Agentes de IA deixam o chat e passam a executar tarefas na gestão de contratos

José Manuel Jiménez, CEO da Webdox
José Manuel Jiménez, CEO da Webdox | Foto: Divulgação

Pedir a um sistema que encontre todos os contratos que vencem no próximo mês, revise uma minuta ou abra a solicitação de um novo acordo, sem preencher formulário nem navegar por menus. É essa a proposta do Brain, ferramenta de inteligência artificial que a Webdox, empresa de software para gestão de contratos, passou a oferecer aos clientes de sua plataforma.

O lançamento ilustra uma mudança que vem ganhando corpo no mercado de tecnologia corporativa: a IA deixa de ser apenas uma interface para tirar dúvidas e passa a agir dentro dos sistemas da empresa, no que o setor tem chamado de agentes de IA.

O que o Brain faz na prática

O funcionamento é por conversa. O usuário escreve o pedido como falaria com um colega, e o agente executa a tarefa na própria plataforma da Webdox. Entre as atividades previstas estão:

  • revisar e redigir contratos;
  • abrir pedidos de novos contratos;
  • responder perguntas sobre documentos e processos já cadastrados;
  • listar contratos perto do vencimento;
  • mostrar pendências que estouraram o prazo combinado de atendimento (SLA);
  • indicar processos que estão parados à espera de uma ação do usuário.

Para o CEO da Webdox, José Manuel Jiménez, o ganho está menos na tecnologia em si e mais no tempo devolvido às equipes, que hoje gastam parte do dia procurando informação e alternando entre sistemas em vez de tomar decisões.

Por que o contexto faz diferença

A empresa já aplicava IA desde 2023 para consultar, analisar e extrair dados de contratos. A novidade é que o agente agora executa parte do trabalho, dentro de um modelo que a Webdox batizou de CLM agêntico. CLM é a sigla em inglês para gestão do ciclo de vida de contratos, que vai da elaboração à assinatura e ao acompanhamento depois de fechado o acordo.

O argumento da companhia é que ler bem um documento não basta para um agente agir com segurança. Ele precisa saber quais contratos estão em vigor, como se relacionam entre si e em que etapa do processo interno cada um se encontra.

“Para que um agente de inteligência artificial possa atuar dentro de uma empresa, não basta que ele entenda um documento”, resume Jiménez.

Onde a máquina para

A autonomia do Brain tem limites definidos. Antes de criar um processo, o agente reúne os dados, mostra ao usuário o que vai ser feito e só segue depois da confirmação. Aprovar, recusar ou assinar contratos continua fora do seu alcance, assim como avançar etapas de aprovação sozinho.

Segundo Jiménez, manter uma pessoa no circuito é uma escolha de governança, e não uma restrição da tecnologia. A ideia da empresa é ampliar a autonomia aos poucos, começando pelas tarefas operacionais e respeitando as regras de cada cliente, enquanto decisões que envolvem responsabilidade seguem com as pessoas. A Webdox tem certificação ISO/IEC 42001, padrão internacional voltado à gestão de sistemas de inteligência artificial.

O que muda para jurídico e compras

Contratos costumam ficar espalhados entre e-mails, pastas e sistemas diferentes, e prazos de renovação ou multas por atraso passam despercebidos com frequência. Ferramentas que localizam esses documentos e avisam sobre vencimentos atacam um problema conhecido de departamentos jurídicos, de compras e financeiros, sobretudo em empresas com grande volume de acordos com fornecedores e clientes.

A trava de confirmação humana responde a outra preocupação comum: a de que a automação tome decisões com impacto jurídico sem que ninguém revise. No modelo apresentado, o agente prepara o trabalho, e a palavra final continua com o profissional.

Agentes de IA no radar das empresas

O Papo de Empresa tem acompanhado essa virada da IA que produz textos para a IA que executa tarefas. O assunto dominou a AutomationEdge User Conference, e o programador Fábio Akita aposta no surgimento do orquestrador de agentes de IA como nova profissão na área de tecnologia.

Sobre a Webdox

Criada em 2014, a Webdox desenvolve software como serviço para gestão de contratos, cobrindo criação, negociação, assinatura e acompanhamento. A empresa está em 13 países, tem mais de mil clientes corporativos e administra mais de 40 milhões de contratos em sua plataforma.

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