Contratações de profissionais 50+ crescem no Brasil e desafiam o etarismo no mercado de trabalho

Em um país que envelhece rapidamente e ainda convive com fortes barreiras etárias no ambiente corporativo, os profissionais com 50 anos ou mais começam a reconquistar espaço no mercado formal de trabalho. Dados do Ministério do Trabalho apontam que as admissões nessa faixa etária cresceram 8,8% entre 2023 e 2024, o que representa cerca de 700 mil novas contratações em todo o Brasil. O avanço reflete políticas públicas, mudanças culturais e, sobretudo, a percepção crescente das empresas sobre o valor estratégico da experiência.

Apesar do aumento, o caminho para quem ultrapassa os 50 anos ainda é marcado por obstáculos silenciosos, como o etarismo, prática discriminatória baseada na idade. Mesmo com qualificação, histórico profissional sólido e disponibilidade para novos desafios, muitos trabalhadores relatam dificuldades de recolocação. Ainda assim, algumas organizações vêm se destacando ao transformar a diversidade etária em diferencial competitivo, como é o caso da CarpoLog, empresa santista de comércio exterior e logística integrada, que aposta na maturidade profissional para impulsionar resultados.

Experiência como ativo estratégico

A valorização de profissionais mais experientes está diretamente ligada à capacidade de lidar com cenários complexos, pressão e mudanças constantes. Em setores como comércio exterior e logística, onde instabilidades econômicas, variações cambiais e entraves regulatórios fazem parte da rotina, a bagagem profissional se torna um ativo estratégico.

Segundo especialistas em gestão de pessoas, colaboradores 50+ tendem a apresentar maior resiliência emocional, visão sistêmica e habilidade para tomada de decisão, competências desenvolvidas ao longo de décadas de atuação. Esses atributos explicam, em parte, o crescimento das contratações e a mudança gradual de mentalidade no setor privado.

Na CarpoLog, essa percepção se traduz em números. Atualmente, a empresa conta com 178 colaboradores, dos quais 22 têm 50 anos ou mais, o equivalente a 12,35% do quadro funcional. Além disso, seis candidatos dessa faixa etária avançaram recentemente para a etapa de entrevistas em processos seletivos em andamento.

Etarismo ainda é um desafio real

Apesar dos avanços, o preconceito etário segue presente em muitas empresas. A gerente de pessoas e cultura da CarpoLog, Andréa Marçal, de 55 anos, conhece bem essa realidade. Contratada há cerca de 12 meses, ela relata que enfrentou diversas barreiras antes de conseguir se recolocar profissionalmente.

“Sou formada em Pedagogia com especializações em RH e, antes de ingressar na Carpo, participei de outros processos seletivos. Apesar de atender aos requisitos da vaga, percebia que ao descobrirem a minha idade, as mediações eram interrompidas, mesmo eu retomando o contato. Infelizmente, o etarismo existe e muitos negócios estão despreparados”, afirma.

Para Andréa, a resistência em contratar profissionais mais velhos não está relacionada à falta de competência, mas a estereótipos ultrapassados. “Existe a ideia equivocada de que pessoas acima dos 50 anos não acompanham tecnologia ou mudanças. Isso não corresponde à realidade. Muitos de nós buscamos atualização constante justamente para continuar relevantes”, pontua.

Maturidade e propósito no ambiente corporativo

Além da experiência técnica, profissionais 50+ costumam apresentar maior estabilidade emocional e clareza de propósito, fatores que impactam positivamente o clima organizacional. Andréa destaca que, nesta fase da vida, o trabalho ganha um significado ainda mais profundo.

“Trabalho por amor e porque gosto do que faço. Não pretendo parar tão cedo e espero atuar até pouco mais de 60 anos. Depois deixarei espaço para os mais jovens”, diz. Segundo ela, a convivência entre diferentes gerações no ambiente corporativo favorece a troca de conhecimentos e fortalece as equipes.

Estudos recentes na área de recursos humanos indicam que times intergeracionais tendem a ser mais inovadores e produtivos, justamente por combinarem a energia dos mais jovens com a experiência dos mais velhos. Para as empresas, esse equilíbrio pode representar ganhos em performance, engajamento e retenção de talentos.

