IT Forum Praia do Forte 2026 mostra por que a orquestração virou desafio estratégico para a tecnologia

O IT Forum Praia do Forte 2026 reuniu 160 CIOs de algumas das principais empresas do Brasil para discutir como pessoas, tecnologias e organizações podem atuar de maneira coordenada em um ambiente cada vez mais marcado pela inteligência artificial, novos modelos de negócios e integração de sistemas. Encerrado no domingo (23), na Bahia, o encontro promoveu mais de 2.300 conversas de negócios e colocou a chamada orquestração no centro dos debates sobre o futuro da transformação digital.

A discussão parte de uma mudança na própria forma de enxergar a tecnologia dentro das empresas. Se durante anos a transformação digital esteve associada principalmente à adoção de ferramentas e sistemas, o cenário atual exige uma visão mais ampla. A capacidade de conectar diferentes tecnologias, competências, empresas e pessoas passou a ser acompanhada pela necessidade de coordenar essas relações para que elas efetivamente produzam resultados.

“Durante muito tempo, falar em transformação significava pensar em como uma empresa poderia usar melhor a tecnologia. Hoje, a questão é mais ampla: como fazemos diferentes tecnologias, pessoas e organizações trabalharem juntas para produzir um resultado que nenhuma delas conseguiria alcançar sozinha? É aí que entra a orquestração. Conectar é o primeiro passo; orquestrar é fazer essa conexão gerar valor”, afirma Adelson de Sousa, presidente e fundador do ecossistema Itaqui.

Da conexão à orquestração

A presença crescente da inteligência artificial nas organizações ajuda a explicar por que o conceito de orquestração ganhou relevância. Com sistemas capazes de executar tarefas, analisar informações e interagir com outros recursos tecnológicos, as empresas passam a lidar com um número maior de elementos dentro de suas operações.

Nesse cenário, simplesmente conectar ferramentas deixa de ser suficiente. É preciso definir como elas irão interagir, quais informações serão compartilhadas, quais decisões continuarão sob responsabilidade humana e como diferentes áreas poderão trabalhar em torno de objetivos comuns.

A mudança também altera o papel das áreas de tecnologia. Em vez de atuar apenas como responsáveis pela infraestrutura e implementação de sistemas, os profissionais de TI passam a participar diretamente da construção de modelos operacionais e estratégias de negócios.

A discussão esteve presente nas plenárias do IT Forum Praia do Forte e também nas mais de 2.300 conversas de negócios realizadas durante o encontro. A programação mostrou que a transformação digital está avançando para uma etapa em que integração, colaboração e capacidade de coordenação se tornam tão importantes quanto a própria tecnologia.

Um exemplo apresentado durante o evento foi o trabalho da Lecom. A empresa, que atua com automação de processos, voltou a participar do IT Forum Praia do Forte após alguns anos. Para Tiago Amor, CEO da companhia, a evolução tecnológica está diretamente relacionada à capacidade de integrar diferentes elementos dentro de uma mesma jornada.

“No fim, a tecnologia é feita de pessoas”, resume o executivo.

Automação exige integração entre diferentes agentes

A experiência da Lecom em projetos de grande escala demonstra como a integração pode ampliar a capacidade de entrega de serviços. No GOV.BR, a solução desenvolvida pela empresa contribuiu para a digitalização de aproximadamente 900 serviços, envolvendo quase 80 órgãos federais.

O caso evidencia uma característica cada vez mais comum nos grandes projetos de transformação digital: a necessidade de coordenar estruturas que possuem diferentes processos, sistemas, equipes e objetivos.

Quando a tecnologia é utilizada isoladamente, os ganhos tendem a ficar restritos a determinados departamentos. Quando diferentes estruturas passam a compartilhar informações e trabalhar dentro de um mesmo fluxo, a transformação pode alcançar toda a jornada do usuário.

Essa mudança também ajuda a explicar a importância crescente das plataformas capazes de integrar sistemas e automatizar processos. O desafio deixa de ser apenas digitalizar uma tarefa e passa a ser compreender como aquela tarefa se relaciona com as demais etapas da operação.

Em um ambiente empresarial no qual inteligência artificial, automação e dados ganham espaço simultaneamente, essa visão integrada tende a ser ainda mais importante.

O fator humano continua no centro

Apesar do avanço tecnológico, o IT Forum Praia do Forte 2026 reforçou que a construção de ecossistemas depende das pessoas. A tecnologia pode criar conexões, automatizar tarefas e aproximar informações, mas são os profissionais que estabelecem relações, interpretam necessidades e transformam oportunidades em projetos.

