IA cria nova profissão e muda o mercado de tecnologia, afirma Fábio Akita

Especialista diz que inteligência artificial elimina tarefas repetitivas, amplia a produtividade e abre espaço para o surgimento do orquestrador de agentes de IA

A inteligência artificial (IA) está transformando profundamente o mercado de trabalho, especialmente nas áreas ligadas à tecnologia. Embora o avanço das ferramentas baseadas em IA desperte dúvidas sobre a substituição de profissionais, um dos principais especialistas brasileiros no tema defende que o cenário aponta para uma direção diferente: a criação de novas funções e a valorização de profissionais capazes de trabalhar em conjunto com essas tecnologias.

Essa é a avaliação do programador e empreendedor Fábio Akita, cofundador e membro do conselho consultivo da Codeminer42. Com décadas de experiência em computação, Akita afirma que a inteligência artificial não deve substituir profissionais qualificados, mas exigirá uma mudança significativa na forma como eles atuam.

“Os empregos mais vulneráveis são aqueles baseados em tarefas repetitivas, previsíveis e de baixa complexidade. Funções operacionais, que antes exigiam tempo e esforço humano, agora podem ser executadas com maior rapidez por sistemas inteligentes. Na verdade, a IA funciona mais como um amplificador de competências do que como um substituto direto de talentos”, afirma.

Segundo o especialista, o atual momento da inteligência artificial representa uma nova fase de maturidade da tecnologia. Após a explosão provocada pelo lançamento do ChatGPT, em novembro de 2022, o setor passou a concentrar esforços menos na criação de novos modelos de linguagem e mais na evolução prática das soluções já existentes.

Na avaliação de Akita, o foco agora está em ampliar funcionalidades, aumentar a precisão dos sistemas e tornar a inteligência artificial cada vez mais útil para resolver problemas reais das empresas.

Surge o orquestrador de agentes de IA

Uma das principais mudanças provocadas por esse novo cenário é o nascimento de uma função inédita dentro das organizações: o orquestrador de agentes de inteligência artificial.

De acordo com Akita, esse profissional será responsável por coordenar diferentes agentes de IA capazes de executar tarefas, interpretar informações e automatizar processos de maneira integrada.

“Nesse novo cenário, profissionais passam a atuar como ‘orquestradores de agentes de IA’, uma função estratégica, responsável por coordenar múltiplos sistemas inteligentes na resolução de problemas com eficiência. Na prática, isso significa projetar e integrar fluxos entre diferentes plataformas de IA, utilizando processos estruturados para executar, em poucas horas, tarefas que antes exigiam dias e equipes inteiras”, explica.

Na prática, a inteligência artificial deixa de ser apenas uma ferramenta de apoio para assumir parte das atividades operacionais, permitindo que os profissionais concentrem esforços em decisões estratégicas, criatividade, inovação e resolução de problemas mais complexos.

O fim das tarefas repetitivas

Embora a inteligência artificial avance rapidamente, Akita reforça que o impacto mais significativo ocorrerá sobre atividades repetitivas e previsíveis, e não sobre profissionais preparados para gerar valor estratégico.

Segundo ele, quem insistir em permanecer apenas executando tarefas operacionais terá maiores dificuldades para competir em um mercado cada vez mais automatizado.

“Se o profissional já é bom, consegue usar a IA para eliminar o trabalho repetitivo e focar no que realmente importa, que é atuar em níveis mais estratégicos”, destaca.

Essa mudança altera a própria lógica das carreiras na área de tecnologia. Programadores, analistas, engenheiros de software e outros especialistas passam a utilizar agentes inteligentes como parte da rotina, aumentando produtividade sem perder protagonismo.

Capacitação passa a ser diferencial competitivo

Para Akita, a evolução constante será requisito obrigatório para quem pretende continuar competitivo nos próximos anos.

Ele afirma que o conhecimento técnico continuará sendo importante, mas precisará ser combinado com domínio das ferramentas de inteligência artificial e capacidade de adaptação.

“Não há espaço para estagnação. Profissionais continuarão relevantes, desde que evoluam junto com a tecnologia. O domínio de fundamentos, aliado ao uso inteligente da IA, será o diferencial competitivo”, ressalta.

Essa visão já vem sendo aplicada dentro da Codeminer42. A empresa investe continuamente na formação e atualização de seus engenheiros de software para preparar as equipes para um mercado onde a inteligência artificial faz parte do desenvolvimento de soluções.

Segundo Carlos Lopes, sócio e diretor de novos negócios da companhia, a capacitação permanente tornou-se um fator decisivo para manter a competitividade da empresa.

“A capacitação de profissionais tem sido fundamental para o crescimento sustentável da empresa e para a manutenção da excelência na entrega. Por isso, temos diversas iniciativas e programas internos para garantir que o time esteja sempre à frente nessa nova era”, afirma.

A inteligência artificial já faz parte da rotina das empresas

Os números mostram que a adoção da inteligência artificial deixou de ser tendência para se tornar realidade.

Dados do AI Index Report 2026, elaborado pela Universidade de Stanford, indicam que a inteligência artificial generativa alcançou 53% de adoção entre a população em apenas três anos. No ambiente corporativo, esse percentual chega a 88%, demonstrando a velocidade com que as organizações vêm incorporando essas ferramentas em seus processos.

O estudo também aponta ganhos de produtividade entre 14% e 26% em atividades como atendimento ao cliente, desenvolvimento de software e programação.

Esse avanço ajuda a explicar por que empresas de diversos setores passaram a investir fortemente em soluções baseadas em inteligência artificial, não apenas para reduzir custos, mas também para ampliar eficiência, acelerar processos e melhorar a tomada de decisões.

Na avaliação de especialistas, a tendência é que essa transformação continue nos próximos anos, criando novas oportunidades profissionais ao mesmo tempo em que redefine competências exigidas pelo mercado.

Mais do que substituir trabalhadores, a inteligência artificial passa a atuar como uma tecnologia capaz de potencializar talentos, automatizar tarefas repetitivas e permitir que profissionais concentrem esforços em atividades que exigem criatividade, análise crítica e pensamento estratégico.

Nesse cenário, dominar ferramentas de IA e aprender a trabalhar em parceria com agentes inteligentes tende a ser um dos principais diferenciais competitivos para profissionais e empresas na próxima década.

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