Com o prazo final para entrega da declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) marcado para 29 de maio, milhões de brasileiros acompanham a expectativa de receber a restituição da Receita Federal. Mais do que um simples dinheiro extra, especialistas avaliam que o valor pode representar uma oportunidade importante para reorganizar o orçamento, reduzir dívidas e recuperar o equilíbrio financeiro em meio ao cenário recorde de endividamento das famílias no país.
O pagamento do primeiro lote da restituição coincide justamente com os últimos dias para envio da declaração, movimentando contribuintes que aguardam a devolução de valores pagos a mais ao longo do ano-base.
Em 2025, a Receita Federal devolveu mais de R$ 36 bilhões em restituições. Para 2026, a expectativa é receber cerca de 44 milhões de declarações, com aproximadamente 80% dos pagamentos concentrados já nos dois primeiros lotes.
O cenário chama atenção especialmente diante do aumento do endividamento da população brasileira. Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontam que 80,9% das famílias brasileiras possuíam algum tipo de dívida em abril deste ano, maior índice já registrado pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
Especialistas alertam para uso consciente da restituição
Embora muitos brasileiros enxerguem a restituição como uma oportunidade de consumo imediato, especialistas em finanças pessoais reforçam que o recurso pode ter impacto muito mais positivo quando utilizado de forma estratégica.
Segundo Marcelo Higuchi, gerente sênior de estratégia da 99Pay, a restituição pode funcionar como um importante instrumento de reorganização financeira, principalmente em um cenário econômico marcado pelo alto comprometimento da renda familiar.
“Em um cenário de endividamento elevado, qualquer entrada adicional de dinheiro pode ser uma oportunidade importante para reorganizar as finanças. Como esse valor costuma ser percebido como um ganho inesperado, existe uma tendência maior ao consumo impulsivo. O desafio é justamente equilibrar satisfação imediata e planejamento financeiro”, afirma Higuchi.
O executivo destaca que decisões simples podem gerar efeitos relevantes no médio e longo prazo, trazendo mais estabilidade ao orçamento doméstico.
“Antes de gastar, vale refletir sobre prioridades. Quitar dívidas mais caras, reservar parte do valor para emergências ou depositar o dinheiro em uma conta com lucratividade diária são caminhos que ajudam a trazer mais estabilidade financeira”, complementa.
Dívidas seguem como principal problema financeiro das famílias
O crescimento do endividamento no Brasil tem sido acompanhado de perto por especialistas e instituições financeiras.
O cartão de crédito continua liderando a lista das principais modalidades de dívida entre os brasileiros, seguido por carnês, financiamentos e crédito pessoal. Em muitos casos, os juros elevados acabam agravando rapidamente o desequilíbrio financeiro.
Nesse contexto, utilizar a restituição para quitar débitos pode representar uma economia significativa no orçamento mensal.
Segundo especialistas, dívidas com juros mais altos devem ser priorizadas, especialmente aquelas relacionadas ao rotativo do cartão de crédito e cheque especial, modalidades que possuem algumas das taxas mais elevadas do mercado.
Além de aliviar o orçamento, a redução das dívidas também melhora o planejamento financeiro e diminui o risco de inadimplência nos próximos meses.
Reserva de emergência ganha importância
Outro ponto reforçado pelos especialistas é a necessidade de fortalecer a chamada reserva de emergência, considerada fundamental para lidar com imprevistos sem comprometer o orçamento familiar.
A recomendação é que parte da restituição seja direcionada para aplicações seguras e de liquidez diária, permitindo acesso rápido ao dinheiro em caso de necessidade.
Nos últimos anos, contas digitais e plataformas financeiras passaram a oferecer opções de rendimento atreladas ao CDI, permitindo que o dinheiro mantenha rentabilidade enquanto permanece disponível para saque.
Segundo Higuchi, criar uma reserva financeira é uma das formas mais eficientes de reduzir vulnerabilidades econômicas.
Mesmo valores menores, quando guardados de forma contínua, ajudam a construir maior segurança financeira ao longo do tempo.
Planejamento evita novos apertos financeiros
Especialistas também orientam os contribuintes a aproveitarem a restituição para antecipar despesas previsíveis que costumam impactar o orçamento nos próximos meses.
Gastos como IPTU, IPVA, material escolar, seguros, manutenção de veículos e despesas de fim de ano frequentemente geram dificuldades financeiras para famílias que não conseguem se planejar com antecedência.
Reservar parte do valor recebido para essas despesas futuras pode evitar o uso excessivo do crédito e impedir o acúmulo de novas dívidas.
O planejamento financeiro também contribui para ampliar a previsibilidade do orçamento familiar, reduzindo o impacto de despesas sazonais.
Restituição também pode ajudar em projetos pessoais
Embora a prioridade recomendada seja o equilíbrio financeiro, especialistas afirmam que a restituição também pode ser utilizada para objetivos pessoais e profissionais, desde que o contribuinte mantenha o controle do orçamento.
Cursos de qualificação, pequenas reformas, viagens planejadas ou investimentos em desenvolvimento profissional aparecem entre os exemplos mais indicados para utilização consciente do recurso.
A recomendação é evitar decisões impulsivas e avaliar se o gasto está alinhado à realidade financeira da família.
Segundo especialistas, o ideal é buscar equilíbrio entre consumo, segurança financeira e realização de metas pessoais.
Educação financeira se torna ferramenta essencial
O aumento do endividamento no Brasil também reforça a importância da educação financeira no cotidiano da população.
Nos últimos anos, bancos digitais, fintechs e plataformas financeiras passaram a investir em conteúdos educativos voltados ao planejamento financeiro e à organização do orçamento.
A 99Pay, conta digital da 99, mantém iniciativas como a plataforma “Simplificando – Finanças sem Enrolação”, desenvolvida em parceria com a Me Poupe!, além da série “Dinheiro Delas”, disponível no YouTube.
Segundo Marcelo Higuchi, o acesso à informação financeira pode ajudar consumidores a desenvolver hábitos mais saudáveis em relação ao dinheiro.
“Organização financeira não precisa ser um processo complicado ou distante da realidade das pessoas. Pequenas decisões mais conscientes no dia a dia já podem trazer impactos positivos no orçamento e ajudar consumidores a construírem uma relação mais saudável com o dinheiro”, finaliza.
Tecnologia amplia acesso a soluções financeiras
O crescimento das contas digitais e aplicativos financeiros também mudou a forma como brasileiros lidam com planejamento financeiro.
Hoje, plataformas digitais oferecem recursos de controle de gastos, rendimento automático, transferências instantâneas e investimentos simplificados, ampliando o acesso da população a ferramentas antes restritas a clientes de maior renda.
Especialistas apontam que a digitalização financeira vem contribuindo para aumentar a inclusão bancária no país e facilitar o acesso da população a produtos financeiros mais acessíveis.
Ao mesmo tempo, cresce a necessidade de educação financeira para que consumidores utilizem essas ferramentas de forma consciente e estratégica.
Sobre a 99
A 99 é uma empresa de tecnologia voltada à mobilidade, conveniência e soluções digitais para o dia a dia dos brasileiros. Integrante do grupo global DiDi Global Inc., a companhia oferece serviços de transporte, pagamentos digitais e delivery por meio de um único aplicativo.




