Escritórios em São Paulo têm menor vacância em 14 anos e tornam planejamento uma decisão estratégica

O mercado corporativo de escritórios de alto padrão em São Paulo começou 2026 com a menor taxa de vacância dos últimos 14 anos, segundo levantamento da JLL. O índice chegou a 13,4% no primeiro trimestre, em um cenário de demanda ativa por espaços de qualidade, expansão de empresas e busca por maior eficiência operacional. Com a oferta mais disputada e os preços de locação em alta, a escolha de um novo escritório deixa de ser apenas uma decisão imobiliária e passa a exigir uma análise estratégica que considere custos, produtividade, localização, infraestrutura e experiência dos colaboradores.

O movimento ocorre em um momento em que empresas também reavaliam seus modelos de trabalho e a necessidade de presença física. Depois de anos marcados pela expansão do trabalho remoto e híbrido, parte das organizações voltou a ampliar a presença nos escritórios, seja pela dificuldade de gerenciamento de equipes à distância, seja pela necessidade de fortalecer a integração entre profissionais, preservar a cultura corporativa e estimular a colaboração.

Nesse contexto, o endereço escolhido pode influenciar diretamente o desempenho da operação. Para Dagoberto Salles, fundador e diretor da 360inova, especializada na escolha e implantação de escritórios corporativos, o principal erro dos gestores é observar apenas o valor do aluguel.

“Mais do que um espaço a ser ocupado, o local deve ser tratado como uma ferramenta de negócio”, afirma.

Mercado mais aquecido aumenta importância da escolha

A queda da vacância registrada pela JLL sinaliza um mercado mais aquecido para imóveis corporativos de alto padrão. Ao mesmo tempo, a valorização dos espaços aumenta a pressão sobre as empresas que precisam mudar, expandir ou reorganizar suas operações.

De acordo com o levantamento citado, o preço médio de locação avançou 8% em um ano. Isso significa que a decisão de trocar de endereço precisa considerar não apenas o valor mensal do contrato, mas o custo total da mudança e os impactos que o novo imóvel terá sobre a operação.

“Quando falamos dos custos envolvidos na mudança de uma empresa para um novo imóvel comercial, o entendimento das reais necessidades do negócio é primordial, pois além do aluguel, há o valor de obra, aumentando a necessidade de um planejamento de longo prazo, tendo em vista que os gestores irão comparar o custo total atual, com o custo total de um novo escritório”, analisa Salles.

A conta, portanto, vai muito além do aluguel. Obras de adaptação, mobiliário, infraestrutura de tecnologia, sistemas de segurança, manutenção, condomínio, deslocamento dos funcionários e eventuais custos de mudança também precisam entrar no planejamento.

Uma escolha aparentemente mais barata pode se tornar mais cara quando todos esses elementos são considerados. Da mesma forma, um imóvel com aluguel superior pode apresentar melhor relação custo-benefício caso reduza despesas de adaptação, facilite o acesso dos profissionais ou ofereça infraestrutura mais adequada.

Custo precisa ser analisado junto com pessoas

O preço continua sendo uma variável importante, mas não deve ser analisado isoladamente. Para Salles, uma escolha eficiente precisa equilibrar a necessidade de controlar despesas com a experiência proporcionada aos colaboradores.

“A chave para uma escolha assertiva é encontrar o equilíbrio entre estes dois temas, reduzir custos e trazer benefícios para o colaborador, tendo em vista que muitos negócios estão voltando ao modelo presencial devido à dificuldade de gerenciamento remoto das equipes”, explica.

O raciocínio ganha relevância porque o escritório passou a desempenhar funções diferentes das que tinha antes da popularização do trabalho híbrido. Se anteriormente o espaço era dimensionado principalmente para acomodar postos de trabalho, atualmente as empresas precisam considerar salas de reunião, ambientes colaborativos, áreas para interação, espaços de concentração e estruturas que estimulem a troca entre equipes.

A localização também influencia essa equação. Um escritório distante ou mal conectado pode aumentar o tempo de deslocamento, dificultar a contratação de profissionais e prejudicar a experiência dos funcionários. Por outro lado, uma localização adequada pode contribuir para a atração e retenção de talentos e facilitar reuniões com clientes e parceiros.

Por isso, a decisão sobre o imóvel deve estar relacionada à estratégia de pessoas da organização.

Diagnóstico deve vir antes do imóvel

Antes de começar a procurar um endereço, a empresa precisa entender como funciona sua própria operação. Quantas pessoas utilizam o escritório? Com que frequência? Quais equipes precisam trabalhar próximas? Quantas salas de reunião são necessárias? Existe previsão de crescimento? Há necessidade de áreas específicas para atendimento, treinamento ou armazenamento?

