Um levantamento da JM Consultoria aponta que 91% dos empresários não realizam planejamento estratégico anual, apesar de quase metade afirmar ter visão de futuro para seus negócios. O estudo, conduzido entre 2021 e 2025 com 333 empresas — majoritariamente pequenas e médias do interior de São Paulo — evidencia um cenário em que a falta de método na gestão impacta diretamente decisões, resultados financeiros e capacidade de crescimento.
Os dados mostram que 83% dos empresários ainda estão envolvidos em atividades operacionais no dia a dia, enquanto 72% admitem dificuldade em compreender a rentabilidade de seus próprios negócios, o que revela fragilidades na gestão estratégica.
Distância entre visão e execução
Embora 48% dos entrevistados afirmem ter uma visão clara de futuro, poucos conseguem transformar esse direcionamento em ações práticas dentro das empresas.
“O que a gente vê na prática não é falta de visão, mas ausência de método para transformar essa visão em rotina de gestão. O empresário até define onde quer chegar, mas não desdobra isso em metas, indicadores e rituais de acompanhamento”, explica Jarbas Martins.
Segundo o especialista, essa lacuna faz com que o planejamento fique restrito ao discurso, sem impacto real na operação.
Rotina operacional trava crescimento
A pesquisa aponta que o excesso de atividades operacionais é um dos principais entraves para a evolução das empresas. Sem clareza de prioridades, os gestores acabam reagindo a demandas imediatas, em vez de atuar de forma estratégica.
“Quando não existe clareza de prioridades, a operação passa a ditar o ritmo da empresa. O empresário entra em um ciclo de reação, atendendo demandas imediatas, e perde a capacidade de antecipar problemas e alocar recursos com critério”, afirma Martins.
Esse comportamento, segundo ele, não apenas limita o crescimento, como aumenta o risco de decisões inconsistentes ao longo do tempo.
Falta de leitura financeira preocupa
Outro ponto crítico identificado no levantamento é a dificuldade dos empresários em interpretar os números do próprio negócio. Entre os participantes, 72% atribuíram notas baixas à própria capacidade de entender a rentabilidade.
Para o especialista, o problema vai além do acesso às informações.
“A maioria dos empresários não foi formada em gestão. Ele aprende a vender, a operar, mas não a analisar financeiramente o negócio. Por isso, é comum confundir lucro com o que sobra no caixa, sem considerar margem, estrutura de custos e necessidade de capital de giro”, explica.
Essa limitação pode levar a decisões equivocadas, como priorizar o aumento do faturamento sem considerar a sustentabilidade financeira.
“Crescer em receita não significa, necessariamente, crescer de forma saudável. Sem clareza de margem, a empresa pode vender mais e, ainda assim, piorar sua situação financeira”, alerta.
Estratégia não chega às equipes
A falta de planejamento também impacta a gestão de pessoas. Mesmo entre empresas que afirmam ter propósito definido, 42% não conseguem desdobrar esses valores na rotina das equipes.
“Muitas empresas tratam missão, visão e valores como um exercício de comunicação, quando na verdade isso deveria orientar decisões do dia a dia. Cultura não se constrói no discurso, mas na prática”, destaca o especialista.
Segundo ele, a ausência desse alinhamento pode comprometer a consistência da empresa e até levar à perda de talentos.
Estrutura é chave para evolução
Diante do cenário, o estudo reforça que o avanço da gestão empresarial depende de estrutura e disciplina, mais do que de iniciativas isoladas.
“O primeiro passo é o diagnóstico. A empresa precisa entender com clareza onde está, antes de definir qualquer movimento. A partir disso, entra o plano de ação, com metas objetivas e prioridades bem definidas. Mas o que sustenta tudo isso é a rotina de acompanhamento”, conclui Jarbas Martins.
Impacto no cenário econômico
Os dados refletem um desafio comum entre pequenas e médias empresas brasileiras, que representam parcela significativa da economia nacional. A ausência de planejamento estruturado pode limitar o crescimento dessas organizações e, consequentemente, impactar o desenvolvimento econômico regional.
Com maior acesso a ferramentas de gestão e capacitação, especialistas apontam que é possível reverter esse cenário e tornar os negócios mais competitivos e sustentáveis.




