O Brasil registrou mais de 37 mil mortes em acidentes de trânsito em 2024, número superior ao do ano anterior, quando foram contabilizadas mais de 34 mil vítimas fatais. Os dados, levantados pela Vital Strategies com base em informações do Ministério da Saúde, reforçam a gravidade do problema e dão ainda mais relevância à campanha Maio Amarelo, que busca conscientizar a população sobre segurança viária.
Além das mortes, os acidentes deixam um rastro de sequelas físicas e emocionais, consolidando o trânsito como uma das principais preocupações de saúde pública no país.
Motociclistas e pedestres estão entre os mais vulneráveis
De acordo com o médico emergencista Thiago Soares Lamenha Gomes, coordenador do pronto atendimento do Grupo São Lucas, os casos mais graves atendidos nos hospitais envolvem principalmente motociclistas, colisões entre veículos e atropelamentos.
Segundo ele, motociclistas e pedestres tendem a chegar em estado mais crítico devido à maior exposição ao impacto. Já ocupantes de veículos costumam apresentar quadros mais graves em situações de alta energia, como batidas em alta velocidade ou capotamentos.
“Os principais traumas que vemos logo na admissão são traumatismo craniano, fraturas, trauma de tórax, trauma abdominal, lesões de coluna e múltiplas escoriações ou ferimentos. A depender da gravidade, esses pacientes podem evoluir com sequelas importantes, como limitação motora, dor crônica, déficits neurológicos, perda de autonomia e até impacto emocional prolongado. Muitas vezes, mesmo quando a vítima sobrevive, o acidente deixa consequências que comprometem bastante a qualidade de vida”, explica o especialista.
Atendimento rápido é decisivo para salvar vidas
O atendimento às vítimas de acidentes graves começa imediatamente após a chegada ao hospital. A prioridade é a estabilização do paciente, com controle das vias aéreas, respiração, circulação, sangramentos e dor.
Após essa etapa inicial, são realizados exames e avaliações por equipes médicas, que definem a conduta adequada. Dependendo da gravidade, o paciente pode receber alta, permanecer em observação, ser internado ou encaminhado para cirurgia.
A rapidez nesse processo é determinante para aumentar as chances de sobrevivência e reduzir o risco de sequelas.
Como agir em situações de acidente
Em casos de acidentes com vítimas, a atuação de pessoas próximas pode fazer diferença, desde que realizada com cautela. Especialistas orientam que o primeiro passo é acionar o socorro imediatamente e sinalizar o local para evitar novos acidentes.
Também é importante observar se a vítima está consciente e respirando. No entanto, atitudes inadequadas podem agravar o quadro clínico.
Evitar movimentar a vítima, não oferecer água, alimentos ou medicamentos e não tentar removê-la sem necessidade são cuidados essenciais, principalmente quando há suspeita de lesões na coluna ou na cabeça.
Imprudência ainda é principal causa
Apesar dos avanços em fiscalização e campanhas educativas, a imprudência continua sendo o principal fator associado aos acidentes de trânsito no Brasil.
Comportamentos como excesso de velocidade, uso de álcool ao volante, distração e desrespeito às leis de trânsito seguem entre as principais causas dos sinistros.
Para o médico Thiago Soares Lamenha Gomes, a conscientização da população é fundamental para reduzir os números.
“Os acidentes de trânsito continuam sendo um problema grave de saúde pública no Brasil. Estamos falando de um impacto enorme para as famílias, para o sistema de saúde e para a sociedade como um todo. A conscientização da população é fundamental, porque grande parte dos acidentes está relacionada à imprudência, distração, excesso de velocidade, uso de álcool e desrespeito às normas de segurança. Quanto mais se fala em prevenção e responsabilidade no trânsito, maior a chance de reduzirmos mortes e sequelas evitáveis”, afirma.
Impacto social e econômico
Além das perdas humanas, os acidentes de trânsito geram impacto significativo no sistema de saúde, com aumento da demanda por atendimentos de urgência, internações e reabilitação.
Os custos também se estendem ao âmbito social e econômico, afetando famílias e reduzindo a capacidade produtiva de vítimas que ficam com sequelas permanentes.
Campanhas como o Maio Amarelo buscam justamente ampliar o debate sobre o tema e incentivar comportamentos mais seguros no trânsito.
Sobre o grupo
O Grupo São Lucas, com sede em Ribeirão Preto (SP), possui mais de 50 anos de atuação e é reconhecido pela prestação de serviços médicos com foco em atendimento humanizado e tecnologia avançada.
A instituição integra a Hospital Care, que reúne mais de 30 unidades entre hospitais e clínicas em sete cidades do país.




