Levantamento Datafolha revela mudança no comportamento de inquilinos, principalmente entre os mais jovens, e reforça avanço da digitalização no mercado imobiliário
A digitalização do mercado imobiliário brasileiro ganhou um novo indicativo de consolidação. Pesquisa divulgada pelo Datafolha nesta quinta-feira (21) mostra que apenas 16% das pessoas que moram ou pretendem morar de aluguel afirmam não aceitar pagar uma taxa mensal para ter acesso a serviços digitais durante o contrato de locação. O levantamento aponta ainda que a resistência é ainda menor entre jovens de 18 a 24 anos, faixa em que apenas 7% rejeitam esse tipo de cobrança.
O estudo, encomendado pelo QuintoAndar, ouviu moradores de todas as regiões do país e reforça uma transformação já observada no setor: a expectativa crescente por experiências mais rápidas, digitais e menos burocráticas na jornada de aluguel de imóveis.
Entre os serviços mais valorizados pelos entrevistados estão acesso online a boletos, contratos e faturas, atendimento via chat disponível 24 horas por dia, vistorias digitais de entrada e saída e possibilidade de rescisão contratual online. A pesquisa mostra que 92% dos entrevistados acreditam que plataformas digitais facilitaram a vida das pessoas em áreas como transporte, streaming, alimentação e moradia.
Segundo Rafael Castro, Chief Product Officer (CPO) do QuintoAndar, o comportamento do consumidor mudou significativamente nos últimos anos. “O mercado imobiliário brasileiro foi, por décadas, sinônimo de burocracia e lentidão. O que vemos hoje é uma validação clara de que o consumidor não aceita mais retroceder. A tecnologia não é apenas uma facilitadora; ela se tornou o padrão de eficiência esperado por quem busca agilidade e transparência na jornada de moradia”, afirma.
Tecnologia redefine a experiência de alugar imóveis
A transformação digital no setor imobiliário vem acompanhando mudanças de comportamento impulsionadas pelo crescimento do uso de aplicativos, plataformas digitais e inteligência artificial em diferentes segmentos da economia.
No mercado de locação, a busca por soluções digitais ganhou força principalmente após a pandemia, quando consumidores passaram a valorizar ainda mais processos remotos, agilidade no atendimento e redução de burocracias presenciais.
A pesquisa aponta que 66% dos entrevistados consideram melhor uma plataforma imobiliária que ofereça agendamento online de visitas, gestão digital de reparos e uso de inteligência artificial para facilitar processos, em comparação às imobiliárias tradicionais.
Para especialistas do setor, o avanço da digitalização não está relacionado apenas à conveniência, mas também à percepção de segurança, controle e praticidade. Plataformas digitais conseguem integrar contratos, pagamentos, atendimento e suporte operacional em um único ambiente, reduzindo etapas e aumentando a transparência da operação.
Além disso, o consumidor brasileiro parece estar disposto a investir financeiramente nessa conveniência. Segundo o levantamento, 63% dos entrevistados afirmam aceitar pagar mensalmente pelo menos 2,5% do valor do aluguel para ter acesso a esse pacote de serviços digitais.
“A inovação e a infraestrutura tecnológica que garantem essa conveniência possuem um custo. Por isso a importância da taxa. O consumidor tem o direito de escolher a comodidade de um ecossistema digital. E os dados mostram que o público compreende e valoriza o serviço agregado entregue”, afirma Rafael Castro.
Mercado imobiliário ainda enfrenta desafios operacionais
Apesar do avanço tecnológico, a pesquisa também mostra que o processo de locação ainda é percebido como complexo pela maior parte da população. Segundo o estudo, 79% dos entrevistados concordam que alugar um imóvel envolve desafios como gestão de reparos, pagamentos, documentação e vistorias.
Mesmo diante da crescente digitalização, 46% das pessoas ainda afirmam buscar imóveis diretamente com proprietários. Já um terço dos entrevistados diz utilizar plataformas digitais de moradia como principal canal de busca.
O cenário revela que o setor vive um momento de transição entre modelos tradicionais e estruturas mais tecnológicas, impulsionadas pela mudança de comportamento do consumidor e pela necessidade de maior eficiência operacional.
Nos últimos anos, empresas do setor imobiliário passaram a investir fortemente em inteligência artificial, automação de atendimento, assinatura eletrônica de contratos, análise automatizada de crédito e integração digital de processos.
Esse movimento acompanha uma tendência global de transformação do mercado imobiliário, conhecido internacionalmente como proptechs, empresas que utilizam tecnologia para modernizar processos ligados à compra, venda, aluguel e administração de imóveis.
Serviços digitais ganham valor estratégico
Entre os serviços considerados mais importantes pelos entrevistados, o acesso rápido a informações online lidera a preferência. Cerca de 80% dos participantes destacaram a importância de consultar boletos, contratos e detalhamento de pagamentos de forma digital.
Na sequência aparecem funcionalidades relacionadas à gestão de reparos e manutenção, apontadas por 77% dos entrevistados. Também com 77%, a possibilidade de solicitar rescisão contratual online foi considerada um dos recursos mais relevantes para facilitar o cotidiano de quem mora de aluguel.
A tendência reforça que o consumidor atual busca mais autonomia na relação com imobiliárias, plataformas e proprietários. Quanto menor a dependência de processos presenciais e burocráticos, maior tende a ser a percepção de eficiência do serviço.
Especialistas do mercado avaliam que o avanço das plataformas digitais também contribui para profissionalizar o setor, reduzindo informalidades e aumentando a segurança jurídica tanto para locadores quanto para inquilinos.
Inteligência artificial amplia transformação do setor
A inteligência artificial também começa a ganhar protagonismo nas plataformas imobiliárias. Ferramentas de IA já são utilizadas para recomendar imóveis, agilizar análises cadastrais, automatizar atendimento, organizar visitas e otimizar processos internos.
O Grupo QuintoAndar afirma utilizar tecnologia e inteligência artificial para simplificar operações e ampliar a experiência digital dos usuários. Atualmente, a companhia soma mais de 50 milhões de visitas mensais e cerca de 9 milhões de anúncios publicados em suas plataformas.
Com operações em países como Brasil, México, Argentina, Peru, Equador e Panamá, a empresa se consolidou como uma das maiores plataformas imobiliárias da América Latina.
Para o mercado, o avanço tecnológico representa uma mudança estrutural em um dos setores historicamente mais burocráticos da economia brasileira. A expectativa é que os próximos anos acelerem ainda mais a integração entre inteligência artificial, automação e experiência digital na jornada de moradia.
Mudança comportamental tende a acelerar
Os dados do levantamento indicam que as gerações mais jovens devem impulsionar ainda mais essa transformação nos próximos anos. O baixo índice de rejeição à cobrança por serviços digitais entre pessoas de 18 a 24 anos reforça uma mudança cultural em relação ao consumo de serviços imobiliários.
Acostumados a aplicativos de mobilidade, bancos digitais, streaming e marketplaces, os consumidores mais jovens tendem a enxergar plataformas digitais como padrão natural de relacionamento e não mais como diferencial.
Esse comportamento deve pressionar o mercado imobiliário a investir cada vez mais em tecnologia, atendimento digital e integração de serviços para atender às novas expectativas do consumidor.
Segundo Rafael Castro, existe um espaço significativo para ampliar a profissionalização do mercado de locação no país. “Há um espaço enorme para levarmos segurança jurídica e praticidade a uma parcela da população que ainda sofre com processos complexos no momento de procurar um imóvel para alugar. O nosso papel é mostrar que a tecnologia é a melhor aliada para profissionalizar e proteger todos os elos envolvidos no mercado de aluguel”, conclui.




