A inteligência artificial começa a entrar em uma nova fase dentro das empresas. Depois de um período marcado pela experimentação com ferramentas generativas capazes de produzir textos, imagens, códigos e análises, o mercado passa a concentrar atenção em sistemas que podem interpretar informações, acionar diferentes aplicações e executar etapas inteiras de processos. Esse será um dos principais temas da AutomationEdge User Conference 2026 – Brazil Edition, que acontece em 19 de agosto, em São Paulo.
Promovido pela AutomationEdge, fornecedora de soluções de hyperautomação, o encontro reunirá executivos, especialistas, clientes e parceiros para discutir como a combinação entre automação robótica de processos (RPA), inteligência artificial generativa e agentes inteligentes pode modificar a operação das empresas.
A conferência também pretende colocar em discussão questões que ganham relevância à medida que a autonomia dos sistemas aumenta. Governança, segurança, escalabilidade e definição dos limites para decisões tomadas por sistemas de inteligência artificial estão entre os assuntos que devem acompanhar a evolução dessa tecnologia.
A mudança representa uma diferença importante em relação ao primeiro ciclo de automação empresarial. Se as ferramentas tradicionais foram desenvolvidas principalmente para executar tarefas repetitivas e previamente determinadas por regras, os agentes de IA ampliam essa capacidade ao interpretar informações, escolher ações e interagir com diferentes sistemas para completar fluxos de trabalho.
“O debate sobre IA está mudando rapidamente, já não se trata apenas de experimentar ferramentas, mas de entender como incorporá-las à operação de forma segura, escalável e com impacto real no negócio. Queremos usar a conferência para mostrar experiências concretas de empresas que já estão avançando nessa direção”, afirma Fernando Baldin, Country Manager LATAM da AutomationEdge.
Da automação de tarefas aos processos autônomos
A evolução dos agentes de inteligência artificial está mudando a discussão sobre automação dentro das organizações.
Durante anos, projetos de RPA foram utilizados para automatizar atividades que seguiam regras claras e apresentavam alto volume de repetição. Entre os exemplos estão transferência de informações entre sistemas, preenchimento de documentos, consultas em bases de dados e execução de rotinas administrativas.
Essas aplicações continuam relevantes, mas a chegada de sistemas capazes de interpretar linguagem natural, analisar contexto e utilizar diferentes ferramentas amplia as possibilidades.
Um agente de IA pode, dependendo da configuração e das permissões estabelecidas pela empresa, receber uma demanda, consultar informações, interagir com sistemas corporativos e encaminhar diferentes etapas de uma tarefa.
Essa característica aproxima a inteligência artificial de processos completos, e não apenas de atividades isoladas.
É justamente essa mudança que coloca os agentes no centro das discussões atuais sobre automação empresarial. A questão passa a ser menos sobre como fazer uma máquina executar uma tarefa específica e mais sobre como redesenhar processos para aproveitar sistemas capazes de atuar em diferentes etapas.
Para as empresas, isso pode significar uma transformação na maneira como determinadas operações são organizadas. Em vez de utilizar diversas ferramentas independentes para executar pequenas atividades, a organização pode construir fluxos nos quais diferentes tecnologias trabalham de forma integrada.
A próxima etapa da inteligência artificial corporativa
A popularização da IA generativa fez com que milhões de profissionais passassem a utilizar sistemas capazes de responder perguntas, produzir conteúdos e auxiliar em atividades intelectuais.
Esse primeiro contato ajudou a demonstrar o potencial da tecnologia, mas também revelou limitações.
Gerar uma resposta não significa necessariamente concluir um processo. Uma empresa pode utilizar inteligência artificial para produzir uma análise, por exemplo, mas ainda depender de um profissional para acessar sistemas, verificar informações, realizar alterações e concluir a operação.
Os agentes de IA surgem justamente nesse espaço.
A proposta é utilizar modelos de inteligência artificial combinados a ferramentas, sistemas corporativos e mecanismos de automação para permitir que a tecnologia passe da geração de conteúdo para a execução de ações.