Essas perguntas fazem parte de um diagnóstico operacional que pode evitar erros de dimensionamento.

“Muitas empresas escolhem o escritório com base em percepção, quando o primeiro passo é entender o perfil da empresa, utilizando assim, informações concretas para definir localização, tamanho e formato da ocupação”, ressalta Salles.

A lógica é substituir decisões baseadas exclusivamente em percepção por informações concretas sobre o negócio. Uma empresa que projeta crescimento, por exemplo, pode precisar de flexibilidade para ampliar a ocupação. Outra, com equipes majoritariamente externas ou híbridas, talvez não necessite de uma estrutura convencional para todos os funcionários.

Sem esse diagnóstico, existe o risco de contratar um espaço maior do que o necessário e transformar áreas ociosas em custo fixo. Também pode ocorrer o contrário: uma empresa subdimensiona o escritório e, poucos meses depois, precisa investir novamente em obras ou buscar outro imóvel.

Os três C’s da escolha do escritório

Na metodologia defendida por Salles, a análise do escritório passa por três pilares: Comunicação, Coordenação e Cooperação. A chamada lógica dos 3 C’s procura explicar por que a presença física continua relevante para determinadas organizações, mesmo em um cenário de maior flexibilidade no trabalho.

A Comunicação está relacionada à facilidade de diálogo proporcionada pelo contato presencial. A convivência permite conversas espontâneas, leitura de expressões, troca rápida de ideias e interação que nem sempre ocorre com a mesma intensidade em ambientes exclusivamente digitais.

A Coordenação envolve a organização das atividades e dos fluxos de trabalho. A proximidade física pode facilitar alinhamentos, acelerar decisões e permitir que equipes resolvam problemas conjuntamente.

Já a Cooperação está relacionada ao esforço coletivo. O contato diário pode favorecer a troca de conhecimento, a construção de vínculos e o desenvolvimento de projetos que dependem da colaboração entre diferentes áreas.

Os três elementos ajudam a explicar por que o escritório não deve ser tratado apenas como uma estrutura imobiliária.

O espaço também comunica a marca

A função do escritório ultrapassa a necessidade de acomodar funcionários. O ambiente também pode representar a cultura e o posicionamento de uma empresa.

Arquitetura, localização, organização, tecnologia e estrutura podem influenciar a percepção de clientes, candidatos e parceiros. Um escritório pensado para receber investidores, por exemplo, possui necessidades diferentes de uma operação predominantemente industrial ou de uma empresa de tecnologia com forte demanda por espaços colaborativos.

Nesse sentido, o imóvel passa a funcionar como uma extensão física da marca.

“O escritório facilita a troca de conhecimentos, a colaboração espontânea e o famoso networking interno. A vivência diária no escritório ajuda a criar uma ‘comunidade’ de profissionais engajados. Empresas que entendem essa dinâmica não tratam o escritório apenas como um destino obrigatório, mas como uma ferramenta estratégica”, explica o fundador da 360inova.

Essa visão também altera a forma de avaliar o retorno de um imóvel. O benefício não está apenas na metragem disponível, mas na capacidade de aquela estrutura apoiar os objetivos da organização.

Mercado mais seletivo favorece imóveis eficientes

Além da menor vacância apontada pela JLL, dados do MarketBeat Office Q1 2026, elaborado pela Cushman & Wakefield, indicam um mercado mais seletivo e voltado para ativos com maior liquidez. Nesse cenário, imóveis modernos tendem a ganhar espaço nas decisões de empresas que buscam melhorar a qualidade de suas operações.

A movimentação estimula a migração para edifícios mais modernos e reforça a importância de avaliar a infraestrutura disponível.

Para as empresas, entretanto, modernidade não significa necessariamente contratar o maior ou mais sofisticado imóvel disponível. O desafio está em identificar quais características realmente contribuem para a operação.

Infraestrutura de internet, disponibilidade de energia, sistemas de segurança, acessibilidade, climatização, estacionamento, transporte público e capacidade de expansão podem ter impactos relevantes no funcionamento cotidiano.

Também é necessário avaliar se o imóvel comporta as necessidades tecnológicas e operacionais da empresa sem exigir investimentos excessivos em adaptações.

Dimensionamento pode proteger margem e produtividade

Um dos pontos mais sensíveis de uma mudança de escritório é o dimensionamento. O excesso de espaço representa custo, enquanto a falta dele pode gerar perda de produtividade e novas despesas.

