Inovação desenvolvida por pesquisador brasileiro permite que redes tomem decisões sozinhas, com mais eficiência, segurança e menor custo operacional
A Ericsson anunciou o desenvolvimento de uma tecnologia pioneira que promete acelerar a evolução das redes de telecomunicações rumo a um modelo totalmente autônomo, especialmente no contexto do 5G e das futuras redes 6G. Criada pelo pesquisador brasileiro Pedro Henrique Gomes, a solução permite que sistemas complexos gerenciem a si mesmos com base em intenções definidas por operadores, reduzindo a necessidade de intervenção humana e aumentando a eficiência operacional.
A inovação, chamada de “Método para criar perfis públicos e privados para gerenciamento de redes baseado em intenções”, foi patenteada pela empresa e surge como resposta a um dos maiores desafios do setor: a crescente complexidade das redes, que envolvem múltiplos fornecedores e diferentes gerações tecnológicas, como 4G, 5G e, futuramente, 6G.
Como funciona a tecnologia
A proposta da nova tecnologia é simplificar o gerenciamento das redes por meio de um conceito chamado “intenção”. Em vez de programar detalhadamente cada ação da rede, os operadores definem apenas o objetivo final, e o sistema decide automaticamente como alcançá-lo.
Na prática, o funcionamento é comparável ao piloto automático de um carro. Em vez de controlar cada movimento, o usuário define uma meta, como manter determinada velocidade com segurança, e o sistema executa as ações necessárias.
No contexto das telecomunicações, isso significa que uma operadora pode estabelecer, por exemplo, a intenção de garantir streaming de vídeo em alta qualidade para usuários em um estádio lotado, e a rede ajusta automaticamente seus recursos para cumprir essa meta.
“A essência da invenção é permitir que a rede entenda o objetivo final, o ‘o quê’, sem que um operador precise ditar cada detalhe técnico de ‘como’ fazê-lo. Isso cria um nível de abstração que não só simplifica a operação, mas também prepara as redes para o futuro, permitindo que evoluam sem a necessidade de reprogramar regras a cada nova tecnologia implementada”, explica Pedro Henrique Gomes, doutor em engenharia elétrica e inventor da Ericsson, com um portfólio de 22 patentes na área de automação de redes.
Segurança e interoperabilidade como diferencial
Um dos principais avanços da tecnologia está na criação de perfis públicos e privados para gerenciamento das redes. Esse mecanismo permite que diferentes sistemas e plataformas se comuniquem de forma segura e padronizada, garantindo a interoperabilidade entre diversos “componentes inteligentes” da rede.
Isso resolve um gargalo importante do setor, especialmente em ambientes onde operadoras, fornecedores de equipamentos e provedores de nuvem precisam trabalhar de forma integrada, sem comprometer dados sensíveis.
A solução também reduz ambiguidades na execução das intenções, garantindo maior precisão nas decisões automatizadas.
Impactos para operadoras e consumidores
Os benefícios da automação inteligente se estendem tanto para as empresas quanto para os usuários finais. Para as operadoras, a tecnologia representa ganhos significativos em eficiência e redução de custos.
Entre os principais impactos estão:
Redução de erros humanos nas operações
Maior agilidade no lançamento de novos serviços
Otimização de custos operacionais (OPEX)
Melhoria na eficiência energética
Para os consumidores, a experiência também tende a evoluir. A promessa é de conexões mais estáveis, menor tempo de resposta em situações críticas e novos serviços personalizados.
Em eventos de grande porte, por exemplo, a rede poderá reagir automaticamente a picos de demanda, garantindo qualidade de conexão mesmo em ambientes de alta concentração de usuários.
Além disso, surgem possibilidades como a oferta de serviços sob demanda, incluindo acordos temporários de qualidade de serviço (SLAs) para aplicações específicas, como jogos online ou transmissões ao vivo.
Um passo estratégico para o futuro das redes
De acordo com a Ericsson, a nova tecnologia não é apenas uma evolução técnica, mas um elemento estratégico para o futuro das telecomunicações.
“A liderança tecnológica da Ericsson é construída sobre a inovação contínua de talentos como o Pedro. Esta invenção patenteada não é apenas um avanço técnico; é uma ferramenta estratégica que permitirá às operadoras monetizar suas redes de formas novas e eficientes. Estamos na vanguarda da construção das redes do futuro, e esta tecnologia, que já influencia produtos como a nossa plataforma Ericsson Intelligent Automation Platform (EIAP), é a prova do nosso compromisso em entregar redes cada vez mais inteligentes, resilientes e preparadas para as demandas da próxima década”, afirma Edvaldo Santos, vice-presidente de Pesquisa e Desenvolvimento da Ericsson para o Cone Sul da América Latina.
A empresa também informou que a tecnologia já está sendo testada em protótipos e provas de conceito com clientes, indicando que sua aplicação prática está em estágio avançado.
Brasil como polo de inovação
O desenvolvimento da tecnologia reforça o papel do Brasil como um importante polo de inovação dentro da Ericsson. Nos últimos 25 anos, inventores da companhia no país foram responsáveis por mais de 270 famílias de patentes.
Esse histórico evidencia a relevância do ecossistema brasileiro de pesquisa e desenvolvimento, que contribui diretamente para avanços globais no setor de telecomunicações.
A presença da Ericsson no Brasil também inclui uma estrutura industrial estratégica. O país é o único do Hemisfério Sul a produzir rádios e antenas 5G pela empresa, com uma fábrica localizada em São José dos Campos, em operação contínua desde 1955.
Caminho para o 6G
A tecnologia baseada em intenção é vista como um dos pilares para o desenvolvimento das redes 6G, que devem ampliar ainda mais a automação, a inteligência e a capacidade de adaptação das infraestruturas de telecomunicações.
Com a crescente demanda por conectividade de alta performance, impulsionada por aplicações como Internet das Coisas (IoT), realidade aumentada e serviços digitais avançados, a necessidade de redes autônomas se torna cada vez mais evidente.
A expectativa é que soluções como a desenvolvida pela Ericsson sejam fundamentais para sustentar esse crescimento, permitindo que as redes operem com maior eficiência e menor complexidade.