Essa evolução também muda a natureza dos riscos.
Quanto maior a capacidade de um sistema agir de maneira autônoma, maior a necessidade de estabelecer controles sobre o que ele pode acessar, quais decisões pode tomar e em quais situações deve solicitar intervenção humana.
Por isso, a discussão sobre agentes não pode ser separada de temas como segurança e governança.
Governança ganha peso com maior autonomia
A adoção de sistemas mais autônomos exige que as empresas estabeleçam critérios claros para utilização da tecnologia.
Uma das principais questões está relacionada às permissões. Um agente que apenas produz uma recomendação apresenta um nível de risco diferente de outro que pode alterar informações em um sistema, enviar uma comunicação ou iniciar uma operação financeira.
Nesse contexto, as organizações precisam definir níveis de autonomia compatíveis com cada processo.
Também se torna necessário acompanhar as ações executadas pelos sistemas, manter registros e estabelecer mecanismos de supervisão. A capacidade de identificar por que determinada ação foi tomada pode ser importante tanto para a segurança quanto para a gestão operacional.
A conferência da AutomationEdge ocorre justamente em um momento em que esses temas deixam de ser questões exclusivamente técnicas e passam a envolver áreas de negócios, tecnologia, compliance e gestão.
Quanto mais a inteligência artificial estiver integrada à operação, maior será a necessidade de alinhamento entre essas áreas.
Empresas buscam produtividade com mais controle
O avanço da IA ocorre em um ambiente de forte pressão por produtividade.
Empresas de diferentes setores procuram reduzir custos, acelerar processos e ampliar a capacidade de suas equipes. Ao mesmo tempo, existe uma preocupação crescente com investimentos em tecnologia que não gerem retorno operacional mensurável.
Por isso, a discussão sobre agentes de IA tende a se concentrar cada vez mais em aplicações práticas.
Em vez de simplesmente perguntar quais ferramentas de inteligência artificial uma organização possui, executivos precisam avaliar quais processos foram transformados e quais resultados foram obtidos.
A questão também envolve identificar atividades nas quais a autonomia de um sistema realmente pode gerar ganhos.
Nem todo processo precisa ser totalmente automatizado. Em determinadas situações, a tecnologia pode assumir apenas etapas específicas, enquanto decisões mais sensíveis permanecem sob responsabilidade humana.
Esse modelo híbrido pode permitir que empresas avancem na automação sem abrir mão de mecanismos de controle.
Cases mostram aplicações reais
Um dos destaques da AutomationEdge User Conference 2026 será justamente a apresentação de experiências de empresas que já utilizam automação e inteligência artificial em processos reais.
A programação também contará com demonstrações das novas capacidades de Agentic AI, permitindo aos participantes conhecer aplicações que combinam inteligência artificial e automação.
Outro momento previsto é a batalha de cases. Clientes da empresa apresentarão projetos desenvolvidos com RPA e inteligência artificial, que serão avaliados pelo público e por especialistas.
A iniciativa busca aproximar a discussão tecnológica de situações concretas enfrentadas pelas organizações.
Essa abordagem é relevante porque a maturidade em inteligência artificial não depende apenas da disponibilidade de ferramentas. Também envolve capacidade de identificar problemas, redesenhar processos, integrar sistemas e estabelecer métricas para avaliar os resultados.
RPA e IA caminham para uma integração maior
A combinação entre RPA e inteligência artificial representa uma das principais características da nova etapa da automação.
O RPA tradicional é especialmente eficiente em tarefas estruturadas e baseadas em regras. A inteligência artificial, por outro lado, amplia a capacidade de lidar com informações não estruturadas, linguagem natural e situações que exigem interpretação.
Quando essas tecnologias são integradas, processos mais complexos podem ser automatizados.
Um fluxo pode começar com a interpretação de uma solicitação feita em linguagem natural, seguir para a consulta de diferentes fontes de informação e terminar com a execução de uma ação em sistemas corporativos.