Por isso, analisar o fluxo real de colaboradores é fundamental. Empresas com modelos híbridos, por exemplo, podem ter uma presença média diferente do número total de funcionários. Já organizações que exigem presença diária precisam considerar uma estrutura compatível com o quadro completo.

A previsão de crescimento também deve fazer parte da análise. O imóvel precisa acompanhar, dentro do possível, a evolução da empresa sem criar uma estrutura desnecessariamente grande desde o início.

Essa avaliação ajuda a equilibrar três dimensões que nem sempre são analisadas juntas: produtividade, cultura e margem financeira.

Escritório como serviço

A experiência de Dagoberto Salles no setor de tecnologia influenciou diretamente a criação da 360inova. Formado em Engenharia Eletrônica pela FEI, o executivo construiu parte da carreira em projetos de tecnologia da informação, outsourcing e terceirização de infraestrutura de redes para grandes empresas.

Nesse período, acompanhou uma transformação semelhante à que posteriormente identificaria no mercado imobiliário corporativo: atividades que antes eram realizadas internamente passaram a ser oferecidas como serviço, permitindo que as empresas concentrassem recursos em sua atividade principal.

A partir dessa lógica, Salles identificou uma oportunidade de aplicar o conceito ao ambiente corporativo.

A proposta da 360inova é oferecer o escritório como serviço, integrando etapas que normalmente ficam distribuídas entre diferentes fornecedores. Em vez de contratar o imóvel e depois administrar separadamente obra, mobiliário, tecnologia, manutenção e demais componentes, a empresa pode estruturar a implantação de maneira integrada.

A companhia atua como consultoria imobiliária especializada em escritórios corporativos e acompanha os clientes desde a escolha do imóvel até a implantação do espaço. Entre as alternativas estão locação tradicional, modelos Plug & Play e projetos desenvolvidos sob medida.

A proposta busca reduzir tempo, riscos e complexidade para empresas que precisam iniciar ou expandir uma operação.

Escolha precisa acompanhar estratégia de longo prazo

A decisão de mudar de escritório envolve compromissos que podem durar anos. Por isso, o planejamento não deve se limitar às necessidades atuais.

A empresa precisa considerar perspectivas de crescimento, alterações no modelo de trabalho, expansão de equipes, mudanças na estratégia comercial e possíveis transformações na forma de atender clientes.

Em um mercado no qual a vacância de escritórios de alto padrão em São Paulo chegou a 13,4%, encontrar um imóvel adequado pode exigir velocidade. Mas rapidez não deve significar falta de planejamento.

A pressão por preços e a concorrência pelos melhores ativos tornam ainda mais importante saber exatamente o que a empresa precisa antes de iniciar a negociação.

O escritório, nesse cenário, deixa de ser apenas uma despesa imobiliária. Ele pode influenciar custos, produtividade, relacionamento entre equipes, atração de talentos, experiência do cliente e percepção da marca.

Por isso, a decisão mais eficiente não necessariamente será escolher o imóvel mais barato ou o mais sofisticado. Será encontrar aquele que esteja alinhado ao modelo de negócio e seja capaz de sustentar a estratégia da empresa nos próximos anos.

Como resume Salles, a lógica é transformar a escolha do espaço em uma decisão baseada em dados, planejamento e objetivos empresariais, reduzindo o risco de que um endereço inadequado se transforme em um custo permanente para a organização.

Sobre Dagoberto Salles e a 360inova

Dagoberto Salles é fundador e diretor da 360inova. Formado em Engenharia Eletrônica pela FEI, desenvolveu parte de sua trajetória profissional na área de tecnologia da informação, com atuação em projetos de outsourcing e terceirização de infraestrutura de redes para grandes empresas.

A experiência no setor de tecnologia contribuiu para que identificasse oportunidades de aplicar o conceito de serviço ao mercado imobiliário corporativo.

Fundada com essa proposta, a 360inova atua na escolha e implantação de escritórios corporativos, oferecendo soluções que integram imóvel, projeto, obra, mobiliário, tecnologia, fornecedores e manutenção.

A empresa trabalha com locação tradicional, modelos Plug & Play e projetos personalizados, buscando simplificar a implantação e permitir que seus clientes concentrem esforços na operação principal.

Ao longo de mais de dez anos de atuação, Salles passou a defender uma abordagem na qual o escritório é tratado como parte da estratégia empresarial, e não apenas como uma estrutura física.

Compartilhe :
Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *