A farmacêutica Eurofarma anunciou a chegada ao Brasil do medicamento XCOPRI, à base de cenobamato, após obter registro junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária. O novo tratamento é direcionado ao controle de crises epilépticas e amplia o acesso dos pacientes brasileiros a uma das terapias mais avançadas atualmente disponíveis. A previsão da companhia é que o medicamento esteja disponível no mercado ainda em 2026, marcando um avanço estratégico na ampliação do portfólio voltado ao sistema nervoso central.
Novo tratamento chega ao país com promessa de ampliar acesso
A aprovação do cenobamato no Brasil representa um passo importante para pacientes que convivem com a epilepsia, especialmente aqueles que não respondem de forma satisfatória aos tratamentos existentes. O medicamento já havia sido aprovado em países da América Latina, como Argentina, Chile, Equador e Peru, e agora passa a integrar o portfólio brasileiro da empresa.
De acordo com a Eurofarma, a chegada do produto reforça a estratégia de ampliar o acesso a terapias inovadoras em mercados onde ainda há lacunas no tratamento de doenças complexas. O XCOPRI é resultado de uma parceria de licenciamento com a farmacêutica sul-coreana SK Biopharmaceuticals.
Segundo João Siffert, vice-presidente de Inovação da Eurofarma, a aprovação do medicamento representa um marco tanto para a empresa quanto para pacientes que convivem com a doença.
“O tratamento com cenobamato pode reduzir drasticamente as crises epilépticas mesmo em pacientes com epilepsia farmacorresistente, com benefícios importantes de qualidade de vida para pessoas com epilepsia no Brasil e América Latina. Pacientes que antes não tinham acesso a medicamentos inovadores como este, ou que dependiam de importação excepcional, passam agora a ter acesso a uma nova opção terapêutica. A aprovação pela Anvisa é também um marco importante que reforça nosso compromisso em investir em soluções inovadoras, com alto valor clínico e impacto social”, afirma Siffert.
Resultados clínicos apontam redução significativa das crises
O cenobamato apresenta um mecanismo de ação considerado inovador no tratamento da epilepsia focal farmacorresistente, condição na qual as crises persistem mesmo após o uso de medicamentos tradicionais.
Estudos clínicos pivotais indicaram resultados relevantes no controle das crises. Em terapia adjuvante, pacientes tratados com dose de 400 mg por dia apresentaram redução mediana de 65% na frequência de crises focais durante a fase de manutenção. Já a dose de 200 mg por dia resultou em redução mediana de 55,6% na frequência das crises.
Outro dado considerado significativo pelos especialistas é o índice de pacientes que alcançaram liberdade completa de crises. Nos estudos, aproximadamente um em cada cinco pacientes — entre 21% e 28,3% — atingiu esse resultado. O percentual é considerado elevado quando comparado às terapias convencionais disponíveis atualmente.
Para contextualizar o impacto, pesquisas indicam que apenas cerca de 4% dos pacientes conseguem atingir a liberdade de crises após três linhas de tratamento com medicamentos anticonvulsivantes tradicionais.
Estudos de mundo real reforçam eficácia do medicamento
Além dos ensaios clínicos, estudos recentes realizados em cenários de prática clínica também apontam resultados positivos para o uso do cenobamato.
Uma pesquisa publicada em 2025 mostrou que 79,6% dos pacientes apresentaram redução de pelo menos 50% na frequência das crises após um ano de tratamento. No mesmo período, 36,6% dos pacientes alcançaram liberdade total de crises.
Após dois anos de acompanhamento, os índices permaneceram elevados: 80% dos pacientes continuaram apresentando redução significativa das crises e 30,9% permaneceram livres delas.
Os dados também indicaram elevada adesão ao tratamento. Muitos pacientes conseguiram reduzir a quantidade de medicamentos utilizados simultaneamente e diminuir doses de terapias associadas, o que contribui para simplificar o regime terapêutico.
Segundo especialistas, esses resultados reforçam o potencial do cenobamato como alternativa relevante para pacientes com epilepsia de difícil controle.
Epilepsia ainda representa desafio de saúde pública
Apesar dos avanços no tratamento, a epilepsia continua sendo uma das doenças neurológicas crônicas mais comuns no mundo e representa um importante desafio para os sistemas de saúde.
No Brasil, estima-se que entre 1% e 2% da população conviva com a doença, o que representa aproximadamente entre 2 e 3 milhões de pessoas impactadas direta ou indiretamente pela condição.
Na América Latina e no Caribe, o cenário é igualmente preocupante. A região concentra mais de 6 milhões de pessoas com epilepsia ativa. Estudos apontam ainda que mais de 60% desses pacientes não recebem tratamento adequado.
Entre os principais fatores que contribuem para essa lacuna estão o diagnóstico tardio, a dificuldade de acesso a especialistas e a oferta limitada de terapias mais modernas.
Como consequência, muitos pacientes convivem com crises frequentes ao longo da vida, o que pode levar a incapacidade funcional, estigmatização social e perda significativa de qualidade de vida.
Ampliação de terapias pode reduzir lacuna no tratamento
Diante desse cenário, especialistas apontam que ampliar o acesso a terapias inovadoras é um passo fundamental para reduzir a lacuna no tratamento da epilepsia.
Pacientes com epilepsia farmacorresistente — aqueles que não respondem adequadamente às terapias tradicionais — representam um dos grupos mais desafiadores para os neurologistas. Nesses casos, novas opções terapêuticas podem representar uma mudança significativa na condução da doença.
A chegada do cenobamato ao mercado brasileiro é vista como um avanço relevante para o sistema de saúde e para os pacientes que enfrentam a doença diariamente.
Além de fortalecer o portfólio da Eurofarma na área de sistema nervoso central, a iniciativa também reflete a estratégia da empresa de investir em inovação terapêutica e ampliar sua presença em especialidades médicas complexas.
A expectativa é que, com a aprovação regulatória já concedida pela Anvisa, o medicamento comece a ser disponibilizado no país ainda em 2026, ampliando as opções de tratamento para milhões de brasileiros que convivem com a epilepsia.




