Pesquisa indica aumento de até 20% na produção de sementes de pastagem com uso de regulador de crescimento

Um experimento conduzido no campus 2 da Universidade do Oeste Paulista, em Presidente Prudente (SP), aponta que a aplicação de reguladores de crescimento pode elevar em até 20% a produtividade de sementes de pastagens. O estudo, que envolve a espécie Urochloa brizantha (capim-braquiária), especialmente a variedade Piatã, investiga como o manejo fisiológico das plantas pode melhorar o aproveitamento de luz e, consequentemente, a formação de sementes.

A pesquisa está em sua terceira fase e tem como foco a utilização do regulador de crescimento trinexapac-etil para reduzir o tamanho dos entrenós nos perfilhos — os ramos laterais da planta — permitindo maior incidência de luz no dossel inferior. Esse ajuste estrutural favorece o desenvolvimento reprodutivo, aumentando o número e a qualidade das sementes formadas.

Estratégia busca melhorar eficiência da planta

O princípio central do experimento é relativamente simples: ao permitir que mais luz alcance as partes inferiores da planta, há um estímulo mais uniforme ao desenvolvimento dos perfilhos reprodutivos. Isso resulta em maior eficiência na formação de sementes, fator essencial para a cadeia produtiva de forrageiras.

Na prática, os pesquisadores trabalham com a hipótese de que o controle do crescimento vegetativo pode redirecionar energia para a fase reprodutiva. Esse equilíbrio entre crescimento e reprodução é considerado um dos pontos-chave para elevar a produtividade sem necessidade de expandir áreas de cultivo.

Resultados iniciais já indicam ganhos relevantes

As fases anteriores da pesquisa já trouxeram resultados promissores. Na primeira etapa, voltada ao ajuste das doses do regulador de crescimento, foi observado um aumento de produtividade entre 15% e 20%. Esse estudo foi desenvolvido em nível de mestrado em Agronomia.

Na segunda fase, os pesquisadores avaliaram quais cultivares respondiam melhor ao tratamento, trabalho conduzido como parte de um projeto de conclusão de curso. Já na terceira etapa, atualmente em andamento, o foco está na interação entre o uso do regulador e diferentes épocas de semeadura.

A expectativa é confirmar, com maior robustez científica, ganhos produtivos próximos ao teto de 20%. A colheita das sementes está prevista para o mês de junho.

Produção por hectare pode superar 4 mil quilos

Os números da produção reforçam a importância do estudo. Em condições normais, a produção de sementes puras varia entre 500 kg e 1.000 kg por hectare. No entanto, o volume total colhido pode ultrapassar 3.000 kg e atingir até 4.000 kg por hectare, dependendo das condições de manejo e processamento.

O experimento atual analisa semeaduras realizadas nos meses de novembro, dezembro e janeiro, buscando identificar o melhor período para maximizar os efeitos do regulador de crescimento.

Estudos paralelos ampliam conhecimento técnico

Além da pesquisa com a variedade Piatã, outro experimento está sendo conduzido em área próxima, focado na variedade Marandu da Urochloa brizantha. Nesse caso, o objetivo é compreender a marcha de absorção de nutrientes em função da adubação nitrogenada.

Esse tipo de estudo complementa o entendimento sobre os fatores que influenciam a produtividade de sementes, especialmente em sistemas tropicais, onde o manejo nutricional é determinante.

Centro de pesquisa é referência nacional

Os trabalhos são desenvolvidos em um dos principais centros de pesquisa em sementes forrageiras tropicais do Brasil, localizado no oeste paulista. A região tem forte vocação agropecuária e abriga importantes produtores e empresas do setor.

As pesquisas contam com a orientação do professor Tiago Aranda Catuchi, com a colaboração da professora Ceci Castilho Custódio em ambos os estudos. No experimento com a variedade Marandu, também participa o professor Carlos Henrique dos Santos.

Segundo o diretor da Faculdade de Ciências Agrárias, Carlos Sérgio Tiritan, o professor Tiago é um dos nomes mais reconhecidos no manejo da produção de sementes forrageiras no país.

Formação de novos profissionais fortalece o setor

Um dos diferenciais do projeto é a participação ativa de alunos de graduação e pós-graduação. Estudantes de diferentes cidades e estados integram as pesquisas, contribuindo para a formação de mão de obra qualificada.

Entre os participantes estão Arthur Reverte Redivo, Cristian Almerindo Freitas Jacques, Lucas Almeida, Lucas Marino Rosa, Marcos Henrique da Silva, João Henrique Custódio e Carlos Vitor Sales. Esse perfil regional e interestadual é característico do centro de pesquisa, que atrai estudantes interessados na cadeia produtiva de sementes.

Impacto direto no agronegócio regional

O oeste do estado de São Paulo concentra o maior rebanho bovino paulista, com cerca de 1,7 milhão de cabeças. Esse dado evidencia a importância estratégica das pastagens para a economia local.

A produção de sementes forrageiras é um elo fundamental dessa cadeia, garantindo a renovação e a qualidade das áreas de pasto. Empresas da região abastecem tanto o mercado nacional quanto o internacional, consolidando o Brasil como líder global nesse segmento.

Integração entre universidade e setor produtivo

Além das pesquisas realizadas no campus, a Unoeste mantém experimentos na Fazenda Experimental, localizada em Presidente Bernardes (SP), e em propriedades rurais espalhadas pelo país.

Esse modelo de atuação fortalece a integração entre academia e setor produtivo, permitindo que os resultados científicos sejam rapidamente aplicados no campo.

O coordenador do Programa de Pós-graduação em Agronomia, Edgard Henrique Costa Silva, destaca que a missão da instituição é gerar conhecimento que contribua diretamente para o desenvolvimento regional.

“O oeste paulista abriga algumas das principais empresas produtoras de sementes de forrageiras tropicais do país, o que fortalece a integração entre universidade, pesquisa e setor produtivo”, afirma.

Parcerias ampliam alcance das pesquisas

A Unoeste também mantém parceria com a Associação Nacional dos Produtores de Sementes de Gramíneas e Leguminosas Forrageiras, tendo sediado as duas últimas edições do simpósio sobre produção, qualidade e uso de sementes forrageiras.

Na quarta edição do evento, realizada no ano passado, um dos destaques internacionais foi o pesquisador mexicano Armando Peralta Martinez, autor de dezenas de livros e artigos científicos sobre forrageiras tropicais e mudanças climáticas.

Ciência aplicada impulsiona competitividade do Brasil

Para o pró-reitor de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão, Adilson Eduardo Guelfi, a universidade tem compromisso direto com o desenvolvimento das regiões onde atua, incluindo os campi de Presidente Prudente, Jaú e Guarujá.

A geração de tecnologias como o uso de reguladores de crescimento na produção de sementes reforça a competitividade do agronegócio brasileiro, especialmente em um cenário de crescente demanda global por alimentos e insumos agrícolas.

Perspectivas para o futuro

Com a conclusão da terceira fase da pesquisa, os cientistas esperam consolidar recomendações técnicas que possam ser adotadas por produtores em larga escala. Caso os resultados se confirmem, o uso de reguladores de crescimento poderá se tornar uma ferramenta estratégica para aumentar a eficiência produtiva sem ampliar custos de área.

Além disso, os estudos abrem caminho para novas investigações sobre fisiologia vegetal e manejo integrado, ampliando o conhecimento sobre culturas forrageiras tropicais.

A expectativa é que, nos próximos anos, tecnologias como essa contribuam para uma produção mais sustentável, com maior rendimento e melhor aproveitamento dos recursos naturais.

Compartilhe :
Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *