O aumento da expectativa de vida das mulheres brasileiras tem transformado a forma como a menopausa é encarada. Se na década de 1990 a média era de 70 anos, hoje chega aos 80, segundo dados do IBGE. Esse avanço de uma década não apenas amplia o tempo de vida, mas também reposiciona a segunda metade da existência como uma fase que exige atenção à saúde física e emocional. Nesse cenário, cerca de 30 milhões de brasileiras vivem entre o climatério e a menopausa, período que demanda mais informação científica e acompanhamento adequado para garantir qualidade de vida.
Entender o início é o primeiro passo
Um dos principais equívocos ainda comuns entre as mulheres é acreditar que a menopausa começa apenas com o fim da menstruação. No entanto, conforme explica a especialista Karina Rodrigues, os primeiros sinais podem surgir bem antes, por volta dos 38 ou 40 anos, durante o climatério.
Essa fase é marcada por mudanças hormonais significativas que impactam todo o organismo. “Os hormônios femininos iniciam a queda e trazem sintomas geralmente a partir de 38 ou 40 anos. Este período ainda não é a menopausa em si, mas o climatério”, afirma.
Além das alterações hormonais, há também impactos neurológicos relevantes. “A mudança biológica é tão forte que o cérebro da mulher literalmente diminui de tamanho, sofrendo uma poda neural”, destaca a especialista, reforçando a complexidade do processo.
Sintomas vão além dos mais conhecidos
Os sintomas mais comuns incluem cansaço, insônia, queda da libido, ressecamento vaginal, suores, palpitações e os conhecidos fogachos. No entanto, há manifestações menos discutidas que também merecem atenção.
Entre elas estão sensações incomuns como a impressão de insetos andando pela pele, choques no corpo, zumbido nos ouvidos e tonturas. Muitas vezes, esses sinais são confundidos com quadros de depressão, estresse ou insatisfação pessoal.
Por isso, o acompanhamento médico é essencial. A recomendação é realizar exames e buscar orientação profissional ao perceber qualquer alteração. Caso a paciente não se sinta acolhida, a troca de especialista também deve ser considerada.
Impactos emocionais e busca por equilíbrio
Além das transformações físicas, a menopausa também traz mudanças psicológicas importantes. De acordo com Karina Rodrigues, há uma tendência de mulheres nessa fase buscarem mais equilíbrio emocional, momentos de solitude e conexão espiritual.
“Na minha tese de doutorado, mapeei que as mulheres desta geração apresentam a característica de ter o desejo de buscar paz, isolamentos (solitude) saudável e espiritualidade”, explica.
Ela ressalta ainda que aspectos da personalidade que foram deixados de lado ao longo da vida podem emergir nesse período, exigindo acolhimento e autoconhecimento.
Duração varia e tratamentos ajudam
A duração dos sintomas da menopausa pode variar bastante de mulher para mulher, podendo durar desde alguns meses até uma década. Apesar disso, há alternativas eficazes para aliviar os desconfortos.
“A maior parte dos sintomas tem reversão com a reposição hormonal”, afirma a especialista. Para quem não pode recorrer a esse tipo de tratamento, existem opções naturais, incluindo ajustes alimentares que contribuem para o bem-estar durante essa fase.
A importância de uma abordagem multidisciplinar
Manter a saúde em dia durante o climatério e a menopausa exige uma abordagem integrada. Segundo a especialista, o ideal é contar com uma equipe multidisciplinar, formada por profissionais como nutricionistas, ginecologistas, endocrinologistas e psicólogos.
Cada mulher vivencia esse processo de forma única, o que reforça a necessidade de um acompanhamento personalizado. Além disso, a prática regular de exercícios físicos continua sendo uma recomendação fundamental para um envelhecimento saudável.
Embora seja uma orientação amplamente difundida, a atividade física tem papel essencial na regulação hormonal, na saúde mental e na prevenção de doenças crônicas.
Nova perspectiva sobre envelhecer
A longevidade feminina impõe novos desafios, mas também abre espaço para uma visão mais positiva sobre o envelhecimento. A menopausa deixa de ser vista apenas como um fim e passa a ser compreendida como uma transição natural que pode — e deve — ser vivida com qualidade.
Com acesso à informação, acompanhamento médico adequado e mudanças no estilo de vida, é possível atravessar essa fase de forma mais equilibrada e saudável, valorizando o bem-estar em todas as dimensões da vida.




