Uso de anabolizantes faz crescer casos de infarto e problemas cardíacos entre jovens no Brasil

O aumento acelerado do consumo de anabolizantes no Brasil vem acendendo um alerta entre especialistas em saúde cardiovascular. Cada vez mais presentes entre adolescentes e jovens adultos, substâncias como testosterona e esteroides anabolizantes estão associadas ao crescimento de casos de infarto, arritmias, hipertensão e outras doenças cardíacas graves em pacientes de baixa faixa etária.

Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontam que o uso de testosterona cresceu 670% nos últimos cinco anos no país. Paralelamente, levantamento da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) revela que um em cada 16 estudantes do Ensino Fundamental ou Médio já utilizou algum tipo de anabolizante.

Embora muitas vezes ligados à busca por ganho muscular e melhora estética, especialistas alertam que os riscos dessas substâncias vão muito além da aparência física e podem comprometer seriamente o funcionamento do organismo.

Alterações cardiovasculares preocupam médicos

Entre os principais impactos do uso indiscriminado de anabolizantes estão alterações importantes no sistema cardiovascular.

Segundo especialistas, essas substâncias podem provocar aumento do colesterol ruim, espessamento do sangue, lesões nas paredes dos vasos sanguíneos e elevação da pressão arterial, fatores diretamente relacionados ao desenvolvimento de doenças cardíacas.

O cirurgião cardiovascular Dr. Adriano Milanez, da Rede Oto, afirma que os efeitos dos anabolizantes no organismo são amplos e muitas vezes silenciosos.

“O uso de anabolizantes causa alterações no funcionamento do organismo. Além do desejado ganho muscular, podem ocorrer alterações nos vasos sanguíneos que favorecem obstruções e infarto. Também pode haver aumento da pressão arterial, levando à hipertrofia do músculo do coração”, explica.

A hipertrofia cardíaca, causada pelo esforço excessivo do coração diante da pressão elevada, pode aumentar o risco de insuficiência cardíaca e arritmias graves.

Complicações podem surgir sem sintomas

Outro ponto de preocupação destacado pelos especialistas é que muitas alterações provocadas pelos anabolizantes acontecem de forma silenciosa, dificultando o diagnóstico precoce.

Em diversos casos, os sintomas só aparecem quando a condição já está em estágio avançado ou quando ocorre uma complicação grave.

“Muitas vezes, as alterações acontecem de forma silenciosa e o primeiro sinal pode ser um ataque cardíaco. Em alguns casos, podem surgir dores no peito, cansaço excessivo e palpitações, que servem como alerta”, afirma Dr. Adriano Milanez.

A ausência de sinais iniciais faz com que muitos usuários mantenham o consumo contínuo sem perceber os danos que estão sendo provocados no organismo.

Especialistas alertam que mesmo pessoas jovens, consideradas saudáveis e fisicamente ativas, podem desenvolver problemas cardíacos severos relacionados ao uso dessas substâncias.

Infartos em jovens se tornam mais frequentes

O avanço do uso de anabolizantes também vem alterando o perfil dos pacientes atendidos em unidades cardiológicas.

Segundo médicos, doenças cardiovasculares antes mais comuns em pessoas idosas agora começam a aparecer em pacientes cada vez mais jovens.

“Mesmo jovens podem desenvolver infarto, arritmias e outros eventos cardíacos graves relacionados ao uso de anabolizantes. São doenças que costumávamos ver com mais frequência em idosos, mas que têm surgido cada vez mais cedo”, ressalta o especialista.

Além dos infartos, casos de trombose, AVC, insuficiência cardíaca e alterações no ritmo cardíaco também aparecem entre as complicações associadas ao uso prolongado de esteroides anabolizantes.

A combinação entre altas doses, uso sem acompanhamento médico e associação com treinos intensos pode aumentar ainda mais os riscos cardiovasculares.

Danos vão além do coração

Embora as complicações cardíacas estejam entre as principais preocupações atuais, os anabolizantes também podem provocar diversos outros danos à saúde.

Especialistas apontam que o uso indiscriminado dessas substâncias pode causar:

  • Lesões hepáticas
  • Alterações hormonais
  • Infertilidade
  • Dependência química
  • Distúrbios psiquiátricos
  • Alterações de humor
  • Agressividade
  • Ansiedade e depressão

No caso dos adolescentes, os riscos podem ser ainda maiores, já que o organismo ainda está em fase de desenvolvimento hormonal e metabólico.

Médicos alertam que qualquer tipo de reposição hormonal deve ocorrer apenas com indicação clínica e acompanhamento especializado.

Busca pelo corpo ideal impulsiona consumo

Especialistas relacionam o crescimento do uso de anabolizantes à pressão estética cada vez maior nas redes sociais e ambientes ligados ao universo fitness.

A busca por resultados rápidos, hipertrofia muscular acelerada e padrões corporais idealizados tem levado muitos jovens ao consumo indiscriminado dessas substâncias.

Em muitos casos, o acesso ocorre sem prescrição médica, por meio de academias, comércio clandestino ou recomendações feitas nas redes sociais.

A popularização de conteúdos sobre “shape perfeito”, ganho muscular extremo e transformação corporal instantânea também contribui para banalizar os riscos associados aos anabolizantes.

Segundo médicos, a falsa percepção de segurança é um dos fatores que mais preocupam os especialistas.

Conscientização se torna prioridade

Diante do crescimento dos casos, profissionais da saúde defendem campanhas de conscientização voltadas principalmente para adolescentes e jovens adultos.

O objetivo é ampliar o debate sobre os impactos reais dos anabolizantes na saúde física e mental, além de combater a desinformação sobre o uso dessas substâncias.

Especialistas reforçam que a prática de atividade física, alimentação equilibrada e acompanhamento profissional seguem sendo os caminhos mais seguros para ganho de massa muscular e melhoria da qualidade de vida.

A orientação é procurar avaliação médica diante de qualquer interesse em tratamentos hormonais ou suplementação avançada.

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