Câncer colorretal pode atingir mais de 53 mil brasileiros por ano até 2028

O Brasil deve registrar cerca de 53.810 novos casos de câncer de cólon e reto por ano no período entre 2026 e 2028. A estimativa é do Instituto Nacional do Câncer e coloca a doença entre os três tipos de câncer mais frequentes no país, desconsiderando os tumores de pele não melanoma.

Do total estimado, são cerca de 26.270 casos entre homens e 27.540 entre mulheres, com risco aproximado de 25 diagnósticos para cada 100 mil habitantes. As regiões Sul e Sudeste concentram as maiores taxas de incidência.

Os dados reforçam o alerta do Março Azul-Marinho, período dedicado à conscientização sobre prevenção e diagnóstico precoce da doença. Especialistas destacam que até 30% dos casos podem ser evitados com mudanças no estilo de vida, especialmente relacionadas à alimentação, prática de atividade física e realização de exames de rastreamento.

Estilo de vida tem impacto direto na prevenção

Hábitos saudáveis desempenham papel fundamental na redução do risco de câncer colorretal. Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente e realizar exames preventivos são medidas consideradas essenciais pelos especialistas.

A Organização Mundial da Saúde recomenda que o consumo de carne vermelha não ultrapasse 500 gramas por semana, o equivalente a porções diárias menores que um bife do tamanho da palma da mão.

Uma dieta rica em fibras, com baixo consumo de alimentos ultraprocessados e ingestão moderada de carne vermelha, contribui diretamente para a proteção do intestino.

De acordo com o oncologista clínico David Pinheiro Cunha, sócio do Grupo SOnHe, um dos fatores associados ao aumento do risco está relacionado ao ferro heme presente na carne vermelha.

“Esse componente pode liberar radicais livres capazes de provocar mutações nas células do intestino. Respeitar o limite recomendado pela OMS já é uma forma eficaz de prevenção, sem que seja necessário adotar medidas radicais”, afirma.

O médico explica ainda que reduzir o consumo de carne vermelha não compromete a ingestão adequada de ferro no organismo.

“Outras fontes de proteína, como carnes brancas e ovos, são suficientes para suprir essa necessidade nutricional”, acrescenta.

Sedentarismo e obesidade aumentam o risco

A prática regular de atividade física também exerce influência direta na prevenção da doença.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que, em 2021, apenas 36,7% dos brasileiros eram considerados fisicamente ativos, ou seja, realizavam ao menos 150 minutos semanais de atividade física.

O sedentarismo e a obesidade estão entre os principais fatores de risco para o câncer colorretal.

“Mesmo em pessoas com predisposição genética, manter alimentação rica em fibras, reduzir o consumo de álcool e carne vermelha e praticar atividade física diariamente diminui significativamente as chances de desenvolver a doença”, alerta David Pinheiro Cunha.

Outro fator importante é a qualidade do sono. Segundo especialistas, o descanso adequado contribui para o equilíbrio hormonal, controle do peso e redução de processos inflamatórios no organismo, fatores que também influenciam na prevenção de diversas doenças.

Colonoscopia é principal exame de rastreamento

Além da adoção de hábitos saudáveis, o rastreamento da doença é considerado uma das principais estratégias para reduzir a mortalidade associada ao câncer colorretal.

A colonoscopia permite identificar e remover pólipos intestinais antes que eles evoluam para um tumor maligno.

No Sistema Único de Saúde, o exame é indicado a partir dos 50 anos. No entanto, diante do aumento de casos em adultos mais jovens, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica recomenda que o rastreamento comece aos 45 anos para pessoas sem histórico genético de alto risco.

“A colonoscopia não é apenas um exame diagnóstico, ela é preventiva. Ao identificar lesões precursoras, conseguimos interromper a evolução para o câncer”, explica o especialista.

Segundo ele, a antecipação da faixa etária é necessária devido ao crescimento de casos em pessoas mais jovens, muitas vezes associado a mudanças no estilo de vida contemporâneo.

“Estamos observando a doença surgir cada vez mais cedo, muito relacionada a hábitos alimentares inadequados, sedentarismo e outros fatores do estilo de vida moderno”, pontua.

Informação e prevenção são as principais estratégias

Diante do cenário apresentado pelo INCA, especialistas reforçam que informação, mudança de hábitos e adesão aos exames preventivos são as estratégias mais eficazes para reduzir o impacto do câncer colorretal no país nos próximos anos.

Campanhas de conscientização, como o Março Azul-Marinho, buscam justamente ampliar o acesso à informação e incentivar a população a adotar hábitos mais saudáveis e realizar exames de rastreamento.

Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de tratamento eficaz e cura.

Sobre o Grupo SOnHe

O Grupo SOnHe é formado por 20 oncologistas e hematologistas que atuam com atendimento oncológico baseado nas mais recentes descobertas científicas, oferecendo tratamento integral, humanizado e multidisciplinar.

O grupo atua em importantes centros de referência em saúde, como o Hospital Vera Cruz, Hospital Santa Tereza, Hospital PUC-Campinas e Vera Cruz Indaiatuba.

A instituição busca oferecer excelência no cuidado oncológico e na produção de conhecimento científico, com uma equipe comprometida com atendimento ético, humano e baseado em evidências.

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