Uma fase frequentemente invisibilizada da vida feminina começa a ganhar maior atenção da ciência e da prática clínica. A perimenopausa, período de transição que antecede a menopausa, pode representar uma janela crítica de maior vulnerabilidade ao ganho de peso, ao acúmulo de gordura abdominal e ao aumento do risco de doenças cardiovasculares. O alerta vem de uma pesquisa internacional recente, publicada na revista American Journal of Preventive Cardiology, que aponta que as mudanças corporais dessa etapa vão além de hábitos de vida e estão fortemente associadas a alterações hormonais e metabólicas.
O estudo indica que, mesmo quando o ganho de peso total é discreto, ocorrem transformações relevantes na composição corporal. A principal delas é o aumento da gordura visceral, localizada na região abdominal e diretamente associada a inflamação crônica, resistência à insulina e maior risco cardiovascular. Ao mesmo tempo, há redução da gordura periférica, como aquela acumulada em quadris e coxas, considerada metabolicamente mais protetora.
Para especialistas, os achados ajudam a explicar uma queixa recorrente entre mulheres que atravessam essa fase da vida: a sensação de que o corpo muda sem que haja alterações significativas na alimentação ou na rotina de exercícios.
“Muitas mulheres chegam ao consultório relatando mudanças corporais que parecem desproporcionais aos hábitos de vida. Este estudo ajuda a mostrar que não se trata apenas de estilo de vida, mas de um período de grande transformação hormonal e metabólica que precisa ser compreendido com mais sensibilidade”, afirma Alexandra Ongaratto, médica especializada em ginecologia endócrina e climatério e diretora técnica do Instituto GRIS.
Mudanças hormonais e impacto no metabolismo
A perimenopausa é marcada por oscilações hormonais intensas, especialmente na produção de estrogênio e progesterona. Essas variações afetam diretamente o metabolismo energético, a distribuição da gordura corporal, o apetite e até a forma como o organismo responde ao estresse e ao sono irregular.
Segundo os pesquisadores, essas alterações criam um ambiente fisiológico mais propenso ao ganho de gordura abdominal, independentemente do envelhecimento cronológico. Isso significa que mulheres na mesma faixa etária, mas em fases hormonais diferentes, podem apresentar riscos metabólicos distintos.
Além disso, fatores como piora da qualidade do sono, maior fadiga, alterações de humor e redução do nível de atividade física, comuns nessa fase, potencializam esse cenário. O resultado é um aumento silencioso do risco cardiometabólico, muitas vezes percebido apenas anos depois, já na pós-menopausa.
Realidade brasileira amplia o alerta
Embora o estudo tenha sido conduzido em contexto internacional, seus resultados dialogam diretamente com a realidade brasileira. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estimam que cerca de 30 milhões de mulheres no Brasil estejam na faixa etária do climatério e da menopausa, o que representa aproximadamente 7,9% da população feminina.
Apesar da expressividade desse número, o acesso ao diagnóstico e ao acompanhamento especializado ainda é limitado. Informações divulgadas pela Agência Senado apontam que apenas cerca de 238 mil mulheres receberam diagnóstico relacionado a essa fase pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ao mesmo tempo, a revista científica Climacteric indica que 82% das brasileiras no climatério apresentam sintomas que impactam diretamente a qualidade de vida.
Esse contraste revela um cenário de subdiagnóstico e pouca valorização clínica da perimenopausa, frequentemente tratada apenas como um período de “transição natural”, sem a devida atenção aos riscos associados.
Medicamentos e maior sensibilidade metabólica
Outro ponto relevante destacado pelo estudo é a maior sensibilidade do organismo feminino durante a perimenopausa a determinados medicamentos. A pesquisa apresenta um caso clínico que sugere que fármacos geralmente associados a ganhos de peso leves podem ter efeitos metabólicos mais intensos quando utilizados nessa fase da vida.
Para Alexandra Ongaratto, esse é um aspecto que exige atenção redobrada. “A perimenopausa é uma janela de maior sensibilidade do organismo. Intervenções medicamentosas, mudanças emocionais e alterações na rotina podem ter impactos metabólicos mais intensos do que em outras fases da vida. Por isso, o cuidado precisa ser individualizado e atento ao contexto da mulher”, explica.
A médica destaca que esse acompanhamento personalizado é fundamental para evitar que tratamentos necessários acabem agravando riscos como obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares.
Uma fase ainda sub-reconhecida na prevenção
Os autores da pesquisa reforçam que a perimenopausa ainda é pouco reconhecida como uma janela crítica de cuidado preventivo. Na prática, muitas mulheres só recebem maior atenção clínica após a instalação da menopausa, quando parte dos riscos já se consolidou.
Segundo especialistas, identificar precocemente as mudanças hormonais e metabólicas permite intervenções mais eficazes, como ajustes na alimentação, incentivo à prática de atividade física adequada, monitoramento do perfil lipídico e glicêmico, além de estratégias para manejo do estresse e do sono.
“Quando a mulher entende que essa fase envolve mudanças fisiológicas reais, ela consegue buscar apoio com menos culpa e mais consciência. O acompanhamento adequado permite antecipar riscos, ajustar hábitos e preservar a saúde cardiovascular e metabólica ao longo dos anos”, destaca Alexandra.
Informação e acompanhamento como estratégia de proteção
Diante desse cenário, cresce a recomendação por acompanhamento clínico regular durante a perimenopausa, mesmo na ausência de sintomas intensos. Avaliações periódicas permitem identificar alterações metabólicas precoces e orientar decisões sobre estilo de vida e uso de medicamentos.
Especialistas reforçam que a prevenção nessa fase pode reduzir significativamente o risco de obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares ao longo da vida. Mais do que tratar sintomas isolados, o objetivo é preservar a saúde e a qualidade de vida a longo prazo.
A ampliação do debate público sobre a perimenopausa também é vista como essencial para combater estigmas, reduzir a desinformação e estimular mulheres a procurarem cuidado especializado sem receio ou julgamento.
Cuidado integral à saúde feminina
Inserido nesse contexto, o Instituto GRIS atua com foco no cuidado integral da saúde feminina. Sediado em Curitiba, o instituto é reconhecido como o primeiro Centro Clínico Ginecológico do Brasil, reunindo tecnologias avançadas e uma abordagem especializada para o cuidado da saúde íntima e hormonal da mulher.
Com uma proposta que combina inovação, ciência e atenção individualizada, o instituto busca apoiar mulheres em diferentes fases da vida, ajudando-as a compreender seu corpo e a assumir protagonismo em suas jornadas de saúde.
A crescente produção científica sobre a perimenopausa reforça uma mensagem central: compreender essa fase não é apenas uma questão de conforto, mas de prevenção e saúde a longo prazo. Reconhecer os sinais, buscar acompanhamento e adotar estratégias precoces pode fazer a diferença na qualidade de vida das mulheres nos anos seguintes.