Visão empresarial: experiência acelera resultados

Na avaliação de José Carlos Priante, sócio-diretor da CarpoLog, a contratação de profissionais mais experientes contribui diretamente para o desenvolvimento sustentável do negócio. “Elas são mais centradas para lidar com as equipes, pois já precisaram se reinventar devido ao enfrentamento de ciclos econômicos diferentes, apagão de mão de obra e tantos outros desafios”, afirma.

Segundo o executivo, no comércio exterior, a maturidade profissional faz diferença no dia a dia. “Para quem trabalha com comércio exterior este é um grande diferencial, porque profissionais capacitados lidam melhor com adversidades. A experiência ajuda a antecipar riscos e a tomar decisões mais assertivas”, avalia.

Priante destaca ainda que a diversidade etária fortalece a cultura organizacional e contribui para a formação de lideranças mais preparadas. “Quando você mistura gerações, cria um ambiente de aprendizado contínuo, no qual todos ganham”, acrescenta.

Mercado de trabalho e envelhecimento da população

O crescimento das contratações de profissionais 50+ também está ligado a mudanças demográficas. O Brasil vive um processo acelerado de envelhecimento da população, com aumento da expectativa de vida e redução das taxas de natalidade. Esse cenário pressiona o mercado de trabalho a se adaptar e repensar práticas de recrutamento.

Com menos jovens ingressando no mercado e maior necessidade de mão de obra qualificada, empresas que insistem em limitar contratações por idade tendem a enfrentar dificuldades para preencher vagas estratégicas. Nesse contexto, iniciativas que promovem a inclusão etária ganham relevância econômica e social.

Além disso, profissionais mais velhos permanecem ativos por mais tempo, seja por necessidade financeira, seja por desejo de continuar produtivos. Para muitos, o trabalho está associado à identidade, à saúde mental e à qualidade de vida.

Oportunidades e inclusão

A CarpoLog mantém processos seletivos abertos e incentiva a candidatura de profissionais experientes. Os interessados podem acessar a página de carreiras da empresa, onde há oportunidades nos setores administrativo e de serviços gerais, além da possibilidade de cadastro no banco de talentos.

A postura da empresa reflete uma tendência que começa a ganhar força no mercado brasileiro: a valorização da diversidade em todas as suas dimensões, incluindo a etária. Para especialistas, iniciativas como essa ajudam a combater o etarismo e a construir ambientes corporativos mais justos e produtivos.

Trajetória e reconhecimento no setor

Consolidada há 20 anos, a CarpoLog é uma empresa de comércio exterior e logística integrada sediada em Santos (SP). Reconhecida no mercado, está entre as cinco empresas brasileiras do setor com alto nível de certificações e conta atualmente com 178 colaboradores.

A companhia presta serviços de transporte aéreo, marítimo e rodoviário, além de consultoria aduaneira, e mantém cerca de 350 clientes ativos. Sua atuação se estende por cinco continentes, apoiada por uma rede parceira com mais de 150 agentes internacionais.

Entre as certificações de destaque estão os selos OEA (Operador Econômico Autorizado), SASSMAQ (Sistema de Avaliação de Saúde, Segurança, Meio Ambiente e Qualidade), ISO 9001 e GPTW (Great Place to Work), que reforçam o compromisso com qualidade, segurança e gestão de pessoas.

Um caminho sem volta

O crescimento das contratações de profissionais 50+ indica uma mudança gradual, porém consistente, no mercado de trabalho brasileiro. Embora o etarismo ainda seja um desafio, exemplos como o da CarpoLog mostram que a experiência pode ser um diferencial competitivo e não um obstáculo.

À medida que empresas reconhecem o valor da maturidade profissional, o mercado tende a se tornar mais inclusivo e eficiente. Para os trabalhadores, a mensagem é clara: a carreira não precisa terminar aos 50 anos. Para as organizações, o recado é estratégico: ignorar a experiência pode custar caro em um cenário cada vez mais complexo e competitivo.

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