Alta nos custos com cloud expõe falhas estruturais e exige visão estratégica na gestão de tecnologia
O avanço acelerado da inteligência artificial generativa e das soluções baseadas em dados colocou as empresas diante de um novo desafio em 2026: o desperdício bilionário de recursos em nuvem. De acordo com o relatório State of the Cloud 2026, da Flexera, o índice de ineficiência nos gastos com cloud atingiu 29%, revertendo uma tendência de melhora observada nos últimos anos e acendendo um alerta no mercado global.
Esse cenário ganha proporções ainda mais preocupantes quando se considera o tamanho do setor. A previsão é de que o mercado global de nuvem pública movimente cerca de US$ 905 bilhões em 2026, o que significa que mais de US$ 262 bilhões podem ser desperdiçados devido a falhas técnicas e má gestão de infraestrutura. O número evidencia uma fragilidade estrutural na forma como as empresas têm conduzido sua transformação digital.
Crescimento acelerado expõe fragilidades
Nos últimos anos, a corrida pela adoção de tecnologias como inteligência artificial e Big Data levou muitas empresas a priorizarem velocidade em detrimento da estrutura. O resultado é um ambiente altamente complexo, onde erros de arquitetura são potencializados pelo consumo intensivo de processamento e armazenamento.
Para a Outsera, especializada em outsourcing de profissionais de TI, o problema não está na falta de desenvolvedores, mas na ausência de planejamento estratégico. Segundo a empresa, a lógica tradicional de apenas alocar profissionais técnicos já não atende às demandas atuais.
Essa mudança de cenário indica que o gargalo da transformação digital deixou de ser a execução e passou a ser o desenho da infraestrutura.
Falta de confiança nos dados agrava cenário
Outro ponto crítico levantado pelo mercado é a baixa confiabilidade dos dados utilizados pelas empresas. De acordo com a Gartner, 75% dos líderes de tecnologia afirmam não confiar plenamente na qualidade das informações que alimentam suas soluções de inteligência artificial.
Esse problema compromete diretamente o retorno sobre investimento em tecnologia. Sistemas alimentados por dados inconsistentes tendem a gerar análises imprecisas, decisões equivocadas e desperdício de recursos.
Felipe Lutz, CIO da Outsera, destaca que muitas empresas ignoraram etapas essenciais de governança de dados. “Sem uma arquitetura resiliente, o Big Data deixa de ser um ativo estratégico para se tornar um dreno de investimentos. O papel do arquiteto hoje demanda, além da técnica, uma posição de gestão financeira e de risco, quase como um CFO dedicado à infraestrutura”, afirma.
Impacto financeiro direto nas operações
A ineficiência na gestão de dados e infraestrutura não se limita a relatórios globais. No dia a dia das empresas, os prejuízos já são concretos e recorrentes.
Segundo estimativas da IBM, mais de um quarto das grandes organizações perde ao menos US$ 5 milhões por ano devido a falhas na qualidade dos dados. Esse valor tende a crescer à medida que a automação e o uso de inteligência artificial se intensificam.
Além do impacto financeiro direto, sistemas mal estruturados geram uma chamada “dívida técnica”, que dificulta a inovação e aumenta os custos operacionais no longo prazo.
Arquitetura de software ganha protagonismo
Diante desse cenário, o papel do arquiteto de software passa por uma transformação profunda. Antes focado em decisões técnicas, esse profissional agora assume uma posição estratégica dentro das organizações.
A função passa a envolver não apenas a definição de sistemas e tecnologias, mas também a gestão de custos, riscos e eficiência operacional. Em outras palavras, o arquiteto de software se aproxima cada vez mais de uma função executiva, com impacto direto nos resultados financeiros da empresa.
Essa mudança reflete uma nova realidade: a tecnologia deixou de ser suporte e passou a ser o centro das decisões de negócio.
Soberania e eficiência entram na agenda
Outro fator que pressiona as empresas em 2026 é a necessidade de garantir soberania e conformidade tecnológica. Regulamentações mais rígidas e a crescente preocupação com segurança de dados exigem infraestruturas mais robustas e bem planejadas.
Nesse contexto, a Gartner projeta que empresas que investirem em arquiteturas de dados preparadas para inteligência artificial poderão reduzir seus custos operacionais em até 60% ao longo dos próximos anos.
O dado reforça que o diferencial competitivo não está apenas na adoção de tecnologia, mas na forma como ela é estruturada e gerida.
De fornecedor a parceiro estratégico
A nova realidade do mercado também transforma a relação entre empresas e fornecedores de tecnologia. O modelo baseado apenas na entrega de mão de obra técnica perde espaço para parcerias estratégicas, focadas em resultados e eficiência.
Para Felipe Lutz, esse é um movimento inevitável. “A arquitetura de software deve ser o lastro de resiliência de qualquer projeto moderno. Em vez de simplesmente alocar desenvolvedores para apagar incêndios, as empresas precisam de estrategistas que garantam que a infraestrutura seja elástica, segura e lucrativa”, conclui.
Sobre a empresa
A Outsera é especializada em outsourcing de profissionais de tecnologia, oferecendo soluções completas para todo o ciclo de desenvolvimento de software. Fundada em 2013, em Joinville (SC), inicialmente como TEXO IT, a empresa consolidou sua marca atual em 2024.
Com mais de 500 mil horas trabalhadas e um banco de talentos com centenas de especialistas, a Outsera se destaca pela formação de squads de alta performance e pela proximidade com seus clientes. A empresa atua conectando tecnologia, pessoas e estratégia para impulsionar a transformação digital de grandes organizações.




