Brasil amplia protagonismo no agronegócio durante o SIAL Shanghai 2026 e projeta US$ 45 milhões em negócios

O agronegócio brasileiro reforçou sua presença internacional durante o SIAL Shanghai 2026, uma das maiores feiras globais do setor de alimentos e bebidas, realizada entre os dias 18 e 20 de maio, em Xangai, na China. Com mais de 80 expositores nacionais e forte participação das cadeias de proteína animal, o Brasil encerrou o evento com expectativa de gerar US$ 45,5 milhões em negócios ao longo dos próximos 12 meses.

Segundo levantamento da ApexBrasil, apenas durante os três dias da feira os negócios efetivamente concretizados somaram US$ 3,25 milhões. O evento reuniu compradores profissionais de 132 países e regiões, consolidando-se como uma das principais plataformas globais para expansão comercial no setor alimentício.

A participação brasileira ocorre em um momento de fortalecimento das relações comerciais com a China, principal destino das exportações do agronegócio nacional. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que o país asiático respondeu por 32,7% dos US$ 169,2 bilhões exportados pelo agro brasileiro em 2025.

O crescimento das exportações, especialmente de proteína animal, vem impulsionando a presença de empresas brasileiras em eventos internacionais estratégicos voltados à geração de negócios e abertura de novos mercados.

Proteína animal lidera presença brasileira

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) foi um dos principais destaques da participação brasileira no SIAL Shanghai 2026. Em parceria com a ApexBrasil, a entidade levou agroindústrias nacionais para uma ação estruturada de promoção comercial e institucional.

A iniciativa ocorreu por meio das marcas setoriais Brazilian Chicken, Brazilian Pork, Brazilian Egg, Brazilian Breeders e Brazilian Duck, fortalecendo a imagem da proteína animal brasileira junto a importadores, distribuidores e autoridades chinesas.

Segundo o presidente da ABPA, Ricardo Santin, o evento tem papel estratégico para consolidar a presença brasileira em um dos mercados mais relevantes do mundo.

“A participação no SIAL Shanghai é estratégica para o posicionamento da proteína animal brasileira em um dos mercados mais relevantes do mundo. A China é um parceiro central para as exportações do setor, e a presença no evento permite reforçar atributos como qualidade, segurança sanitária e confiabilidade do produto brasileiro. Além disso, a feira funciona como uma plataforma de diálogo direto com importadores, distribuidores e autoridades, contribuindo para o fortalecimento institucional e para a ampliação de oportunidades comerciais em um ambiente altamente competitivo”, comenta Santin.

O executivo destaca que a feira também tem sido importante para ampliar o relacionamento comercial e avançar em negociações de médio e longo prazo.

Carne bovina brasileira ganha espaço na China

Outro destaque brasileiro no evento foi o projeto “Brazilian Beef”, desenvolvido pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), em parceria com a ApexBrasil.

O pavilhão brasileiro ocupou uma área superior a 1.200 metros quadrados e reuniu 24 empresas expositoras, número 20% superior ao registrado na edição anterior da feira.

O crescimento reflete a forte demanda chinesa pela carne bovina brasileira e a consolidação do Brasil como um dos principais fornecedores globais do produto.

Segundo Roberto Perosa, presidente da ABIEC, a participação no SIAL faz parte de uma estratégia contínua de fortalecimento da presença brasileira no mercado asiático.

“A participação no SIAL Shanghai faz parte de um movimento consistente de ampliação da presença da carne bovina brasileira na China, com ações voltadas à geração de negócios e à aproximação com importadores e distribuidores”, afirma Perosa.

A China segue como principal destino da carne bovina exportada pelo Brasil, impulsionando investimentos em produção, logística e promoção comercial internacional.

Feira reuniu compradores de diversos países

O SIAL Shanghai 2026 movimentou milhares de reuniões comerciais ao longo dos três dias de evento.

Segundo a organização, foram realizadas 13.978 reuniões de negócios direcionadas, transformando o centro de exposições em uma verdadeira arena global de negociações.

Compradores de diferentes regiões do mundo participaram da feira, incluindo representantes de Hong Kong, Estados Unidos, Coreia do Sul, Singapura, Tailândia, Vietnã, Indonésia e Austrália.

Entre as empresas internacionais presentes estavam Kai Bo Food Supermarket, DS Groceries, King Food Service, CPF Group, MM Mega Market e Ostindo International.

No mercado chinês, também participaram grandes grupos varejistas e plataformas de distribuição alimentar como ALDI China, JD.com, Freshippo, SPAR China e Yonghui Fresh Food.

O volume de negociações reforça o papel estratégico do SIAL como uma das maiores plataformas globais de conexão entre produtores, distribuidores, varejistas e importadores da indústria alimentícia.

China segue como principal parceiro do agro brasileiro

A forte participação brasileira no evento acompanha o crescimento das exportações agropecuárias para a China nos últimos anos.

O país asiático se consolidou como principal parceiro comercial do agronegócio brasileiro, absorvendo grandes volumes de soja, milho, carne bovina, carne de frango, celulose e outros produtos estratégicos.

Especialistas avaliam que a relação comercial entre Brasil e China deverá continuar se fortalecendo diante do aumento da demanda chinesa por alimentos e da competitividade da produção brasileira.

Além da proteína animal, o mercado chinês também vem ampliando interesse por produtos processados, bebidas, ingredientes e soluções alimentares sustentáveis.

A participação em feiras internacionais como o SIAL é vista como essencial para ampliar a visibilidade das marcas brasileiras e fortalecer o posicionamento institucional do país no comércio global de alimentos.

Expansão asiática inclui Sudeste Asiático

A estratégia de internacionalização do agronegócio brasileiro não se limita ao mercado chinês.

O Brasil também confirmou presença na Food & Drinks Malaysia by SIAL, feira que será realizada entre os dias 21 e 23 de julho, na Malásia.

O evento é considerado um dos mais importantes encontros da indústria alimentícia no Sudeste Asiático e possui forte foco no mercado halal, segmento em que o Brasil ocupa posição de liderança global.

Na Malásia, o projeto Brazilian Beef contará novamente com estande próprio e participação de empresas brasileiras, reforçando a estratégia de diversificação de mercados e ampliação da presença comercial no continente asiático.

O avanço para novos mercados asiáticos é considerado estratégico diante do crescimento populacional e do aumento do consumo alimentar na região.

SIAL amplia presença global

Desde sua chegada à China, em 2000, o SIAL Shanghai se transformou em um dos principais centros globais de inovação alimentar e negócios da Ásia.

Atualmente, o SIAL Network reúne eventos realizados em diversos países, incluindo França, Canadá, Índia, Indonésia, Malásia e Argélia.

Segundo Brena Baumle, diretora da Bäumle Organização de Feiras, representante oficial do SIAL no Brasil, a feira segue ampliando sua relevância internacional.

“Encerrar mais uma edição do SIAL Shanghai com a presença de compradores estratégicos de diferentes continentes reforça o papel da feira como uma plataforma global de conexão e geração de negócios para a indústria de alimentos e bebidas”, destaca.

A próxima edição do SIAL Shanghai já está confirmada para acontecer entre os dias 18 e 20 de maio de 2027.

Sobre o SIAL Network

O SIAL Network é uma das maiores redes globais de feiras do setor de alimentos e bebidas, reunindo mais de 17 mil expositores e cerca de 700 mil visitantes profissionais de 205 países por meio de eventos internacionais realizados em diferentes continentes.

Mais informações: SIAL Network

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