Especialista alerta que exames de rotina aumentam chances de cura e ampliam opções de tratamento
A falta de acompanhamento médico regular tem contribuído para que mais de 60% dos pacientes oncológicos no Brasil descubram tumores em estágio avançado. Dados do Instituto Oncoguia mostram que 62% dos diagnósticos ocorrem tardiamente, reduzindo significativamente as chances de cura. O alerta ganha ainda mais relevância com a proximidade do Dia Mundial do Câncer, celebrado em 8 de abril, quando especialistas reforçam a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.
De acordo com estimativas recentes, cerca de 781 mil brasileiros recebem o diagnóstico de câncer todos os anos. Para a oncologista Ticila Melo, da Imuno Santos, a realização de exames de rotina é o principal caminho para mudar esse cenário.
“Infelizmente, a população ainda não mantém o acompanhamento médico periódico adequado por uma série de fatores, desde dificuldades de acesso até a desinformação. Se todos fizessem os exames básicos e solicitados pelos especialistas precocemente, de acordo com o surgimento de sintomas, diversas condições de saúde seriam identificadas ainda no início, aumentando as opções de tratamento e as taxas de cura”, explica a médica.
Diagnóstico precoce ainda é desafio
O diagnóstico precoce do câncer continua sendo um dos principais desafios da saúde pública no país. Mesmo com campanhas frequentes de conscientização, a adesão da população aos check-ups anuais ainda é considerada baixa.
Além da realização periódica de exames, especialistas destacam que é essencial observar sinais que o corpo apresenta. Muitas vezes, mesmo diante de sintomas evidentes, pacientes adiam a busca por atendimento médico, o que pode agravar o quadro clínico.
A doutora Ticila Melo ressalta que cada paciente possui características próprias, mas há um padrão comportamental que chama a atenção: a resistência masculina em procurar ajuda médica.
“Este comportamento está muito associado à construção social de que o sexo masculino não pode ser vulnerável, o que acaba gerando medo e a falta de hábitos preventivos, um erro grave”, afirma.
Falta de informação agrava cenário
Outro fator que contribui para o diagnóstico tardio é a desinformação. Pesquisas indicam que mais de 70% dos brasileiros não realizam check-up regularmente, um dado que revela a necessidade urgente de ampliar políticas públicas de conscientização.
Um levantamento realizado pela Nexus, a pedido do A.C. Camargo Cancer Center, reforça essa realidade: embora 69% da população acredite que o câncer pode ser evitado, 65% não sabe como se proteger.
Essa falta de conhecimento impacta diretamente na prevenção. Sem informações claras sobre fatores de risco, hábitos saudáveis e importância de exames periódicos, muitos brasileiros deixam de adotar medidas simples que poderiam evitar o avanço da doença.
Estágios avançados reduzem chances de cura
O resultado desse cenário é o aumento no número de casos diagnosticados em estágios avançados, especialmente nos níveis 3 e 4, quando o câncer já apresenta metástase.
Nessas fases, os tratamentos tendem a ser mais agressivos e complexos, exigindo maior esforço físico e emocional dos pacientes. Além disso, as chances de cura diminuem significativamente, enquanto o risco de mortalidade cresce.
Segundo especialistas, o risco de óbito por tumor pode aumentar em até 13% a cada mês sem tratamento adequado, o que evidencia a urgência do diagnóstico precoce.
Check-up anual pode salvar vidas
O check-up anual é apontado como uma das ferramentas mais eficazes na identificação precoce de doenças. Exames simples, muitas vezes acessíveis, podem detectar alterações antes mesmo do surgimento de sintomas.
Entre os principais exames recomendados estão avaliações laboratoriais, exames de imagem e consultas clínicas regulares. A frequência e o tipo de exame variam de acordo com idade, histórico familiar e fatores de risco.
Para a oncologista, criar o hábito de cuidar da saúde deve ser uma prioridade.
“Prevenção ainda é o melhor caminho. Quanto mais cedo identificamos qualquer alteração, maiores são as chances de sucesso no tratamento e qualidade de vida do paciente”, destaca.
Estrutura especializada na Baixada Santista
A Imuno Santos atua no atendimento de pacientes oncológicos e com doenças autoimunes, oferecendo estrutura moderna e atendimento humanizado. Localizada no Hospital São Lucas, em Santos, a clínica foi projetada para garantir conforto e eficiência no tratamento.
Com capacidade para até 60 atendimentos diários, o espaço conta com consultórios, boxes individuais de infusão, suíte exclusiva, farmácia interna e sistema inovador de agendamento. A unidade atende tanto pacientes particulares quanto de convênios médicos, evitando deslocamentos para grandes centros urbanos.
Além da oncologia clínica, a instituição reúne diversas especialidades médicas, como onco-hematologia, reumatologia, gastroenterologia, dermatologia e pneumologia, proporcionando um cuidado integral ao paciente.
Formação e atuação da especialista
A doutora Ticila Melo possui ampla experiência na área oncológica. Formada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos em 2008, realizou residência em Clínica Médica entre 2009 e 2011 e especialização em Oncologia Clínica entre 2011 e 2014.
A médica também conta com pós-graduação em Cuidados Paliativos pelo Instituto Paliar e possui o título de especialista pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), o que reforça sua atuação no tratamento e acompanhamento de pacientes com câncer.
Sua abordagem inclui não apenas o tratamento da doença, mas também o suporte integral ao paciente, considerando aspectos físicos, emocionais e sociais.
Conscientização é caminho para mudança
Especialistas são unânimes ao afirmar que o cenário atual pode ser transformado com investimentos em educação em saúde e políticas públicas eficazes. Campanhas de conscientização, ampliação do acesso a exames e incentivo à cultura da prevenção são medidas fundamentais.
O Dia Mundial do Câncer surge como uma oportunidade estratégica para reforçar essas mensagens e mobilizar a sociedade.
A mudança de comportamento da população, aliada a ações governamentais, pode reduzir significativamente os índices de diagnóstico tardio e, consequentemente, aumentar as chances de cura.




