Modelos de multipropriedade e timeshare ganham força entre brasileiros e impulsionam turismo e investimentos imobiliários
O Brasil consolidou sua posição como o segundo maior mercado de propriedades compartilhadas da América Latina, concentrando 20,5% da oferta regional, atrás apenas do México. Os dados foram divulgados em abril de 2026 durante o Share Summit, realizado pela Noctua Advisory em parceria com a RCI, e indicam um cenário de forte expansão, com expectativa de crescimento de cerca de 30% no país ainda este ano.
A pesquisa também revela mudanças no comportamento dos consumidores: clientes que optam por modelos como multipropriedade e timeshare permanecem, em média, 0,7 dia a mais nos destinos em comparação com hóspedes tradicionais. Esse movimento reforça a relevância do setor, que já responde por 11,5% da ocupação total e por 17,7% da demanda em 133 empreendimentos analisados.
No cenário global, o segmento movimenta mais de US$ 20 bilhões por ano, consolidando-se como uma alternativa atrativa tanto para lazer quanto para investimento.
Diferenças entre multipropriedade e timeshare
Embora frequentemente associados, os modelos de multipropriedade e timeshare possuem diferenças importantes. Na multipropriedade, o consumidor adquire uma fração real de um imóvel, com registro individualizado em cartório. Já no timeshare, o cliente compra o direito de uso de um hotel ou resort por um período determinado, sem propriedade física do bem.
Ambos os formatos têm atraído famílias brasileiras interessadas em experiências de alto padrão, com maior previsibilidade de custos e acesso a destinos turísticos consolidados.
Região Sul lidera expansão no país
A região Sul desponta como principal polo de crescimento da multipropriedade no Brasil. Segundo levantamento da consultoria Caio Calfat, os estados sulistas concentraram 58,1% do volume de vendas do setor em 2025, somando R$ 24,3 bilhões.
Esse avanço está diretamente ligado ao fortalecimento de destinos turísticos regionais, especialmente aqueles que combinam natureza, entretenimento e infraestrutura para diferentes perfis de público.
Empreendimentos apostam em turismo familiar
Um exemplo desse movimento é o Amazon Parques & Resorts, empreendimento em construção na cidade de Penha. O projeto reflete a tendência de migração de investimentos para destinos com forte apelo familiar e atrações diversificadas.
O município catarinense é conhecido por suas praias e por abrigar o Beto Carrero World, considerado o maior parque temático da América Latina, o que aumenta sua atratividade para turistas e investidores.
No caso do Amazon Parques & Resorts, mais de 50% dos compradores são do estado de São Paulo, seguidos por 16% de Santa Catarina e 12% do Paraná. O empreendimento já comercializou mais de 80% das cotas disponíveis, indicando forte demanda.
Estrutura e operação internacional
Com cerca de 9 mil metros quadrados de área de lazer, o complexo contará com gestão da Wyndham Hotels & Resorts e será afiliado à RCI, permitindo aos proprietários o intercâmbio de hospedagens em mais de 4.200 resorts distribuídos em 110 países.
Segundo Roberto Kwon, CEO do empreendimento, o crescimento do setor reflete uma transformação no perfil do consumidor. “O crescimento da multipropriedade no Brasil reflete uma mudança significativa no comportamento dos consumidores, que buscam cada vez mais soluções flexíveis e acessíveis para suas necessidades de lazer e investimento, sem deixar de lado o alto padrão”, afirma.
Mudança de comportamento impulsiona setor
A expansão da multipropriedade no Brasil está diretamente ligada à busca por experiências mais personalizadas e ao desejo de conciliar lazer com investimento. Em vez de adquirir uma segunda residência tradicional, muitos consumidores optam por cotas que garantem acesso a destinos variados, com menor custo e maior flexibilidade.
Além disso, o modelo permite o compartilhamento de despesas e a utilização de estruturas completas de resort, o que amplia o acesso a experiências antes restritas a um público mais específico.
Perspectivas para 2026
Com expectativa de crescimento de 30% ao longo de 2026, o setor de propriedades compartilhadas deve continuar atraindo investidores e consumidores em busca de alternativas inovadoras no mercado imobiliário e turístico.
A combinação de fatores como expansão do turismo interno, valorização de destinos regionais e maior profissionalização do setor tende a sustentar esse avanço nos próximos anos.
Para especialistas, a consolidação do modelo no Brasil acompanha uma tendência global, na qual flexibilidade, experiência e otimização de recursos se tornam pilares centrais nas decisões de consumo.




