O Hospital Israelita Albert Einstein passa a ser o primeiro do Brasil a disponibilizar um exame de sangue para avaliação de concussão, desenvolvido pela Abbott e recentemente aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A tecnologia, já incorporada ao pronto-atendimento da instituição, promete apoiar decisões clínicas de forma mais rápida e objetiva, além de reduzir a realização de tomografias computadorizadas desnecessárias.
O teste mede simultaneamente dois biomarcadores cerebrais — UCH-L1 e GFAP — proteínas liberadas na corrente sanguínea após um trauma craniano. A análise é feita por meio de uma amostra de sangue venoso, procedimento simples e pouco invasivo, com processamento automatizado em plataforma de imunoensaios da Abbott.
Ferramenta objetiva para emergências
A principal inovação está na capacidade de oferecer aos médicos um dado laboratorial confiável para auxiliar na triagem de pacientes com suspeita de lesão cerebral traumática leve, como a concussão.
Quando o resultado é negativo, o exame pode ser utilizado para descartar a necessidade de tomografia computadorizada. Já em casos positivos, o teste complementa a avaliação por imagem e auxilia na definição da conduta médica.
Em ambientes de emergência, onde decisões precisam ser tomadas com rapidez, a tecnologia contribui para maior precisão diagnóstica, especialmente nas primeiras horas após o trauma.
“Esse é um avanço importante para a medicina de emergência e para a qualidade do cuidado, que combina tecnologia, eficiência e impacto real na experiência do paciente”, afirma Marcos Queiroz, diretor de Medicina Diagnóstica do Einstein.
Avaliação até 12 horas após o trauma
De acordo com o hospital, o exame pode ser aplicado em pacientes maiores de 18 anos atendidos até 12 horas após o trauma craniano. A janela temporal é estratégica, já que muitas concussões apresentam sintomas iniciais sutis, que podem evoluir nas horas seguintes.
O teste apresenta 96,7% de sensibilidade e 99,4% de valor preditivo negativo, índices considerados elevados para exames de triagem.
Segundo Cristóvão Mangueira, diretor de Medicina Laboratorial do Einstein, os dados reforçam a confiabilidade da ferramenta no apoio à decisão clínica, principalmente na exclusão de lesões traumáticas mais graves.
Além disso, a possibilidade de avaliar os níveis de GFAP e UCH-L1 auxilia na anamnese, no planejamento do tratamento e no acompanhamento da recuperação do paciente.
Impacto nas concussões e traumas leves
Lesões cerebrais traumáticas leves estão entre os atendimentos mais frequentes em prontos-socorros, especialmente em casos de quedas e acidentes automobilísticos. Segundo artigo publicado na National Library of Medicine, cerca de 69 milhões de pessoas sofrem algum tipo de lesão cerebral traumática por ano em todo o mundo.
A ausência ou o atraso no diagnóstico pode agravar quadros clínicos e prolongar sintomas como alterações motoras, sensoriais, déficits de memória e prejuízos cognitivos.
Com o novo exame, a expectativa é acelerar a identificação de casos que realmente necessitam de exames de imagem, ao mesmo tempo em que se evita exposição desnecessária à radiação e custos adicionais para o sistema de saúde.
Exame de sangue para o cérebro
A chegada da tecnologia ao Brasil atende a uma demanda antiga da comunidade médica por métodos menos invasivos e mais rápidos para avaliação de traumas cranianos leves.
Júlio Aderne, gerente geral da Divisão de Diagnóstico Laboratorial da Abbott no Brasil, destaca a relevância da novidade.
“Os profissionais de saúde aguardavam por um exame de sangue para o cérebro como este para ajudar a acelerar a taxa com que uma concussão pode ser descartada — ou confirmada, e que agora está sendo implementado. A partir de agora estes profissionais contarão com uma informação valiosa para um melhor diagnóstico, tomada de decisão e como resultado, o melhor tratamento possível”, afirma.
A iniciativa também reforça o papel da medicina diagnóstica baseada em biomarcadores como aliada da prática clínica, aproximando tecnologia laboratorial e atendimento emergencial.
Inovação no cuidado hospitalar
Com a implementação do exame, o Einstein amplia seu portfólio de soluções diagnósticas de alta complexidade e reforça a tendência de utilização de testes laboratoriais avançados para apoiar decisões médicas críticas.
A Abbott, empresa responsável pelo desenvolvimento da tecnologia, atua globalmente em diagnósticos, dispositivos médicos, nutrição e medicamentos de marca, estando presente no Brasil há quase 90 anos. A companhia emprega cerca de 2.800 colaboradores no país e mantém unidades produtivas no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte.
A introdução do teste no sistema hospitalar brasileiro representa um passo importante para a modernização do atendimento a pacientes com trauma craniano leve, aproximando o país de práticas adotadas em centros médicos internacionais.




