Obra de André Conejo reúne 41 princípios e um framework autoral para discutir liderança, estratégia, comunicação e governança a partir da experiência corporativa e de conceitos da Biologia
A ideia de que alguns profissionais simplesmente nascem com o perfil necessário para liderar é colocada em xeque pelo especialista em liderança, estratégia e governança corporativa André Conejo, autor de Ultimate Corporate Leader: 41 princípios para formar líderes extraordinários e transformar organizações. Publicado pela Alta Books, o livro apresenta a liderança como uma competência que pode ser desenvolvida, aperfeiçoada e adaptada de acordo com as pessoas e os contextos envolvidos. A proposta reúne pesquisas acadêmicas, experiências acumuladas ao longo de quase duas décadas no ambiente corporativo e conceitos da Biologia, área de formação do autor.
A obra parte de uma questão recorrente no mundo empresarial: por que organizações que investem em formação, tecnologia e processos continuam enfrentando problemas de liderança? Para Conejo, parte da resposta está na dificuldade de transformar conhecimento em prática e na persistência da crença de que liderar seria um talento natural reservado a poucas pessoas.
Com passagem por empresas como iFood, XP e Whirlpool, além de experiência como professor, pesquisador, mentor e conselheiro, o autor propõe um olhar diferente sobre o tema. Em vez de concentrar a análise exclusivamente na figura do chefe, ele defende que a liderança deve ser compreendida como um fenômeno relacional, influenciado simultaneamente pelo líder, pelo liderado e pelo ambiente em que a relação acontece.
Liderança além do cargo
Em Ultimate Corporate Leader, Conejo questiona uma visão tradicional segundo a qual ocupar uma posição de comando seria suficiente para transformar alguém em líder. Para o especialista, autoridade formal e liderança não são necessariamente sinônimos.
A capacidade de conduzir pessoas depende da construção de legitimidade, da leitura do cenário e da habilidade de adaptar comportamentos às circunstâncias. Um profissional pode ter um cargo de liderança e, ainda assim, não conseguir mobilizar sua equipe.
É nesse contexto que aparece um dos conceitos centrais da obra, chamado de “Tríade da Liderança”. O modelo considera três elementos inseparáveis: o líder, o liderado e o contexto.
A comparação utilizada pelo autor é com uma orquestra. Explicar o resultado de uma apresentação apenas pela atuação do maestro seria insuficiente, porque a música também depende dos músicos, da interação entre eles e das condições em que a apresentação acontece.
Na visão de Conejo, o mesmo princípio pode ser aplicado às empresas. O comportamento de uma equipe não depende exclusivamente das características de quem ocupa a posição de comando. Pessoas diferentes respondem de maneiras diferentes aos mesmos estímulos, enquanto ambientes organizacionais também apresentam necessidades distintas.
Por isso, uma estratégia de liderança que funciona em determinado cenário pode não produzir o mesmo resultado em outro.
Essa percepção também ajuda a explicar o conceito apresentado pelo autor como “Síndrome do Martelo”, associado à tendência de utilizar repetidamente a mesma solução independentemente do problema encontrado. Para Conejo, liderar exige capacidade de diagnóstico antes da tomada de decisão.
Um biólogo no mundo corporativo
A trajetória profissional do autor ajuda a explicar a abordagem adotada no livro. Formado em Biologia pela Unicamp, Conejo levou para o ambiente empresarial uma maneira de observar sistemas, comportamentos e relações que aprendeu durante sua formação acadêmica.
Sua carreira reúne experiências em organizações de diferentes segmentos, incluindo tecnologia, mercado financeiro e bens de consumo. Ao longo de aproximadamente duas décadas, passou por posições estratégicas em empresas como iFood, XP e Whirlpool.
Também concluiu mestrado em Administração pelo Insper e atualmente é doutorando na FEA-USP. Sua atuação inclui ainda docência em cursos de MBA na FIA Business School, além de trabalhos como advisor, mentor de executivos e conselheiro em temas relacionados a estratégia, transformação, sucessão e governança.
A combinação entre ciência e experiência empresarial é uma das características que sustentam a proposta da obra.
Conejo defende que existe uma distância entre a teoria produzida pela academia e os desafios encontrados diariamente pelos executivos. Para ele, é necessário aproximar esses dois universos.
A ideia é resumida na afirmação de que “falta mais prática na Academia e mais teoria no mundo executivo”.
A partir dessa perspectiva, o autor assume uma posição semelhante à de um “antropólogo corporativo”, observando os comportamentos, relações e estruturas que influenciam as organizações.
Os quatro pilares da Mandala da Liderança
A estrutura central do livro é a chamada Mandala da Liderança, framework desenvolvido pelo próprio Conejo para organizar os diferentes elementos necessários ao exercício da liderança.
O modelo reúne 41 princípios distribuídos em quatro grandes pilares. Cada um deles aborda uma dimensão específica do trabalho de quem ocupa posições de liderança.
O primeiro é o Implacável Estrategista, voltado à capacidade de interpretar cenários, identificar possibilidades e estabelecer uma direção para a organização ou para a equipe.
Nesse papel, o líder precisa compreender não apenas os objetivos imediatos, mas também as forças que influenciam o ambiente de negócios. Mudanças no comportamento dos consumidores, movimentos dos concorrentes, novas tecnologias e transformações econômicas podem exigir ajustes constantes na estratégia.
O segundo pilar é o Arquiteto da Performance, relacionado à formação e ao desenvolvimento de equipes de alto desempenho.
A proposta não é criar uma estrutura dependente permanentemente do líder. Ao contrário, um dos objetivos é desenvolver profissionais capazes de tomar decisões, assumir responsabilidades e sustentar os resultados mesmo quando o gestor não está diretamente envolvido em cada atividade.
Essa lógica leva a uma provocação importante: quanto mais madura uma equipe se torna, menos ela precisa depender da intervenção constante de seu líder.
O terceiro pilar é o Articulado Comunicador, que trata da comunicação como instrumento de influência.
Em ambientes corporativos, comunicar não significa apenas transmitir informações. A maneira como uma mensagem é construída, apresentada e contextualizada pode influenciar decisões, gerar alinhamento ou provocar resistência.
Para o líder, portanto, comunicação precisa ser entendida como uma competência estratégica.
O quarto pilar é o Sábio Diplomata, que aborda a política organizacional e as relações de poder existentes dentro das empresas.
Projetos não avançam somente porque apresentam bons argumentos técnicos. Dependem também de alianças, interesses, capacidade de negociação e compreensão das dinâmicas internas.
Ao incluir essa dimensão no framework, o autor amplia a discussão sobre liderança para além das competências comportamentais tradicionalmente abordadas em programas corporativos.
O que a Biologia pode ensinar aos líderes
Outro diferencial da obra está na utilização de conceitos da Biologia para interpretar comportamentos humanos e organizacionais.
Conejo utiliza fenômenos observados na natureza como ferramentas para refletir sobre diferentes formas de exercer autoridade e conquistar legitimidade.
Um dos exemplos envolve dois modelos de ascensão ao poder observados em diferentes espécies. O primeiro é relacionado à dominância dos babuínos, baseada em força e controle. Esse tipo de comportamento pode ser eficiente em situações de crise aguda, nas quais decisões rápidas e centralizadas são necessárias.
O segundo modelo é associado ao prestígio dos elefantes, cuja liderança está mais relacionada à experiência, ao conhecimento e à capacidade de orientar o grupo.
A comparação não pretende transformar organizações em cópias de sociedades animais, mas utilizar princípios de comportamento como lentes para analisar determinadas dinâmicas humanas.
A partir dessa abordagem, o livro questiona a ideia de que existe um único modelo ideal de liderança.
Dependendo do contexto, diferentes comportamentos podem ser necessários. Um cenário de emergência pode exigir uma postura mais diretiva, enquanto uma transformação cultural de longo prazo pode demandar escuta, influência e construção de confiança.
Liderança como competência treinável
Ao rejeitar a ideia do “gestor nato”, a obra também propõe uma mudança na maneira como empresas podem desenvolver seus líderes.
Se liderança é uma disciplina, então pode ser estudada, praticada, medida e aperfeiçoada.
Isso significa que programas de desenvolvimento executivo não deveriam se limitar à transmissão de conceitos. A aplicação prática, a observação de comportamentos e a capacidade de adaptar decisões aos diferentes contextos também fazem parte da formação.
A experiência acumulada por Conejo em empresas de diferentes setores contribui para essa perspectiva. Ao observar organizações familiares, multinacionais e empresas de tecnologia, o autor identifica diferenças importantes nas estruturas de poder, nos processos decisórios e nos desafios enfrentados pelos líderes.
Ainda assim, alguns princípios permanecem relevantes independentemente do segmento.
Entre eles estão a capacidade de definir direção, formar equipes, comunicar decisões, compreender interesses e adaptar o comportamento diante de diferentes cenários.
Para quem o livro é indicado
Ultimate Corporate Leader foi desenvolvido para profissionais em diferentes momentos da carreira.
O conteúdo pode interessar tanto a gestores que estão começando a assumir posições de liderança quanto a executivos mais experientes, integrantes de conselhos, empreendedores e profissionais envolvidos com empresas familiares.
A proposta também dialoga com organizações que enfrentam processos de transformação e precisam preparar suas lideranças para ambientes mais complexos.
Em um cenário no qual inteligência artificial, mudanças tecnológicas e novos modelos de negócios alteram rapidamente as estruturas corporativas, a capacidade de liderança passa a envolver também a adaptação constante.
O livro, nesse sentido, não trata liderança como uma posição estática, mas como uma prática que precisa acompanhar as transformações da organização e do mercado.
Livro marca início de uma nova série
Ultimate Corporate Leader representa a estreia de André Conejo no mercado editorial e faz parte de um projeto mais amplo dedicado à discussão sobre liderança e organizações.
O autor também prepara uma série de livros voltada aos impactos da inteligência artificial nas empresas. A proposta é continuar explorando como mudanças tecnológicas interferem nos modelos de gestão, nas relações profissionais e nas decisões estratégicas.
A trajetória acadêmica e empresarial do especialista serve como base para essa agenda de estudos, que procura aproximar conceitos científicos dos desafios enfrentados por executivos.
Ao colocar a liderança no campo das competências desenvolvíveis, Conejo propõe uma mudança de perspectiva: em vez de procurar profissionais que supostamente já nasceram preparados para comandar, organizações podem investir na formação sistemática de pessoas capazes de interpretar cenários, construir relações e conduzir transformações.
Ficha técnica
Título: Ultimate Corporate Leader: 41 princípios para formar líderes extraordinários e transformar organizações
Autor: André Conejo
Editora: Alta Books
ISBN: 978-85-508-2898-5
Páginas: 272
Preço: R$ 74,90
Onde encontrar: Amazon, site da Alta Books e livrarias de todo o país.
Sobre André Conejo
André Conejo atua nas áreas de liderança, estratégia e transformação organizacional. Biólogo formado pela Unicamp, construiu uma trajetória profissional de aproximadamente duas décadas em posições estratégicas de empresas de diferentes segmentos, entre elas iFood, XP e Whirlpool.
É mestre em Administração pelo Insper, doutorando na FEA-USP, professor de MBA na FIA Business School e conselheiro certificado pelo IBGC.
Atualmente, trabalha como advisor, mentor de alta liderança e conselheiro em temas como estratégia, transformação, sucessão e governança.
Sua experiência combina formação científica, atuação executiva e pesquisa acadêmica, base que também orienta a abordagem apresentada em Ultimate Corporate Leader.




