Capital paranaense supera grandes centros em certificações ambientais e reforça tendência de imóveis que unem preservação, eficiência energética e qualidade de vida
Curitiba consolidou sua posição como referência nacional em construção sustentável ao liderar o ranking brasileiro de edifícios residenciais certificados pelo Green Building Council (GBC). Com 32 empreendimentos reconhecidos pelo selo verde, a capital paranaense ultrapassa grandes centros como São Paulo e confirma uma transformação que vem remodelando o mercado imobiliário. Mais do que uma tendência arquitetônica, a sustentabilidade passou a ocupar papel estratégico nos novos projetos, impulsionada pela crescente valorização de imóveis que conciliam preservação ambiental, eficiência operacional e bem-estar.
O avanço acompanha mudanças no comportamento dos consumidores. Levantamento da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) aponta que 57% dos brasileiros preferem empreendimentos integrados à natureza, enquanto 56% afirmam estar dispostos a investir mais em imóveis sustentáveis. Nesse cenário, atributos como eficiência energética, preservação ambiental e redução de custos com água e energia passaram a influenciar a decisão de compra tanto quanto fatores tradicionais, como localização e metragem.
Para Gustavo Selig, CEO da Construtora Hestia, essa mudança representa uma evolução definitiva na forma de desenvolver empreendimentos imobiliários.
“A sustentabilidade deixou de ser um diferencial para se tornar parte essencial da concepção dos projetos. Hoje, pensar em desenvolvimento urbano significa também preservar recursos naturais, oferecer qualidade de vida e construir empreendimentos preparados para as próximas décadas”, afirma.
Sustentabilidade faz parte da estratégia do mercado imobiliário
A crescente demanda por construções sustentáveis reflete um cenário em que investidores, incorporadoras e consumidores passaram a enxergar benefícios que vão além da preservação ambiental.
Empreendimentos certificados costumam apresentar maior valorização patrimonial ao longo do tempo, custos operacionais reduzidos e maior atratividade para compradores e investidores preocupados com critérios ESG (Governança Ambiental, Social e Corporativa).
Segundo Gustavo Selig, essa visão já faz parte da cultura da Construtora Hestia há mais de duas décadas.
“Como pioneiros no Paraná, integramos a sustentabilidade em cada etapa de nossos projetos. Em 2001, fomos a primeira empresa do estado a implementar um programa contínuo de reciclagem de resíduos sólidos, com mais de 70 toneladas de materiais reaproveitados”, relembra.
O executivo destaca que práticas ambientais precisam estar presentes desde a escolha do terreno até a operação do edifício após sua entrega.
“Acreditamos que construir lares vai além de criar espaços; é contribuir para um futuro mais sustentável para todos. Cada empreendimento é pensado para minimizar desperdícios e garantir construções que beneficiem tanto os moradores quanto o planeta”, acrescenta.
Design biofílico aproxima moradores da natureza
Entre as principais tendências da construção sustentável está o design biofílico, conceito arquitetônico que busca integrar os espaços urbanos aos elementos naturais, promovendo benefícios físicos, emocionais e ambientais aos moradores.
Em Curitiba, esse conceito vem sendo aplicado em projetos que priorizam áreas verdes preservadas, iluminação natural, ventilação cruzada e ambientes de convivência voltados ao contato com a natureza.
Um dos exemplos é o empreendimento Delfos, desenvolvido pela Construtora Hestia no bairro Ecoville.
O projeto preserva aproximadamente 7 mil metros quadrados de vegetação nativa dentro do terreno, incorporando a área verde ao cotidiano dos moradores.
A proposta vai além da simples conservação ambiental. Os espaços de lazer infantil foram planejados para proporcionar contato direto das crianças com a mata nativa, enquanto áreas dedicadas ao bem-estar, como academia e espaço para yoga, foram posicionadas na cobertura do edifício, privilegiando iluminação natural, vista para a vegetação e contemplação do pôr do sol.
A integração entre arquitetura e meio ambiente representa uma mudança de paradigma na concepção dos empreendimentos residenciais.
Eficiência energética reduz custos e amplia valorização
Além dos benefícios ambientais, a adoção de soluções sustentáveis proporciona ganhos econômicos para moradores e investidores.
Sistemas de reaproveitamento de água, iluminação eficiente, materiais de maior desempenho térmico e projetos que aproveitam ventilação e iluminação naturais reduzem significativamente o consumo de recursos ao longo da vida útil do edifício.
Esses fatores contribuem para diminuir despesas condominiais e aumentar o valor de mercado dos imóveis.
Especialistas apontam que edifícios certificados tendem a apresentar maior liquidez e menor índice de obsolescência, acompanhando uma demanda crescente por empreendimentos alinhados às exigências ambientais do mercado.
ESG influencia novos investimentos
O fortalecimento das práticas ESG também impulsiona o setor imobiliário brasileiro.
Cada vez mais, investidores institucionais analisam indicadores ambientais antes de direcionar recursos para novos empreendimentos.
Esse movimento estimula incorporadoras a adotarem processos construtivos mais eficientes, reduzir desperdícios, preservar áreas verdes e desenvolver projetos capazes de equilibrar crescimento urbano e responsabilidade ambiental.
Curitiba desponta como uma das cidades que melhor incorporaram esse modelo, tornando-se referência nacional em planejamento urbano sustentável.
Paraná fortalece tradição em construção sustentável
A liderança da capital paranaense no ranking nacional também reforça uma característica histórica do estado, conhecido por iniciativas voltadas ao planejamento urbano, mobilidade e preservação ambiental.
Para Gustavo Selig, o desafio atual consiste em ampliar esse conceito para toda a cadeia da construção civil.
“O futuro do mercado imobiliário passa por empreendimentos que entregam qualidade de vida, eficiência e respeito ao meio ambiente. Não se trata apenas de construir edifícios mais modernos, mas de criar espaços que contribuam para cidades mais equilibradas e sustentáveis”, conclui.
Com consumidores mais conscientes, investidores atentos aos critérios ambientais e cidades buscando soluções para o crescimento urbano, a construção sustentável deixa de representar um nicho e assume posição estratégica no desenvolvimento imobiliário brasileiro.




