A indústria farmacêutica brasileira se prepara para receber uma nova tecnologia voltada ao controle de qualidade de medicamentos estéreis, com potencial para reduzir perdas milionárias causadas por contaminações durante análises laboratoriais. Desenvolvido pela empresa alemã Pamas, o contador de partículas Pamas S70 chega ao Brasil entre julho e agosto de 2026 trazendo um diferencial inédito no mercado nacional: um sistema de fluxo laminar integrado com filtro HEPA que permite realizar análises em ambiente isolado e estéril.
A novidade será introduzida no país pela Pensalab, empresa especializada em instrumentação analítica e automação de processos. O equipamento foi apresentado recentemente durante a feira Analytica e já desperta expectativa entre laboratórios farmacêuticos e fabricantes de medicamentos estéreis devido ao potencial de reduzir falhas de medição conhecidas como “falsos positivos”, responsáveis por prejuízos financeiros e descarte indevido de lotes inteiros de produção.
O problema é considerado um dos mais críticos no controle de qualidade farmacêutico. Durante a análise convencional, o simples ato de abrir um frasco para medição expõe a amostra ao ambiente externo, permitindo contato com partículas em suspensão no ar. Isso pode alterar os resultados da análise e indicar contaminação onde ela não existe de fato.
Contaminação durante análise gera prejuízos milionários
No setor farmacêutico, especialmente na produção de medicamentos estéreis como colírios, soluções injetáveis e produtos hospitalares, qualquer indício de contaminação pode levar ao bloqueio imediato da distribuição e até ao descarte completo do lote produzido.
Segundo especialistas da área, um único desvio pode representar perdas equivalentes a tanques de até 10 mil litros de produto, além de gerar impactos regulatórios e danos reputacionais para os fabricantes.
O desafio está justamente na precisão do ambiente de análise. Atualmente, grande parte dos laboratórios utiliza capelas e cabines compartilhadas para diferentes processos químicos e microbiológicos, o que dificulta garantir um ambiente totalmente livre de partículas durante a contagem.
Com o Pamas S70, a proposta é justamente eliminar essa vulnerabilidade operacional.
Sistema integrado cria ambiente estéril durante análise
O equipamento utiliza tecnologia de obscuração de luz laser para identificar e medir partículas presentes em fluidos farmacêuticos. O diferencial está na integração de um sistema de fluxo laminar com filtro HEPA diretamente no processo de sucção da amostra, criando uma área protegida durante toda a análise.
Na prática, isso reduz drasticamente a interferência externa e aumenta a confiabilidade dos resultados.
Segundo Jéssica Ospedal, especialista de Produto da Pensalab, o equipamento muda a forma como os laboratórios trabalham com controle de partículas.
“O equipamento garante que a análise está ocorrendo em um ambiente muito limpo, livre de partículas e o resultado é mais fidedigno àquilo que tem de fato na amostra”, afirma.
A tecnologia também elimina a necessidade de grandes estruturas externas de segurança, como cabines biológicas ou câmaras enclausuradas, permitindo operação mais simples e otimização do espaço físico dentro dos laboratórios.
Segurança sanitária ganha ainda mais importância
O controle de partículas em medicamentos estéreis é considerado uma etapa crítica na indústria farmacêutica. Isso porque partículas sólidas presentes em soluções injetáveis ou oftalmológicas podem causar danos severos ao organismo humano, incluindo problemas circulatórios e lesões em tecidos.
Por esse motivo, normas sanitárias nacionais e internacionais exigem rígidos padrões de pureza para aprovação e comercialização desses produtos.
O Pamas S70 atende às exigências da norma CFR 21 Part 11, utilizada como referência para validação de sistemas eletrônicos e rastreabilidade de dados em ambientes regulados pela indústria farmacêutica.
Além da questão sanitária, o equipamento também atende uma demanda crescente do setor por eficiência operacional e redução de desperdícios.
Indústria busca reduzir perdas e aumentar previsibilidade
Nos últimos anos, a indústria farmacêutica intensificou investimentos em automação, rastreabilidade e tecnologias capazes de reduzir falhas humanas nos processos de fabricação e controle de qualidade.
O avanço das exigências regulatórias, aliado ao alto custo de produção de medicamentos estéreis, fez com que laboratórios passassem a buscar soluções mais precisas e menos vulneráveis a interferências externas.
Segundo Luciana Souza, executiva de Vendas da Pensalab especializada no setor farmacêutico, o impacto financeiro de uma análise contaminada vai muito além da perda do material analisado.
“Quando você tem um desvio em uma amostra que é estéril, você não consegue reprocessar, tem de descartar e às vezes são perdidas toneladas de produtos, sendo que a contaminação estava apenas na amostra e não no lote”, explica.
Esse cenário também gera atrasos logísticos, interrupção de distribuição, retrabalho operacional e aumento de custos regulatórios.
Investimento maior busca evitar perdas ainda maiores
Embora o equipamento apresente custo de aquisição entre 25% e 30% superior aos modelos convencionais disponíveis no mercado, a expectativa é que o investimento seja compensado pela redução de perdas operacionais e descarte de lotes.
Além disso, o modelo elimina gastos adicionais com instalação de grandes cabines de segurança e infraestrutura complementar.
Para a Pensalab, o avanço dessa tecnologia reflete uma mudança estrutural no setor farmacêutico, que vem migrando para operações cada vez mais automatizadas, rastreáveis e orientadas à redução de risco.
“Esse valor um pouco maior justifica a aquisição, pois evita-se prejuízos enormes, não só financeiros, mas de reputação para a fabricante”, finaliza Luciana.
Mercado farmacêutico acelera modernização laboratorial
A chegada do Pamas S70 ao Brasil ocorre em um momento em que laboratórios farmacêuticos buscam modernizar seus processos diante do aumento das exigências sanitárias e da crescente pressão por produtividade.
A tendência é que soluções voltadas à automação laboratorial, controle de qualidade e rastreabilidade ganhem ainda mais espaço nos próximos anos, especialmente em segmentos ligados à produção de medicamentos de alta complexidade.
Com isso, tecnologias capazes de unir precisão analítica, segurança operacional e redução de perdas devem se tornar cada vez mais estratégicas dentro da indústria farmacêutica nacional.




