Juros acima de R$ 1 trilhão mantêm crédito mais seletivo e pressionam consumo no país

O avanço dos juros no Brasil continua impactando diretamente o acesso ao crédito e o comportamento do consumo. Dados do Banco Central mostram que os juros nominais do setor público alcançaram R$ 1,08 trilhão acumulados em 12 meses até março de 2026, o equivalente a 8,35% do Produto Interno Bruto (PIB). No mesmo período, o déficit nominal chegou a R$ 1,21 trilhão, ampliando a pressão sobre o mercado financeiro e reforçando um ambiente de crédito mais restritivo no país.

Na prática, o cenário de juros elevados e maior percepção de risco fiscal faz com que instituições financeiras adotem critérios mais rígidos na concessão de crédito. Mesmo diante da demanda aquecida por financiamento, bancos e financeiras seguem priorizando consumidores com maior capacidade de pagamento e menor nível de endividamento.

Apesar das restrições, modalidades alternativas de financiamento seguem crescendo, principalmente no varejo físico. É o caso do crediário, que voltou a ganhar espaço entre consumidores em busca de parcelamento fora do sistema tradicional de cartões.

Crediário cresce mais de 14% no primeiro trimestre

Levantamento da Top One Financeira, empresa especializada em crediário e empréstimos no ponto de venda, aponta que o volume de vendas financiadas por crediário aumentou 14,56% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado.

Segundo os dados, o ticket médio das operações chegou a R$ 1.543, indicando aumento na utilização do financiamento para compras no varejo físico.

Mesmo com o crescimento da demanda, a taxa de aprovação permaneceu estável em 40% dos CPFs analisados. O comprometimento médio da renda dos consumidores ficou em 15,5%.

Outro dado que chama atenção é a entrada de novos consumidores no sistema. Cerca de 80% das análises realizadas pela empresa envolveram clientes em primeira compra.

Crédito mais restritivo muda comportamento do mercado

Para Vanderley Cardoso de Moraes, o atual ambiente econômico vem transformando a dinâmica de acesso ao crédito no país.

“O custo do dinheiro hoje impõe mais cautela na concessão. Mesmo com demanda, as instituições precisam garantir que o crédito seja compatível com a renda e com o nível de endividamento do consumidor. Isso mantém a seletividade elevada e muda a forma como o consumo é financiado”, afirma.

Segundo o executivo, o crescimento do crediário não representa expansão descontrolada do crédito, mas sim uma adaptação do mercado diante das condições econômicas atuais.

“Há uma busca por alternativas que permitam manter o consumo, mas com maior previsibilidade. O desafio é equilibrar esse acesso com a qualidade da carteira, em um ambiente ainda pressionado por juros elevados”, destaca.

Juros altos pressionam famílias e empresas

O atual patamar dos juros impacta não apenas consumidores, mas também empresas e o próprio desempenho da economia. Com o crédito mais caro, famílias tendem a reduzir compras financiadas, enquanto empresas enfrentam maior dificuldade para investir e ampliar operações.

Além disso, o crescimento das despesas financeiras do setor público amplia a preocupação do mercado com a sustentabilidade fiscal do país, o que influencia diretamente o comportamento dos investidores e o custo de captação das instituições financeiras.

Na prática, o ambiente econômico cria um ciclo de cautela: enquanto consumidores buscam alternativas de parcelamento para manter o consumo, empresas do setor financeiro reforçam mecanismos de análise de risco para evitar aumento da inadimplência.

Tecnologia e análise de risco ganham protagonismo

Nesse cenário, empresas especializadas em crédito têm investido cada vez mais em tecnologia e inteligência de dados para aprimorar a concessão de financiamentos.

A Top One Financeira afirma utilizar modelos próprios de análise de risco integrados ao varejo físico, permitindo avaliações mais rápidas e compatíveis com o perfil financeiro dos consumidores.

Fundada em 2018, a empresa atua em mais de 3 mil pontos de venda no Brasil e já analisou mais de R$ 2,5 bilhões em solicitações de crédito.

Entre as soluções oferecidas está o parcelamento por boleto, modalidade que amplia o acesso ao financiamento para consumidores fora do sistema tradicional de cartões de crédito.

Mercado busca equilíbrio entre consumo e inadimplência

O avanço do crediário ocorre em um momento em que o varejo tenta manter o ritmo de vendas mesmo diante da desaceleração econômica causada pelo custo elevado do crédito.

Especialistas apontam que o desafio do setor financeiro nos próximos meses será encontrar equilíbrio entre ampliação do acesso ao consumo e preservação da qualidade das carteiras de crédito.

Enquanto isso, consumidores seguem mais atentos às condições de parcelamento, taxas de juros e impacto das prestações no orçamento familiar.

Sobre a Top One Financeira

A Top One Financeira foi fundada em 2018, em Curitiba, e atua na concessão de crédito por meio de crediário e empréstimo pessoal.

A empresa opera integrada ao varejo físico e utiliza tecnologia própria para análise de risco e aprovação de crédito.

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