Para Artur Negrão, CEO e cofundador da Salvy, que participou pela primeira vez do encontro, a experiência proporcionou contato com diferentes perfis profissionais e abriu possibilidades para novos negócios.

“O evento abre portas para oportunidades que começam a ser construídas a partir das conexões que fazemos aqui. Muitas delas vão continuar, seja em novas parcerias, projetos ou negócios”, afirma.

A percepção reforça uma característica importante dos eventos presenciais voltados ao mercado corporativo: o networking não termina quando as atividades são encerradas. As conversas iniciadas durante um encontro podem evoluir posteriormente para parcerias, projetos, contratos e trocas de conhecimento.

Nesse sentido, a conexão entre executivos funciona como uma espécie de infraestrutura invisível dos ecossistemas empresariais. Quanto mais diversificadas são as experiências reunidas, maior pode ser o potencial para identificar problemas comuns e desenvolver soluções conjuntas.

Networking ganha papel estratégico

A capacidade de aproximar pessoas também foi destacada por André Cavalli, CEO do IT Forum Praia do Forte. Para ele, o contato presencial permite uma qualidade de interação que dificilmente é reproduzida integralmente por outros formatos.

“Essa é uma das grandes forças da comunidade IT Forum: colocar as pessoas frente a frente. O olho no olho, a conversa sem intermediários e a possibilidade de trocar experiências de forma aberta criam conexões que dificilmente acontecem da mesma maneira em outros ambientes”, complementa Cavalli.

As agendas de negócios foram outro componente importante da programação. Empresas participantes tiveram a oportunidade de apresentar soluções diretamente a CIOs e outros executivos, em reuniões estruturadas a partir de necessidades previamente identificadas.

Cleo Paula, CEO e cofundadora da Liax, consultoria de TI com 15 anos de mercado, participou pela primeira vez do IT Forum e destacou justamente o trabalho de preparação realizado antes das reuniões.

“Com os levantamentos das dores dos possíveis clientes em mãos, conseguimos ir direto ao ponto em reuniões rápidas e altamente assertivas”, relata.

O modelo mostra que o networking corporativo vem se afastando de uma lógica baseada apenas na quantidade de contatos. A tendência é valorizar cada vez mais a qualidade das conexões e a capacidade de aproximar empresas que tenham problemas, competências ou objetivos complementares.

Liderança passa a atuar como articuladora

A discussão sobre orquestração também chegou à liderança. Se as empresas estão trabalhando com mais tecnologias, parceiros, agentes e estruturas conectadas, o papel do executivo responsável por conduzir essas organizações também precisa mudar.

Essa foi uma das provocações apresentadas por Neil Redding, principal palestrante da edição. O chamado near futurist defendeu que a liderança tende a estar cada vez menos relacionada ao comando direto e mais à capacidade de criar condições para que diferentes agentes trabalhem de maneira coordenada.

Nesse modelo, liderar significa orquestrar competências, estimular colaboração e direcionar esforços para objetivos comuns.

A ideia representa uma mudança significativa em relação ao modelo tradicional de liderança, no qual o executivo concentra decisões e supervisiona diretamente a execução. Em organizações mais complexas, esse tipo de centralização pode se tornar um obstáculo.

A crescente utilização de inteligência artificial reforça essa transformação. À medida que sistemas assumem determinadas atividades e diferentes áreas passam a interagir por meio de plataformas digitais, o líder precisa compreender não apenas o desempenho individual de cada equipe, mas também a relação entre as partes.

A orquestração, portanto, deixa de ser exclusivamente uma questão tecnológica. Ela passa a representar uma competência organizacional.

Tecnologia precisa gerar valor

A discussão apresentada no IT Forum Praia do Forte também aponta para uma questão recorrente na transformação digital: adotar tecnologia não significa, automaticamente, gerar inovação.

Uma empresa pode incorporar sistemas avançados, inteligência artificial e ferramentas de automação e, ainda assim, não conseguir produzir resultados relevantes se os processos continuarem fragmentados ou se as pessoas não estiverem preparadas para trabalhar dentro da nova estrutura.

Por isso, conectar diferentes elementos é apenas o início. A etapa seguinte é definir como essas conexões serão utilizadas para melhorar processos, criar novos negócios, atender clientes e ampliar a eficiência.

Essa lógica ajuda a explicar a passagem do conceito de conexão para o de orquestração discutido durante o encontro.

Conectar permite que diferentes elementos estejam ligados. Orquestrar significa definir como eles irão trabalhar juntos.

Formação de talentos amplia o ecossistema

A preocupação com o futuro da tecnologia também apareceu na relação entre empresas e novos profissionais. Durante o IT Forum Praia do Forte 2026, companhias participantes ofereceram 302 oportunidades de estágio a estudantes da SPTech.

Somadas às vagas disponibilizadas durante a edição do IT Forum Trancoso, realizada em abril, as iniciativas chegaram a 631 oportunidades criadas em 2026. O número supera em 131 vagas a meta inicialmente estabelecida, de 500 oportunidades.

A iniciativa amplia o conceito de ecossistema para além das empresas que já atuam no mercado. A formação de novos talentos passa a ser considerada parte da construção de uma cadeia tecnológica sustentável.

“Quando aproximamos estudantes das empresas e das lideranças que estão construindo o futuro da tecnologia, criamos uma aproximação que pode transformar trajetórias. A formação de novos talentos é parte essencial de um ecossistema saudável, porque não basta aproximar quem já está no mercado: também precisamos criar caminhos para quem vai construir os próximos capítulos dessa história”, afirma Gabriela Vicari, CEO do Instituto Itaqui.

A aproximação entre estudantes e empresas também pode ajudar a reduzir um dos desafios históricos do setor de tecnologia: a distância entre a formação profissional e as competências demandadas pelo mercado.

Ecossistemas precisam transformar conexões em resultados

A edição de 2026 do IT Forum Praia do Forte deixa como principal reflexão a necessidade de transformar conexões em resultados concretos.

A presença de 160 CIOs, as mais de 2.300 conversas de negócios e as oportunidades destinadas a estudantes mostram que o encontro foi estruturado em diferentes níveis de relacionamento. De um lado, executivos discutiram estratégias para lidar com inteligência artificial, automação e transformação digital. De outro, empresas buscaram oportunidades de negócios e estudantes tiveram contato com organizações que podem representar seus próximos passos profissionais.

A mesma lógica aparece nos projetos de transformação digital apresentados durante o evento. Quanto maior a complexidade das operações, maior a necessidade de integrar pessoas, sistemas e competências.

Para Marcelo Ortega, CIO da Motz, o encontro foi “um encontro completo tanto de atualizações como dos principais players de mercado no nosso segmento de tecnologia”.

Raquel Pitella, da ArcelorMittal, também destacou a abrangência da iniciativa. “É um evento bastante abrangente, bastante poderoso”, finaliza.

As avaliações ajudam a sintetizar o papel que encontros desse tipo procuram desempenhar no mercado. Mais do que apresentar tecnologias, o objetivo é criar um ambiente em que conhecimento, relacionamento e negócios possam se encontrar.

Nesse contexto, a orquestração surge como uma evolução natural da própria transformação digital. Em uma economia na qual empresas dependem cada vez mais de parceiros, plataformas, dados, inteligência artificial e profissionais especializados, nenhuma organização consegue atuar de maneira completamente isolada.

A vantagem competitiva pode estar justamente na capacidade de fazer diferentes partes trabalharem juntas.

É essa passagem, da conexão para a coordenação, que ajuda a definir uma nova etapa da transformação digital. O desafio não é apenas colocar tecnologias lado a lado, mas fazer com que pessoas, empresas e sistemas atuem em torno de objetivos compartilhados.

Sobre o IT Forum

O IT Forum é um ecossistema de tecnologia B2B focado em mídia, dados e eventos no Brasil, com atuação voltada à conexão do setor de TI por meio de conteúdo, relacionamento e negócios.

Fazem parte do hub eventos como o IT Forum Trancoso, o IT Forum Praia do Forte e o IT Forum Na Mata, que reúnem CIOs de grandes empresas brasileiras e CEOs da indústria de tecnologia.

O ecossistema também atua com pesquisas e iniciativas voltadas ao mercado de TI, entre elas o estudo “Antes da TI, a Estratégia”, desenvolvido pelo IT Forum Inteligência, além das premiações “As 100+ Inovadoras no Uso de TI” e “Executivo de TI do Ano”.

A organização também promove o IT Forum Mulheres e listas de profissionais de destaque nas áreas de TI, marketing e recursos humanos.

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