IA transforma rotina do TJDFT e eleva produtividade em gabinetes judiciais

Uso de agentes e Copilot reduz em até 70% o tempo de tarefas administrativas no tribunal

A adoção de inteligência artificial generativa já impacta diretamente a rotina de magistrados e servidores do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios. Com a implementação do Microsoft 365 Copilot e o desenvolvimento de agentes personalizados, o tribunal conseguiu reduzir em até 70% o tempo de produção de relatórios e alcançar ganhos de até 30% em produtividade em atividades administrativas de alto volume. A tecnologia já integra o dia a dia de 59 gabinetes judiciais, com foco em eficiência, segurança e supervisão humana.

A iniciativa faz parte do Programa de Transformação Digital (PTD), criado em junho de 2024, que busca responder ao crescimento expressivo do volume de processos. Apenas neste ano, mais de 4 milhões de processos eletrônicos passaram pelo tribunal, pressionando equipes e exigindo soluções tecnológicas capazes de otimizar tarefas repetitivas e operacionais.

Inteligência artificial entra na rotina do Judiciário

Historicamente reconhecido por iniciativas inovadoras, o TJDFT passou a incorporar a inteligência artificial como elemento central de sua estratégia. A proposta é utilizar a tecnologia para automatizar atividades administrativas, permitindo que magistrados e servidores concentrem esforços na análise jurídica e na tomada de decisões.

“A adoção da inteligência artificial faz parte de uma estratégia maior de transformação digital do tribunal, voltada à eficiência, à agilidade e ao uso responsável da tecnologia. Nosso objetivo é liberar magistrados e servidores para que possam concentrar seus esforços na atividade jurídica e na tomada de decisões, o que se traduz em benefícios diretos para o cidadão”, afirma Waldir Leôncio Lopes Júnior.

Galeria de agentes amplia automação de tarefas

Um dos pilares da transformação digital no tribunal é a criação da chamada Galeria de Agentes de IA Generativa, um repositório institucional com mais de 30 soluções desenvolvidas com apoio do Copilot Studio.

Esses agentes são especializados em tarefas como geração automática de ementas, sumarização de autos, elaboração de relatórios processuais, criação de checklists jurídicos e padronização de documentos conforme normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), incluindo o uso de linguagem simples.

O diferencial do modelo está na participação ativa de magistrados e servidores no desenvolvimento das ferramentas. Por meio de oficinas práticas e programas de capacitação, os próprios usuários contribuíram para a criação dos agentes, garantindo aderência às necessidades reais do trabalho.

Como resultado, diversos gabinetes já registraram ganhos expressivos de produtividade, especialmente em atividades administrativas repetitivas.

“A transformação digital no Judiciário não depende apenas da tecnologia. Ela exige participação, capacitação e mudança cultural. Ao envolver magistrados e servidores na criação dos agentes de IA, conseguimos desenvolver soluções práticas e alinhadas às necessidades reais do trabalho cotidiano”, explica Luiz Fernando Sirotheau Serique Junior.

Copilot acelera produção de documentos

A integração do Microsoft 365 Copilot aos fluxos de trabalho ampliou ainda mais o impacto da inteligência artificial no tribunal. Em poucos meses, milhares de usuários passaram a utilizar a ferramenta de forma recorrente.

Em alguns casos, o tempo dedicado à produção de relatórios processuais foi reduzido em até 70%. A automação permite que equipes direcionem esforços para atividades mais complexas, aumentando a qualidade das análises jurídicas.

Além disso, a tecnologia também deu origem a soluções voltadas à área administrativa, como o chatbot institucional “iaTI”, que orienta usuários sobre procedimentos internos e sistemas, reduzindo a demanda por atendimento humano em tarefas simples.

Stela apoia análise de recursos judiciais

Outro destaque da estratégia é a plataforma Stela, desenvolvida em parceria com a Microsoft. A solução utiliza técnicas avançadas de machine learning e análise de dados para apoiar o exame de admissibilidade de recursos judiciais.

A ferramenta analisa critérios técnicos e auxilia magistrados na decisão sobre o encaminhamento de processos ao Superior Tribunal de Justiça, ao Supremo Tribunal Federal ou no indeferimento do recurso.

A Stela atua como um “copiloto jurídico”, oferecendo maior rapidez, consistência e padronização às análises, sem substituir a decisão humana.

Segurança e governança são prioridade

Por lidar com dados sensíveis, o projeto foi estruturado com foco em segurança da informação e governança. As soluções operam em ambiente institucional controlado, com mecanismos de auditoria, controle de acesso e revisão obrigatória por humanos.

A inteligência artificial é utilizada como ferramenta de apoio, sem autonomia para decisões finais. O modelo segue diretrizes de uso responsável da tecnologia, alinhadas a padrões nacionais e internacionais.

“A experiência do TJDFT demonstra como a inteligência artificial pode gerar impacto real no setor público quando aplicada com responsabilidade e integrada aos fluxos de trabalho existentes. Ao utilizar soluções seguras e governadas, o Tribunal mostra que é possível inovar sem abrir mão da confiança, da privacidade e da centralidade humana”, afirma Bruno Pavan.

Referência nacional em inovação no Judiciário

Com os resultados alcançados, o TJDFT se consolida como uma das principais referências em inovação tecnológica no Judiciário brasileiro. A adoção estruturada de inteligência artificial tem despertado o interesse de outros tribunais, que buscam replicar o modelo.

Mais do que implementar ferramentas, o tribunal construiu um ecossistema baseado na integração entre pessoas, processos e tecnologia, reforçando a importância da transformação digital no setor público.

A iniciativa também evidencia uma tendência mais ampla: o uso crescente da inteligência artificial para melhorar a eficiência de serviços públicos, sem comprometer princípios fundamentais como transparência, segurança e responsabilidade.

Tecnologia a serviço da justiça

Ao incorporar a inteligência artificial de forma estratégica, o TJDFT avança na modernização do sistema judicial, buscando oferecer respostas mais rápidas e eficientes à sociedade.

A expectativa é que o uso dessas tecnologias continue a se expandir, acompanhando o aumento da demanda por serviços judiciais e a necessidade de maior agilidade na tramitação de processos.

Nesse cenário, a combinação entre inovação tecnológica e supervisão humana se apresenta como caminho para um Judiciário mais eficiente, acessível e preparado para os desafios de uma sociedade digital.

Compartilhe :
Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *