Saúde mental no trabalho ganha peso estratégico e exige gestão de riscos psicossociais nas empresas

O avanço dos debates sobre saúde mental tem impactado diretamente o ambiente corporativo e exigido uma mudança de postura por parte das empresas. Com o aumento de afastamentos relacionados a transtornos como ansiedade e depressão, organizações passam a incluir os riscos psicossociais como parte essencial da gestão de saúde e segurança no trabalho, segundo avaliação do ergonomista Alison Alfred Klein.

De acordo com o especialista, a abordagem tradicional, focada apenas em equipamentos de proteção individual e ergonomia física, já não é suficiente. “Hoje, quando falamos de saúde e segurança no trabalho, não tratamos exclusivamente do uso de EPIs ou da ergonomia física. Estamos falando também de saúde mental e de riscos psicossociais que são urgentes e precisam estar presentes na rotina das empresas”, afirma.

Afastamentos crescem e acendem alerta

Dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho mostram a dimensão do problema no Brasil. Entre 2020 e 2024, foram registrados cerca de 657 mil afastamentos por transtornos de ansiedade e mais de 791 mil episódios relacionados à depressão.

O cenário brasileiro reflete uma tendência global. Segundo a Organização Internacional do Trabalho e a Organização Mundial da Saúde, cerca de um bilhão de pessoas conviviam com algum transtorno mental em 2019, o que representa 15% da população em idade ativa. Além disso, depressão e ansiedade resultam na perda de aproximadamente 12 bilhões de dias de trabalho por ano, gerando impacto econômico próximo de US$ 1 trilhão.

Desafio é transformar percepção em dados

Apesar da crescente conscientização, muitas empresas ainda enfrentam dificuldades para lidar com o tema de forma estruturada. Segundo Alison Alfred Klein, o principal obstáculo está em transformar percepções subjetivas — como estresse, sobrecarga e clima organizacional — em indicadores mensuráveis.

“Muitas organizações reconhecem que há um problema, mas ainda têm dificuldade de medir e acompanhar esses fatores de forma estruturada”, explica.

Essa lacuna dificulta a criação de estratégias eficazes e a tomada de decisões baseadas em evidências, o que pode agravar o problema ao longo do tempo.

Nova norma amplia responsabilidade das empresas

A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-01) reforça a necessidade de gestão de riscos ocupacionais, incluindo os psicossociais. A mudança tem impulsionado empresas a incorporarem a saúde mental em suas políticas internas, especialmente em setores com alta pressão por produtividade.

Nesse contexto, cresce a demanda por ferramentas capazes de mensurar fatores como carga mental, estresse ocupacional e condições de trabalho.

Tecnologia ajuda a mapear riscos

Soluções baseadas em tecnologia e metodologias científicas começam a ganhar espaço como aliadas na gestão da saúde mental corporativa. Um exemplo é o Kinemind, desenvolvido pela Kinebot, que permite avaliar e transformar dados subjetivos em indicadores concretos.

“São soluções que utilizam tecnologia e métodos reconhecidos internacionalmente para avaliar esforço mental, físico, pressão e nível de estresse, transformando percepções em dados”, explica o especialista.

Essas ferramentas possibilitam a identificação de riscos psicossociais, a geração de relatórios detalhados e a criação de estratégias preventivas mais eficazes.

Caminho para ambientes mais saudáveis

A adoção de métricas e tecnologias voltadas à saúde mental tende a se tornar cada vez mais comum nas empresas. Além de reduzir afastamentos, essa abordagem contribui para a construção de ambientes de trabalho mais saudáveis e produtivos.

Para Alison Alfred Klein, o uso de dados é essencial para avançar nesse campo. “É necessário dar materialidade ao tema da saúde mental. E a tecnologia é uma aliada fundamental para isso. As empresas precisam incluir essa questão na conta para evitar desgaste e promover mais saúde e segurança aos trabalhadores”, conclui.

Sobre a empresa

A Kinebot atua no desenvolvimento de soluções baseadas em inteligência artificial e visão computacional para análise ergonômica. A plataforma permite avaliar movimentos humanos com precisão, automatizar diagnósticos e gerar relatórios que auxiliam empresas na redução de riscos, custos e afastamentos.

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