Dia da Internet Segura 2026 coloca ECA Digital, verificação etária online e deepfakes no centro do debate público

O Dia da Internet Segura no Brasil chega à sua 18ª edição, em 2026, marcando a maioridade do evento com uma agenda focada em alguns dos temas mais sensíveis e estratégicos da atualidade digital. Questões como a implementação do ECA Digital, os desafios da verificação etária online, o uso de inteligência artificial na criação de deepfakes sexuais e os riscos de fragmentação da Internet estarão no centro das discussões do encontro, que acontece nos dias 10 e 11 de fevereiro, em São Paulo (SP).

Promovido por Safernet Brasil, Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), o evento reunirá representantes do governo, empresas de tecnologia, organizações da sociedade civil, pesquisadores e membros da comunidade técnico-científica. As inscrições são gratuitas e a programação poderá ser acompanhada presencialmente ou ao vivo pelos canais do NIC.br e da SaferNet Brasil no YouTube.

Com o tema “Unidos para uma Internet mais positiva”, o encontro integra a mobilização global do Safer Internet Day, iniciativa presente em mais de 180 países que conecta ações nacionais a uma agenda internacional voltada à promoção de um ambiente digital mais ético, seguro, aberto e responsável.

Maioridade do evento amplia responsabilidade do debate

Ao completar 18 edições, o Dia da Internet Segura no Brasil assume um papel ainda mais relevante no cenário nacional, especialmente em um momento de mudanças regulatórias e avanços tecnológicos acelerados. A edição de 2026 ocorre às vésperas da entrada em vigor do chamado ECA Digital, prevista para março, e em meio a discussões intensas sobre proteção de crianças e adolescentes no ambiente online.

“Na edição de 2026, o evento colocará em pauta questões atuais e candentes, sobre como a implementação do ECA Digital, que entra em vigor no próximo mês, pode mexer com o risco de fragmentação da Internet, uma ameaça ao seu caráter aberto, participativo e multissetorial. Promover um diálogo plural sobre esses temas é essencial para avançarmos nos debates e buscarmos soluções”, afirma Demi Getschko, diretor-presidente do NIC.br.

Para Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil, o momento exige articulação entre diferentes setores da sociedade. “O Dia da Internet Segura no Brasil chega a sua maioridade e temos a responsabilidade de discutir os caminhos para a implementação do ECA Digital, um esforço coletivo que exigirá o engajamento de todos os setores da sociedade: poder público, empresas, a comunidade técnica e o terceiro setor. A agenda dos dois dias de evento reflete um esforço multissetorial, e pretende avançar e fortalecer o debate público sobre a nova legislação que entra em vigor em breve”, destaca.

Abertura reúne governo, plataformas e sociedade civil

A programação do primeiro dia tem início com uma mesa de abertura que reúne representantes de diferentes setores envolvidos na governança da Internet. Participam Demi Getschko; Thiago Tavares; Fernanda Teixeira Souza Domingos, procuradora regional da República pelo Ministério Público Federal; Maria Eduarda Cintra, gerente de Políticas Públicas no Google Brasil; Margareth Kang, gerente de Políticas Públicas na Meta; e Gustavo Rodrigues, gerente de Políticas Públicas do TikTok Brasil.

Na ocasião, a SaferNet Brasil divulgará também os dados consolidados de denúncias recebidas ao longo de 2025, oferecendo um panorama atualizado dos principais riscos e violações enfrentados por usuários brasileiros, especialmente crianças e adolescentes, no ambiente digital.

Políticas públicas, IA e proteção de direitos

O primeiro painel do evento discute as diretrizes das políticas públicas para a segurança online de crianças e adolescentes no Brasil, com foco no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial e no ECA Digital. O debate contará com a participação de Renata Mielli, coordenadora do CGI.br; Miriam Wimmer, diretora da Autoridade Nacional de Proteção de Dados; e Lílian Cintra de Melo, doutora em Direito e ex-secretária nacional de Direitos Digitais. A mediação será de Fábio Senne, do Cetic.br/NIC.br.

Em seguida, o evento aborda o tema da educação digital e da computação nas escolas brasileiras, debatendo expectativas e lições aprendidas para 2026. Participam Ana Úngari Dal Fabbro, do Ministério da Educação; Ana Emanuela Meira, do Ministério Público da Bahia; Sarah Clegg, cônsul-geral do Reino Unido em São Paulo; e João Brant, secretário de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. A mediação ficará a cargo de Guilherme Alves, da SaferNet Brasil.

Ainda pela manhã, serão anunciados os vencedores do Prêmio Cidadania Digital em Ação 2025, que reconhece iniciativas de professores de escolas públicas que mobilizam estudantes e comunidades escolares em torno do uso consciente e seguro das tecnologias, com foco em cidadania e educação digital e midiática.

