Mercado de fusões e aquisições cresce no Brasil e muda estratégia de empresas médias

Com US$ 51 bilhões movimentados, companhias adotam mentalidade de preparação contínua para gerar valor mesmo sem venda

O mercado de fusões e aquisições (M&A) no Brasil segue em expansão e já movimentou cerca de US$ 51 bilhões em 2025, crescimento de 8% em relação ao ano anterior, segundo dados da Bain & Company. Em meio a esse cenário, empresas do middle market têm adotado uma nova abordagem: estruturar seus negócios continuamente para estarem prontas para operações de M&A, mesmo sem intenção imediata de venda.

A tendência, conhecida como mentalidade “ready for M&A”, tem ganhado força entre companhias que buscam aumentar seu valor de mercado, reduzir riscos e ampliar oportunidades estratégicas. A análise é da Helping Hand, que acompanha o movimento no país.

Preparação contínua muda posicionamento das empresas

De acordo com Lucas Mendes, fundador e CEO da Helping Hand, a mudança de mentalidade impacta diretamente a forma como as empresas são percebidas pelo mercado.

“Empresas que não se preparam para M&A acabam sendo avaliadas pelo risco que não controlam. Quando você estrutura seu negócio com governança, previsibilidade e clareza financeira, você deixa de ser uma operação e passa a ser um ativo estratégico”, afirma.

Essa preparação envolve práticas como organização financeira, melhoria na governança corporativa e adoção de processos mais eficientes, que aumentam a atratividade da empresa para investidores e parceiros.

Mercado global também impulsiona tendência

O movimento no Brasil acompanha o cenário global de M&A, que atingiu US$ 4,9 trilhões em 2025, o segundo maior volume da história. O crescimento foi impulsionado principalmente pelos setores de tecnologia, manufatura avançada e serviços financeiros.

No país, foram registradas 1.644 transações no período, com alta de 5% no número de operações e 6% no capital mobilizado, segundo levantamento da TTR Data.

Middle market lidera avanço

O segmento de médias empresas apresentou crescimento ainda mais expressivo. Companhias com faturamento entre R$ 20 milhões e R$ 500 milhões registraram aumento de 10,1% nas operações em 2024, de acordo com a Value Capital.

A maioria das transações (65%) envolveu valores abaixo de R$ 50 milhões, o que reforça o dinamismo do middle market. O estado de São Paulo concentrou 52% dos negócios realizados, conforme dados da PwC Brasil.

Falta de preparo ainda compromete resultados

Apesar do crescimento, grande parte das operações de M&A não atinge os resultados esperados. Um levantamento da revista Fortune aponta que entre 70% e 75% das transações globais falham em cumprir seus objetivos.

Entre os principais fatores estão problemas de integração cultural, superavaliação de ativos, falhas de governança e inconsistências nos processos de due diligence.

No Brasil, especialmente entre médias empresas, desafios estruturais ainda são comuns. Entre eles estão informações contábeis pouco confiáveis, passivos trabalhistas e tributários não mapeados e alta concentração de receita em poucos clientes.

Esses fatores podem impactar diretamente o valuation ou até inviabilizar negociações.

Empresas “M&A-ready” ganham vantagem competitiva

Segundo o National Center for the Middle Market, empresas consideradas preparadas para M&A apresentam características como governança estruturada, controle financeiro profissional, estratégias de retenção de talentos, uso de sistemas digitais e planejamento estratégico bem definido.

Essa abordagem também ajuda a corrigir problemas recorrentes no middle market, como dependência excessiva dos fundadores, ausência de acordos societários e falta de organização interna.

Para Mendes, o principal benefício está na mudança de visão. “Quando o M&A deixa de ser uma corrida de última hora e passa a ser um processo contínuo, a empresa ganha eficiência, reduz custo de capital e amplia suas opções estratégicas, seja para crescer, captar ou vender”, conclui.

Estratégia vai além da venda

A adoção da mentalidade “ready for M&A” mostra que o objetivo não é apenas preparar empresas para venda, mas torná-las mais eficientes e competitivas no longo prazo.

Com maior organização e previsibilidade, essas companhias conseguem acessar melhores oportunidades de investimento, expandir operações e fortalecer sua posição no mercado.

O crescimento do setor de M&A no Brasil reforça essa tendência e indica que a preparação estratégica deve se tornar cada vez mais essencial para empresas que desejam crescer de forma sustentável.

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