Evento acontece em setembro, em São Paulo, com transmissão global e debate sobre IA, processos, liderança, agentes autônomos e transformação dos modelos de negócios
Executivos de grandes empresas e especialistas em gestão e transformação digital vão se reunir em São Paulo, em setembro, para discutir como a inteligência artificial pode ser incorporada às organizações sem perder de vista eficiência, geração de valor e desenvolvimento das pessoas. O Lean AI Summit 2026 acontece no dia 24 de setembro, das 8h30 às 18h, no Cubo Itaú, com participação presencial e transmissão online global.
O evento é resultado de uma parceria entre o Lean Institute Brasil (LIB), referência nacional em transformação lean, e a CI&T, empresa brasileira de transformação digital com atuação internacional. O encontro conta ainda com o apoio do Cubo Itaú, que receberá a edição presencial na capital paulista.
A proposta do summit é discutir a combinação entre inteligência artificial e o sistema lean, modelo de gestão originário do método Toyota, em um momento no qual empresas de diferentes setores aceleram investimentos em IA e buscam transformar a tecnologia em resultados concretos.
Entre as empresas que terão casos apresentados durante a programação estão Embraer, Intel, Itaú, Bradesco, Hospital Albert Einstein, Johnson & Johnson, Mercado Livre, Porto Bank, CI&T e BRQ.
O encontro também contará com Nigel Dalton, presidente da Lean Enterprise Austrália e considerado um dos principais especialistas em lean e ágil na Oceania. A programação terá ainda participações de Robson Gouveia, diretor do Lean Institute Brasil, e Ricardo Oréfice, ombudsman do Itaú.
IA precisa estar conectada à gestão
A discussão central do evento parte de uma questão que ganhou importância com a expansão acelerada da inteligência artificial no ambiente corporativo: implementar tecnologia não significa necessariamente melhorar processos.
Para os organizadores, antes de automatizar atividades ou incorporar algoritmos aos fluxos de trabalho, as empresas precisam compreender como seus processos funcionam, quais problemas devem ser solucionados e onde a tecnologia efetivamente pode gerar valor.
Erasto Meneses, head de Lean Digital & Financial Services do Lean Institute Brasil e organizador do encontro, afirma que a gestão lean pode exercer justamente esse papel ao orientar a transformação digital.
“A gestão lean garante um ‘redesign’ estratégico dos fluxos de dados, assegurando que os processos fiquem simplificados e os sistemas de gestão sejam melhor estruturados antes da digitalização. Isso norteia a reconfiguração dos modelos operacionais e direciona os investimentos em IA de maneira robusta, sustentável e estritamente conectados à geração de valor para o cliente final”, resumiu Meneses.
A preocupação ganha relevância diante da velocidade com que novas ferramentas de IA chegam ao mercado. Empresas passaram a ter acesso a modelos capazes de gerar textos, analisar dados, desenvolver códigos, automatizar atendimento e executar tarefas de maneira cada vez mais autônoma.
O desafio para os gestores passa a ser menos a possibilidade tecnológica e mais a definição de onde, quando e como essas ferramentas devem ser utilizadas.
Nove sessões para discutir transformação digital
O Lean AI Summit terá nove sessões ao longo de um único dia. A programação foi estruturada para abordar a transformação digital a partir de três dimensões principais: estratégia, operação e cultura organizacional.
Entre os temas previstos está o desenvolvimento de uma estratégia de chamada “IA lean”, conceito que busca combinar os princípios da gestão lean com as possibilidades oferecidas pelos sistemas de inteligência artificial.
A discussão também deverá abordar a reestruturação de modelos de negócios e a identificação de novas formas de gerar valor para os consumidores.
Outro eixo da programação será o uso de agentes autônomos e sintéticos para ampliar operações inteligentes. A aplicação desses recursos pode alcançar diferentes etapas das organizações, incluindo desenvolvimento de produtos, gestão de fluxos de valor e experiência do cliente.
A proposta, segundo os organizadores, é evitar uma abordagem exclusivamente tecnológica.
A transformação precisa considerar o desenho dos processos e os impactos sobre as equipes, além de mecanismos de governança capazes de acompanhar o uso dos sistemas de IA.
“Paralelamente, o fator humano e a governança serão debatidos sob a ótica da liderança lean e do conceito de ‘pessoas lean’, discutindo a quebra de paradigmas culturais, a gestão de equipes em ambientes hiperautomatizados e os impactos estruturais que envolvem o lado humano da mudança tecnológica”, resumiu Erasto Meneses.
O evento é direcionado principalmente a executivos C-level, diretores de tecnologia e profissionais responsáveis por transformação digital e mudanças organizacionais.
Antes, durante e depois da IA
Uma das abordagens apresentadas pelo Lean Institute Brasil é a ideia de que a mentalidade lean precisa acompanhar a implementação tecnológica em diferentes momentos.
Christopher Thompson, diretor do LIB e especialista em transformação digital sob a ótica lean, defende que a tecnologia deve ser tratada como instrumento para alcançar objetivos de negócio, e não como finalidade isolada.
“A jornada de implementação digital rumo à eficiência exige uma mentalidade lean em três ‘tempos’ bem definidos: antes, desenhando a arquitetura de gestão e preparando os processos; durante, garantindo que o desenvolvimento dos algoritmos seja guiado pelo valor real gerado ao cliente; e depois, estabelecendo uma rotina de melhoria contínua para monitorar e se adaptar às mudanças do mercado”, resumiu.
A lógica muda a forma de avaliar projetos de inteligência artificial.
Em vez de medir apenas a capacidade técnica de um algoritmo ou o volume de tarefas automatizadas, a empresa passa a observar se a tecnologia eliminou desperdícios, reduziu etapas desnecessárias, melhorou a experiência do consumidor ou aumentou a eficiência da operação.
Esse olhar também permite identificar situações em que automatizar um processo ruim pode simplesmente acelerar um problema existente.
Por isso, a preparação dos fluxos e da estrutura de gestão aparece como uma das etapas centrais da proposta do summit.
Grandes empresas apresentam casos reais
A programação terá como um de seus diferenciais a apresentação de casos de transformação digital realizados por empresas de diferentes setores.
Embraer, Intel, Itaú, Bradesco, Hospital Albert Einstein, Johnson & Johnson, Mercado Livre e Porto Bank estão entre as organizações citadas pelos organizadores.
A diversidade dos participantes permite abordar aplicações de tecnologia em contextos distintos, desde indústria e serviços financeiros até saúde, varejo e comércio digital.
A ideia é mostrar como conceitos de gestão e transformação digital podem ser aplicados em operações com diferentes níveis de complexidade.
Ao apresentar experiências concretas, o evento busca também aproximar a discussão sobre IA da realidade dos executivos responsáveis pela implementação de mudanças dentro das organizações.
O fator humano entra no centro da discussão
A expansão da inteligência artificial também modifica o papel dos profissionais e das lideranças.
A automação de tarefas pode alterar responsabilidades, exigir novas competências e modificar a forma como equipes são organizadas.
Por isso, a discussão sobre “pessoas lean” terá espaço na programação.
O objetivo é avaliar como as empresas podem conduzir transformações tecnológicas sem tratar o componente humano como uma etapa secundária.
Mudanças na tecnologia podem exigir mudanças culturais. Equipes precisam compreender novos processos, lideranças precisam redefinir responsabilidades e organizações precisam criar mecanismos de acompanhamento dos resultados.
A governança também ganha importância nesse contexto.
À medida que sistemas de IA passam a participar de decisões e executar atividades de maneira autônoma, cresce a necessidade de estabelecer critérios sobre responsabilidades, acompanhamento, segurança e melhoria contínua.
A perspectiva apresentada pelos organizadores é que a transformação digital sustentável precisa combinar tecnologia, processos e pessoas.
Nigel Dalton traz visão internacional
Um dos nomes internacionais confirmados para o Lean AI Summit 2026 é Nigel Dalton, presidente da Lean Enterprise Austrália.
Reconhecido por sua atuação nos campos de lean e ágil, Dalton participará das discussões sobre a relação entre algoritmos, gestão e pessoas.
Sua presença amplia a dimensão internacional do encontro e conecta a discussão brasileira a debates que vêm ocorrendo em outros mercados sobre o impacto da inteligência artificial nas organizações.
A programação também terá sessões em português e inglês, com tradução simultânea, permitindo a participação de profissionais de diferentes países durante a transmissão online.
Parceria busca aproximar gestão e tecnologia
Para o Lean Institute Brasil, a realização do summit representa também uma oportunidade de aproximar dois universos que muitas vezes são discutidos separadamente: gestão e tecnologia.
Flávio Battaglia, presidente do LIB, destaca que a parceria entre as instituições envolvidas combina competências diferentes em torno da discussão sobre o futuro das organizações.
“A concretização desse debate só é possível graças à sinergia dessa parceria inédita: a experiência em gestão lean do LIB aliada à capacidade de execução tecnológica e escala global da CI&T e ao empreendedorismo do Cubo Itaú, catalisador dessas transformações”, disse o executivo.
A CI&T atua na transformação digital de empresas e possui presença internacional. O Lean Institute Brasil, por sua vez, trabalha com a disseminação dos princípios da gestão lean e transformação organizacional.
O Cubo Itaú entra como espaço de conexão com o ecossistema de empreendedorismo e tecnologia.
A combinação dessas três frentes coloca o evento em uma posição voltada tanto à discussão conceitual quanto à apresentação de aplicações práticas.
Tecnologia como meio para gerar valor
A discussão proposta pelo Lean AI Summit ocorre em um momento em que a inteligência artificial deixou de ser apenas uma tendência observada por departamentos de inovação e passou a integrar estratégias de empresas de diferentes setores.
A tecnologia pode automatizar atividades, apoiar decisões, analisar grandes volumes de dados e criar novas possibilidades de interação com clientes.
Mas os ganhos dependem da forma como essas ferramentas são incorporadas à operação.
Uma empresa que utiliza IA sem compreender seus fluxos pode automatizar tarefas que não geram valor ou criar novas camadas de complexidade.
A gestão lean propõe justamente uma análise contínua dos processos para identificar desperdícios e melhorar a entrega de valor.
A aproximação entre os dois conceitos é o ponto central do encontro.
Para os organizadores, a questão não é escolher entre lean ou inteligência artificial, mas utilizar princípios de gestão para orientar onde a tecnologia pode produzir melhores resultados.
Nesse sentido, a inteligência artificial passa a ser inserida em uma jornada mais ampla de transformação.
Primeiro, a empresa precisa compreender o problema. Depois, pode avaliar qual tecnologia é adequada para solucioná-lo. Após a implementação, deve medir os resultados e ajustar continuamente o processo.
É essa combinação entre tecnologia, gestão e melhoria contínua que estará no centro das discussões do Lean AI Summit 2026.
Serviço
Evento: Lean AI Summit 2026
Data: 24 de setembro de 2026
Horário: das 8h30 às 18h
Local: Cubo Itaú, Alameda Vicente Pinzon, 54, Vila Olímpia, São Paulo (SP)
Formato: presencial, com transmissão internacional online simultânea
Idiomas: português e inglês, com tradução simultânea
Público: executivos C-level, diretores de tecnologia e profissionais de transformação digital
Mais informações: Lean AI Summit 2026