Deepfakes, IA generativa e conteúdo para adolescentes

No período da tarde, a programação retoma com dois lançamentos que dialogam diretamente com os desafios contemporâneos da tecnologia. Guilherme Alves, gerente de Projetos da SaferNet Brasil, apresentará um chatbot com assistente de inteligência artificial voltado a educadores. Já Sofia Schurig, Trust & Safety Researcher da SaferNet Brasil, divulgará um mapeamento inédito sobre o uso de IA generativa na produção de deepfakes sexuais em escolas brasileiras.

Na sequência, representantes do YouTube e da SaferNet Brasil apresentarão o Guia de princípios para conteúdo de qualidade para adolescentes, iniciativa que busca orientar a produção e a curadoria de conteúdos mais responsáveis e adequados a esse público.

O primeiro dia segue com o painel Iniciativas do setor privado para implementação do ECA Digital, mediado por Atalá Correa, juiz de direito e assessor no Conselho Nacional do Ministério Público. O debate reúne representantes do Google, Meta, TikTok, Globo e do CERT.br/NIC.br, trazendo a perspectiva das empresas sobre desafios técnicos, jurídicos e operacionais da nova legislação.

Encerrando a programação do dia, o debate Internet aberta e riscos de fragmentação: cuidados no bloqueio de aplicações coloca em pauta os limites e impactos de medidas de bloqueio no ambiente digital. A mesa será coordenada por Demi Getschko e contará com Frederico Neves, Nivaldo Cleto, Flávia Lefevre e Geraldo Lino de Campos.

À noite, como parte das celebrações, o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, será iluminado com as cores azul e amarelo, símbolos do Dia da Internet Segura.

Verificação etária é foco do segundo dia

O segundo dia do evento será dedicado, majoritariamente, ao tema da aferição etária online, um dos pontos mais sensíveis e debatidos no contexto do ECA Digital. A abertura contará com Raquel Gatto, do NIC.br; Kelli Angelini, do CGI.br/NIC.br; e Bianca Orrico, conselheira do Conanda no Comitê Intersetorial para Proteção dos Direitos da Criança e do Adolescente no Ambiente Digital.

O keynote da manhã será apresentado por Ricardo de Lins e Horta, diretor de Segurança e Prevenção de Riscos no Ambiente Digital do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que trará os resultados da consulta pública do Governo Federal sobre verificação de idade, realizada com a colaboração do CGI.br.

Na sequência, o painel Infraestruturas pública e privada para verificação de idade reunirá especialistas da DataPrev e do Google, sob mediação de Thiago Tavares, para discutir modelos tecnológicos, governança, privacidade e interoperabilidade.

O evento também abordará ferramentas de supervisão familiar, com representantes do Google e da Microsoft, discutindo os limites e possibilidades dessas soluções para apoiar pais e responsáveis na proteção de crianças e adolescentes online.

Soluções tecnológicas e próximos passos do ECA Digital

Durante a tarde, o encontro reunirá empresas e especialistas para apresentar e debater soluções de verificação etária disponíveis no Brasil. Participam representantes do Roblox, Discord, Tools for Humanity, Único, IDWall e Serasa Experian, além de pesquisadores do Ceweb.br, que apresentarão recomendações técnicas do W3C sobre o tema. A mediação será de Natalia Eunice Paiva Moreira, da Alandar Consultoria.

Encerrando a programação, o keynote speaker Iagê Zendron Miola, diretor da Autoridade Nacional de Proteção de Dados, falará sobre os próximos passos para a implementação do ECA Digital, que entra em vigor no dia 17 de março. A moderação será de Juliano Cappi, do CGI.br.

Mobilização global e apoios institucionais

Celebrado desde 2004, o Safer Internet Day é uma iniciativa das redes Insafe-INHOPE e da Comissão Europeia. No Brasil, a data é comemorada desde 2009, sob coordenação da SaferNet Brasil, em parceria com o NIC.br e o CGI.br, responsáveis pela realização dos chamados eventos-hub ao longo dos anos.

A edição de 2026 conta com patrocínio de Google, YouTube, Meta e TikTok, além de amplo apoio institucional de órgãos públicos, entidades da sociedade civil e organismos internacionais, como UNICEF e Governo do Reino Unido. Fundação Roberto Marinho, Futura, Rede Globo e UOL assinam o apoio de mídia.

Ao reunir múltiplos atores e colocar em debate temas sensíveis e estruturantes, o Dia da Internet Segura 2026 reforça seu papel como um dos principais fóruns nacionais de diálogo sobre direitos, segurança, tecnologia e o futuro da Internet no Brasil.

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