A falta de conectividade confiável ainda representa um desafio significativo no Brasil, com impactos diretos na economia, na educação e no funcionamento de serviços essenciais. Embora a internet esteja cada vez mais presente no cotidiano, milhões de pessoas continuam sem acesso adequado e empresas enfrentam prejuízos elevados por falhas na conexão.
Dados recentes mostram que a instabilidade da internet pode gerar perdas superiores a US$ 500 mil por mês para empresas de médio e grande porte. Ao mesmo tempo, cerca de 22 milhões de brasileiros ainda são considerados excluídos digitais, evidenciando que a expansão da conectividade no país continua desigual.
Empresas enfrentam prejuízos com falhas na conexão
A dependência crescente de sistemas digitais transformou a conectividade em um elemento essencial para o funcionamento das empresas. Plataformas de vendas online, sistemas de gestão, comunicação corporativa e operações industriais dependem de internet estável para manter a produtividade e evitar interrupções.
Segundo um estudo da Forrester Consulting, 83% das empresas de médio e grande porte registram perdas superiores a US$ 100 mil por mês em razão de instabilidades na conexão. Em 42% dos casos, os prejuízos ultrapassam US$ 500 mil mensais.
Entre as pequenas e médias empresas, o cenário também preocupa. De acordo com o estudo IoT Snapshot 2024, da Logicalis, cerca de 73% das organizações desse porte relatam problemas frequentes de conectividade que afetam diretamente suas operações digitais.
Essas interrupções podem comprometer vendas, atrasar processos internos, prejudicar a comunicação entre equipes e afetar a experiência de clientes, especialmente em empresas que dependem fortemente de serviços online.
Exclusão digital ainda atinge milhões de brasileiros
Além do impacto no ambiente corporativo, a conectividade limitada também afeta diretamente a inclusão social no país.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), indicam que cerca de 22 milhões de brasileiros ainda não têm acesso adequado à internet.
Essa exclusão digital impede que milhões de pessoas participem plenamente da economia digital e limita o acesso a serviços essenciais, como educação, saúde e oportunidades de trabalho.
O problema se torna ainda mais evidente no setor educacional. Segundo levantamento da Associação de Professores da Universidade Federal de Santa Catarina (Apufsc), 55,2% dos estudantes já interromperam os estudos em algum momento devido à falta de acesso à internet ou à baixa qualidade da conexão.
A ausência de conectividade adequada dificulta a participação em aulas remotas, o acesso a materiais didáticos online e o desenvolvimento de habilidades digitais cada vez mais necessárias no mercado de trabalho.
Desafio maior está fora dos grandes centros
Grande parte das lacunas de conectividade no Brasil está concentrada em regiões rurais, áreas industriais isoladas e localidades distantes dos grandes centros urbanos.
Nesses locais, a expansão de infraestrutura de telecomunicações enfrenta desafios técnicos e econômicos, o que limita a disponibilidade de conexões estáveis e de alta velocidade.
Para Cláudio Calonge, CEO da Briskcom, empresa especializada em soluções de conectividade via satélite, existe uma percepção equivocada de que o país já está amplamente conectado.
“Existe a percepção de que o país já está plenamente conectado, mas quando olhamos para áreas rurais, operações industriais ou serviços essenciais em regiões remotas, percebemos que ainda há grandes lacunas de infraestrutura e estabilidade”, afirma o executivo.
Segundo ele, muitas atividades essenciais para a economia brasileira ocorrem justamente em regiões afastadas, como operações de energia, mineração e agronegócio.
Limitações da expansão da fibra óptica
A expansão da fibra óptica tem sido um dos principais motores da melhoria da internet no Brasil, mas essa tecnologia ainda enfrenta limitações importantes.
Em regiões isoladas, a implantação de redes de fibra pode ser economicamente inviável para grandes operadoras, que priorizam áreas com maior concentração de usuários e retorno financeiro mais rápido.
Mesmo quando a infraestrutura existe, a rede terrestre também está sujeita a diferentes tipos de interrupções.
Rompimentos acidentais de cabos, furtos de infraestrutura e eventos naturais podem comprometer a conexão em determinadas regiões, afetando empresas, serviços públicos e comunidades inteiras.
Esses fatores tornam a conectividade um elemento crítico para o funcionamento de operações que dependem de comunicação contínua.
Internet via satélite surge como alternativa
Diante dessas limitações, a conectividade via satélite tem ganhado espaço como uma solução complementar às redes terrestres tradicionais.
Essa tecnologia permite levar acesso à internet a regiões onde a infraestrutura física é limitada ou inexistente, além de reduzir riscos associados a interrupções causadas por danos na rede terrestre.
Como depende de uma infraestrutura menor no solo, a conexão via satélite pode oferecer maior cobertura geográfica e ajudar a garantir a continuidade de operações consideradas críticas.
Hospitais, instalações de energia, operações industriais e projetos de infraestrutura frequentemente utilizam esse tipo de conectividade em áreas remotas.
“A conectividade é frequentemente tratada como um serviço urbano, mas grande parte das operações críticas do país acontece em regiões remotas. Sem soluções alternativas, essas áreas permanecem vulneráveis ao isolamento digital”, afirma Cláudio Calonge.
Conectividade como infraestrutura essencial
Especialistas apontam que a conectividade deixou de ser apenas um serviço de telecomunicações e passou a ser considerada uma infraestrutura essencial para o desenvolvimento econômico e social.
A digitalização de processos empresariais, a expansão da educação online e o crescimento de serviços digitais aumentaram a dependência da internet em praticamente todos os setores da economia.
Nesse cenário, reduzir as desigualdades no acesso à conectividade tornou-se um dos principais desafios para ampliar a inclusão digital e impulsionar a competitividade do país.
A combinação entre diferentes tecnologias — como fibra óptica, redes móveis e internet via satélite — tende a desempenhar papel importante na construção de uma infraestrutura de conectividade mais resiliente e abrangente.




