Norte e América Latina.

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