Equipamentos a bateria impulsionam eficiência, mobilidade e sustentabilidade em atividades agrícolas e agroindustriais
O avanço da tecnologia no campo tem impulsionado a adoção de ferramentas elétricas sem fio em atividades do agronegócio brasileiro. Equipamentos movidos a bateria vêm sendo incorporados por produtores e agroindústrias como alternativa às máquinas tradicionais a combustão, contribuindo para maior segurança operacional, eficiência e redução de impactos ambientais.
Segundo levantamento da Research and Markets, o mercado global de ferramentas elétricas sem fio deve crescer cerca de 6,85% ao ano até 2030, alcançando aproximadamente R$ 197,3 milhões. Na América Latina — que representa cerca de 9% do mercado global em 2024 — Brasil e México lideram a adoção dessas tecnologias.
Grande parte da demanda brasileira vem do agronegócio, setor que busca soluções capazes de aumentar a mobilidade em campo, melhorar a produtividade e reduzir o impacto ambiental das operações.
Agronegócio impulsiona adoção de ferramentas a bateria
De acordo com Paula Dani, CEO da Milwaukee Brasil, o uso de ferramentas elétricas a bateria tem se ampliado principalmente em atividades industriais ligadas à produção agrícola.
“Nas indústrias de máquinas agrícolas, por exemplo, as ferramentas a bateria elevam a segurança, a produtividade e otimizam o gerenciamento por meio da conectividade com o aplicativo de gestão One-Key”, explica a executiva.
Essas soluções permitem maior mobilidade para profissionais que atuam em manutenção, montagem e reparos em equipamentos agrícolas, especialmente em locais onde o acesso a energia elétrica é limitado.
Além disso, a substituição de ferramentas movidas a combustão por equipamentos a bateria reduz riscos de acidentes e diminui a possibilidade de queimadas provocadas por motores a gasolina.
Menor emissão de poluentes e mais eficiência
Outro fator que tem impulsionado a adoção dessas ferramentas é a redução da emissão de gases poluentes. Equipamentos a bateria substituem máquinas movidas a gasolina, tradicionalmente utilizadas no campo justamente pela mobilidade que oferecem.
Com o avanço da tecnologia de baterias, no entanto, ferramentas elétricas passaram a oferecer desempenho equivalente — ou superior — em muitas aplicações.
Segundo especialistas do setor, esses equipamentos também exigem menos manutenção, o que reduz custos operacionais e aumenta a eficiência das operações agrícolas.
Além disso, algumas ferramentas podem operar durante todo o dia com uma única unidade de energia, dependendo do tipo de aplicação. Modelos mais simples, por outro lado, podem exigir duas ou mais baterias para completar o mesmo volume de trabalho.
Tecnologia embarcada amplia desempenho
Um dos avanços tecnológicos no setor foi o desenvolvimento de baterias de íon-lítio com maior capacidade de armazenamento de energia.
A Milwaukee, por exemplo, introduziu no mercado as baterias REDLITHIUM™, projetadas para oferecer até quatro vezes mais autonomia em comparação com baterias tradicionais, além de sistemas inteligentes de proteção contra sobrecargas.
Essas baterias atendem diferentes necessidades do mercado, com versões de 12 e 18 volts voltadas para tarefas leves ou aplicações mais exigentes.
A empresa também desenvolveu a linha MX FUEL™, composta por equipamentos destinados a atividades pesadas, como marteletes, torres de iluminação e cortadoras de concreto.
Essas soluções foram projetadas para substituir máquinas a combustão, oferecendo mais mobilidade e reduzindo impactos ambientais, sem comprometer o desempenho necessário para atividades industriais ou agrícolas.
Além da autonomia, a tecnologia embarcada nesses equipamentos permite manter níveis elevados de torque e potência por períodos mais longos, garantindo maior confiabilidade durante as operações.
Aplicação prática no agronegócio
A adoção dessas tecnologias já pode ser observada em empresas do setor agrícola.
A Baldan, referência nacional na fabricação de máquinas e implementos agrícolas, é uma das empresas que passaram a utilizar ferramentas sem fio em suas operações.
Segundo Leandro Maria, gerente de pós-vendas da companhia, os equipamentos têm sido utilizados principalmente em atividades realizadas pelas equipes de suporte técnico.
Entre elas estão os chamados “Caminhões Oficina”, unidades móveis que prestam atendimento direto no campo para manutenção e reparo de equipamentos agrícolas.
“O objetivo é elevar ainda mais o padrão de agilidade e precisão nos reparos e montagens de equipamentos agrícolas”, afirmou o executivo.
Tendência de modernização no campo
Especialistas apontam que a adoção de ferramentas elétricas sem fio faz parte de um movimento mais amplo de modernização das operações agrícolas.
Nos últimos anos, o agronegócio brasileiro tem incorporado tecnologias voltadas à automação, conectividade e sustentabilidade, transformando a forma como as atividades no campo são realizadas.
Nesse contexto, equipamentos mais eficientes, seguros e com menor impacto ambiental tendem a ganhar espaço tanto nas propriedades rurais quanto nas agroindústrias.
Com a expansão do mercado e o avanço das tecnologias de bateria, a expectativa é que ferramentas elétricas continuem ampliando sua presença no agronegócio nos próximos anos, acompanhando o processo de transformação digital e sustentável do setor.




