Radioterapia amplia chances de cura no câncer de esôfago e reforça importância do diagnóstico precoce

O câncer de esôfago tem registrado aumento expressivo no Brasil e já figura entre as doenças com alta taxa de mortalidade, cenário que preocupa especialistas e reforça a importância de estratégias eficazes de tratamento. No contexto do Abril Azul Claro, campanha de conscientização sobre a doença, a Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) destaca o papel fundamental da radioterapia, que pode ser utilizada inclusive com intenção curativa em casos iniciais e localmente avançados.

De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026-2028, o país deve registrar cerca de 11.390 novos casos por ano, um aumento de 38,9% em relação ao período anterior, que contabilizava 8.200 casos anuais. Além disso, dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, apontam que o Brasil registrou 8.677 mortes pela doença em 2024, sendo a maioria entre homens, grupo mais exposto a fatores de risco como tabagismo e consumo de álcool.

Radioterapia ganha destaque no tratamento

Diante desse cenário, a radioterapia se consolida como um dos pilares do tratamento do câncer de esôfago, podendo ser aplicada em diferentes estágios da doença. Segundo o radio-oncologista Wilson José de Almeida Jr., presidente da SBRT, a abordagem deve ser individualizada.

“A radioterapia permanece como componente fundamental dentro da abordagem terapêutica do câncer de esôfago. Cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando localização do tumor, estadiamento e condições clínicas do paciente”, afirma.

A possibilidade de cura com a radioterapia é mais significativa quando o diagnóstico ocorre em fases iniciais ou em casos localmente avançados. Nesses cenários, o tratamento pode ser utilizado de forma isolada ou combinado com quimioterapia e cirurgia.

Tratamento pode evitar cirurgia em alguns casos

Uma das estratégias mais utilizadas é a radioquimioterapia, indicada principalmente quando a cirurgia não é viável, seja pela localização do tumor ou pelas condições clínicas do paciente. Em determinadas situações, essa abordagem pode levar à remissão completa da doença.

“Em determinadas situações, é possível alcançar resposta completa, possibilitando um tratamento mais conservador sem a ressecção cirúrgica”, explica o especialista.

Além disso, a radioterapia também pode ser aplicada antes da cirurgia, no chamado tratamento neoadjuvante, com o objetivo de reduzir o tamanho do tumor e aumentar as chances de sucesso da intervenção cirúrgica.

Papel também é importante no alívio de sintomas

Em estágios mais avançados ou metastáticos, quando a cura não é possível, a radioterapia tem papel paliativo, contribuindo para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Entre os principais benefícios estão o alívio da dor e da dificuldade para engolir, sintoma comum da doença.

Tipos da doença influenciam tratamento

O câncer de esôfago apresenta dois principais subtipos: o carcinoma escamoso e o adenocarcinoma. No Brasil, o carcinoma epidermoide é responsável por cerca de 96% dos casos, segundo o INCA, e está diretamente relacionado ao tabagismo e ao consumo de bebidas alcoólicas.

Já o adenocarcinoma está mais associado à obesidade, refluxo gastroesofágico crônico e ao esôfago de Barrett. Essa diferenciação é essencial para definir o tratamento mais adequado e o prognóstico do paciente.

Diagnóstico precoce ainda é desafio

Um dos principais obstáculos no combate à doença é o diagnóstico tardio. Em estágios iniciais, o câncer de esôfago costuma não apresentar sintomas, o que dificulta a identificação precoce.

Quando os sinais aparecem, é fundamental buscar avaliação médica. Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Dificuldade para engolir (disfagia)
  • Perda de peso sem causa aparente
  • Dor no peito ou sensação de queimação
  • Azia persistente
  • Tosse ou rouquidão

A identificação precoce aumenta significativamente as chances de tratamento curativo, reforçando a importância de campanhas como o Abril Azul Claro.

Fatores de risco exigem atenção

Diversos fatores estão associados ao desenvolvimento da doença, entre eles:

  • Tabagismo
  • Consumo de bebidas alcoólicas
  • Ingestão frequente de bebidas muito quentes
  • Refluxo gastroesofágico crônico
  • Esôfago de Barrett
  • Obesidade
  • Dieta pobre em frutas e vegetais
  • Baixo consumo de fibras
  • Envelhecimento

A conscientização sobre esses fatores é essencial para a prevenção e para a redução da incidência da doença no país.

Entidade reforça compromisso com a saúde

Fundada em 1998, a Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) é uma entidade científica sem fins lucrativos que reúne médicos radio-oncologistas de todo o Brasil. A instituição atua na promoção de boas práticas clínicas, incentivo à inovação tecnológica e fortalecimento da especialidade no país.

Durante o Abril Azul Claro, a entidade reforça a importância da informação de qualidade, do diagnóstico precoce e do acesso a tratamentos eficazes como a radioterapia.

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