Essa integração também pode reduzir a necessidade de transferências manuais entre diferentes ferramentas.
Para as empresas, o desafio passa a ser construir uma arquitetura capaz de conectar essas tecnologias sem criar novos pontos de complexidade.
O papel das pessoas também muda
A evolução da automação não significa necessariamente que todas as atividades realizadas por profissionais serão substituídas por sistemas.
Em muitos casos, a tendência é de mudança na natureza do trabalho.
Atividades repetitivas podem ser delegadas à automação, enquanto os profissionais passam a concentrar mais tempo em análise, relacionamento, planejamento, criatividade e tomada de decisões.
Esse processo exige capacitação.
Profissionais precisam compreender não apenas como utilizar ferramentas de inteligência artificial, mas também como avaliar resultados, identificar erros, supervisionar sistemas e utilizar os recursos tecnológicos dentro dos objetivos da organização.
Para as empresas, isso significa que a transformação digital envolve pessoas tanto quanto tecnologia.
Uma solução tecnicamente avançada pode apresentar resultados limitados se os usuários não souberem incorporá-la aos processos ou se a organização não estabelecer responsabilidades claras.
Segurança acompanha o avanço da autonomia
A ampliação da autonomia dos sistemas também aumenta a importância da segurança.
Agentes integrados a sistemas corporativos podem ter acesso a informações sensíveis e executar ações que afetam diretamente operações. Por isso, controles de acesso, autenticação, monitoramento e políticas de utilização tornam-se elementos fundamentais.
As empresas também precisam considerar o risco de respostas incorretas ou decisões inadequadas tomadas por sistemas de IA.
A supervisão humana pode continuar sendo necessária em processos que envolvem informações confidenciais, decisões financeiras, questões regulatórias ou impactos relevantes para clientes e colaboradores.
O avanço dos agentes, portanto, não elimina a necessidade de pessoas. Em muitos cenários, ele aumenta a importância de profissionais responsáveis por estabelecer regras, monitorar resultados e intervir quando necessário.
Evento discute futuro da automação corporativa
A AutomationEdge User Conference 2026 acontece em um momento de transição no mercado de inteligência artificial. A tecnologia já ultrapassou a fase em que era vista apenas como novidade e começa a ser incorporada a processos empresariais mais estruturados.
Nesse cenário, agentes inteligentes representam uma nova etapa.
A possibilidade de combinar interpretação de informações, inteligência artificial, automação e integração de sistemas cria oportunidades para redesenhar operações inteiras.
Mas o potencial tecnológico também vem acompanhado de desafios. Empresas precisam avaliar quais processos devem ser automatizados, quais níveis de autonomia são aceitáveis, como medir resultados e quais controles devem ser implementados.
A conferência pretende reunir diferentes perspectivas para discutir justamente essa transformação.
Ao apresentar cases, demonstrações e debates técnicos, o evento busca mostrar como organizações estão passando da experimentação para aplicações mais estruturadas.
A mudança mais importante talvez esteja na própria pergunta que as empresas fazem sobre inteligência artificial.
Em vez de questionar apenas o que uma ferramenta é capaz de produzir, começa a ganhar força uma questão mais estratégica: quais processos podem ser transformados quando a inteligência artificial deixa de apenas responder e passa a executar?
Essa mudança de perspectiva pode definir a próxima geração da automação empresarial.
Serviço
A AutomationEdge User Conference 2026 – Brazil Edition será realizada em 19 de agosto de 2026, das 8h às 17h30, no Desk Manager Experience, localizado na Rua Fidêncio Ramos, 302, em São Paulo (SP).
As inscrições estão disponíveis pela plataforma Sympla.
Sobre a AutomationEdge
A AutomationEdge é fornecedora de soluções de hyperautomação, Robotic Process Automation e IT Automation. A empresa oferece recursos voltados à automação empresarial, reunindo tecnologias como inteligência artificial, machine learning, chatbot, ETL, integrações por API e automação de TI.




