IBEF-PR alerta que fim da jornada 6×1 pode gerar impacto de até R$ 267 bilhões por ano na economia

Entidade defende transição estruturada para evitar demissões, perda de competitividade e pressão inflacionária

O Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Paraná (IBEF-PR) divulgou nesta terça-feira (25) uma análise técnica sobre os impactos econômicos da possível substituição da jornada 6×1 pelo modelo 5×2, com redução da carga semanal de 44 para 40 horas. Segundo a entidade, a mudança pode gerar aumento de custos de até R$ 267,2 bilhões por ano às empresas brasileiras, pressionando o mercado de trabalho, investimentos e preços ao consumidor.

O debate ocorre em meio à tramitação de propostas legislativas que discutem a reorganização da jornada semanal no país. Para o IBEF-PR, embora a pauta envolva aspectos legítimos de qualidade de vida e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, a alteração exige avaliação técnica aprofundada para evitar efeitos adversos na economia.

Custos empresariais podem chegar a R$ 267 bilhões

Estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que a redução da jornada pode elevar os custos empresariais em até R$ 267,2 bilhões anuais, o equivalente a cerca de 7% da folha de pagamento formal no país. Em cenários alternativos, que consideram reorganização de escalas ou compensações por horas extras, o impacto ainda seria significativo, na ordem de R$ 178 bilhões por ano.

Setores intensivos em mão de obra, como comércio, serviços, construção civil e indústria de transformação, tendem a sentir os efeitos de forma mais intensa, especialmente aqueles com margens operacionais reduzidas.

A Confederação Nacional do Comércio (CNC) também avalia que parte desses custos pode ser repassada ao consumidor final, gerando pressão adicional sobre os preços de bens e serviços. Em um ambiente ainda sensível à inflação e ao ritmo da atividade econômica, o aumento estrutural da folha salarial pode influenciar decisões de expansão e contratação.

Impactos variam conforme produtividade

Por outro lado, análises técnicas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que os impactos podem ser moderados em determinados segmentos caso haja ganhos de produtividade e reorganização eficiente dos processos produtivos.

Esse ponto reforça que os efeitos da mudança não seriam homogêneos. Empresas com maior capacidade de investir em tecnologia, inovação e automação tendem a absorver melhor a redução de jornada. Já micro e pequenas empresas podem enfrentar maiores dificuldades para equilibrar custos.

Segundo o IBEF-PR, a principal preocupação está na relação entre horas trabalhadas e produtividade. Sem incremento proporcional de eficiência, a redução da carga horária pode elevar o custo unitário da produção e afetar a competitividade brasileira, especialmente em setores expostos à concorrência internacional.

Emprego e competitividade em pauta

Na avaliação da entidade, um aumento estrutural das despesas trabalhistas pode levar empresas a rever planos de contratação formal, ampliar processos de automação ou ajustar preços.

O presidente do IBEF-PR, Carlos Peres, destaca a necessidade de cautela. “A discussão sobre a jornada 6×1 é legítima e envolve dimensões sociais relevantes. No entanto, é fundamental avaliar com profundidade os impactos macroeconômicos, setoriais e fiscais antes de qualquer decisão. Mudanças estruturais exigem previsibilidade, segurança jurídica e tempo adequado de adaptação”, afirmou.

Ele acrescenta que o Brasil enfrenta desafios simultâneos de crescimento econômico, produtividade e geração de empregos formais. “A eventual transição para um novo modelo de jornada deve vir acompanhada de estímulos à inovação, qualificação profissional e modernização da gestão empresarial. O equilíbrio entre proteção ao trabalhador e sustentabilidade das empresas é condição essencial para que a economia avance de forma sólida”, concluiu.

Debate envolve qualidade de vida e sustentabilidade econômica

O IBEF-PR reconhece que a melhoria na qualidade de vida pode gerar efeitos positivos no médio e longo prazo, como redução do absenteísmo, maior engajamento e possível aumento de produtividade por hora trabalhada. Experiências internacionais indicam que resultados satisfatórios dependem de planejamento, transição gradual e políticas de apoio à modernização produtiva.

Para a entidade, a discussão deve considerar tanto os ganhos sociais quanto os riscos econômicos, garantindo que a mudança ocorra de forma estruturada e sustentável.

Com mais de 40 anos de atuação, o IBEF Paraná reúne executivos de finanças de diversos setores e atua por meio de comitês técnicos que promovem debates sobre desenvolvimento econômico, tributação, inovação e ESG.

Diante do cenário atual, a entidade reforça que qualquer alteração estrutural na jornada de trabalho deve ser acompanhada de medidas que fortaleçam produtividade, competitividade e geração de empregos, evitando efeitos inflacionários e impactos negativos sobre o mercado formal.

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