Leroy Merlin aposta em inteligência artificial para formar jovens líderes do varejo

A Leroy Merlin decidiu colocar a inteligência artificial no centro da formação de sua nova geração de talentos. O Programa de Trainee 2026 da varejista reúne 36 jovens profissionais desafiados a utilizar a tecnologia para desenvolver soluções aplicáveis às áreas de Loja e Supply Chain, com potencial para melhorar processos internos, fortalecer a experiência dos clientes e gerar impacto direto nos resultados do negócio.

A iniciativa surge em um momento em que a expansão da inteligência artificial alimenta debates sobre os efeitos da tecnologia no mercado de trabalho, especialmente para profissionais em início de carreira. Enquanto parte dessas discussões se concentra no risco de automação de funções e na redução de oportunidades para jovens, a Leroy Merlin adota uma estratégia diferente: transformar a IA em uma ferramenta de protagonismo para os futuros líderes da companhia.

O uso da tecnologia começa antes mesmo da entrada dos participantes no programa. Durante o processo seletivo, realizado em parceria com a Eureca, a empresa utilizou uma ferramenta de inteligência artificial integrada ao WhatsApp para conduzir entrevistas estruturadas por áudio. A solução permitiu ampliar a análise das competências comportamentais dos candidatos e tornar o processo seletivo mais acessível e escalável.

Depois da seleção, a inteligência artificial passa a fazer parte dos desafios enfrentados pelos trainees. O principal projeto da formação está relacionado a temas considerados centrais para a operação da empresa, como Cliente, Produto e Supply Chain. A proposta é que os jovens utilizem a tecnologia para desenvolver iniciativas capazes de contribuir para o faturamento ou promover transformações relevantes nos processos internos.

Inteligência artificial entra no processo de formação

A presença da inteligência artificial no Programa de Trainee 2026 não se limita ao uso de ferramentas tecnológicas no cotidiano dos participantes.

A companhia pretende estimular os jovens profissionais a compreenderem como a tecnologia pode ser aplicada aos desafios reais do varejo. Em vez de tratar a IA apenas como uma solução de automação, o programa busca incentivar seu uso como apoio à análise de problemas, desenvolvimento de ideias e tomada de decisões.

Essa abordagem acompanha uma mudança mais ampla no mercado de trabalho. A inteligência artificial vem sendo incorporada a diferentes atividades profissionais e tem alterado a forma como empresas analisam dados, desenvolvem produtos, atendem clientes e organizam suas operações.

Para os profissionais que estão começando suas carreiras, a capacidade de utilizar essas ferramentas tende a ganhar importância. O desafio, no entanto, vai além do domínio técnico.

Saber utilizar uma ferramenta de inteligência artificial não garante, por si só, uma solução eficiente. É necessário compreender os problemas do negócio, avaliar informações, identificar oportunidades e analisar os impactos das decisões.

É justamente nessa combinação entre tecnologia e conhecimento humano que a Leroy Merlin pretende concentrar a formação dos trainees.

“Temos acompanhado a narrativa de que a IA pode ser uma ameaça para o emprego dos mais jovens, mas, na Leroy Merlin enxergamos a tecnologia como uma alavanca para o talento humano. Queremos atrair jovens que não tenham medo da inteligência artificial, mas que saibam utilizá-la como ferramenta para revolucionar o nosso negócio. O olhar humano, a maturidade e o repertório de vida que cada um carrega, aliados a essas novas ferramentas, são o que trarão a verdadeira inovação para a nossa operação”, afirma Camila Berteli, Diretora de Talento e Cultura da Leroy Merlin.

Tecnologia também participa da seleção

O uso da inteligência artificial começa logo no processo de recrutamento.

Em parceria com a Eureca, a Leroy Merlin adotou uma ferramenta de IA via WhatsApp para realizar entrevistas estruturadas por áudio. O modelo busca ampliar a capacidade de análise dos candidatos e tornar o processo mais ágil.

Segundo a proposta apresentada pela companhia, a tecnologia vai além da análise tradicional de currículos.

As entrevistas permitem avaliar competências comportamentais dos candidatos em larga escala, utilizando uma estrutura padronizada para a realização das conversas.

A iniciativa também representa uma mudança na forma como processos seletivos podem ser organizados.

Em programas que recebem um número elevado de candidatos, a análise individual de currículos e entrevistas pode exigir uma estrutura significativa de recrutamento. Ferramentas tecnológicas podem ajudar a organizar parte desse processo, permitindo que os profissionais responsáveis pela seleção concentrem sua atuação em etapas que exigem maior análise humana.

A estratégia da Leroy Merlin também coloca a inteligência artificial em contato com os participantes desde o início de sua jornada na empresa.

Ao utilizar a tecnologia no recrutamento e, posteriormente, nos projetos desenvolvidos durante o programa, a companhia busca criar uma experiência de formação em que a IA faça parte do ambiente de trabalho.

Trainees terão desafios nas áreas de Loja e Supply Chain

O Programa de Trainee 2026 está estruturado em duas frentes estratégicas para a Leroy Merlin: Loja e Supply Chain.

Na trilha de Loja, os participantes trabalham em projetos relacionados à experiência dos clientes e ao desempenho comercial das categorias de produtos.

Entre os temas estão a revisão das gamas de produtos disponíveis, a busca por maior variedade e assertividade na oferta, a otimização da experiência de compra e o fortalecimento da relação com os consumidores.

Essas iniciativas podem impactar diferentes indicadores utilizados pelo varejo para avaliar o desempenho de suas operações.

A satisfação do cliente, o Net Promoter Score, conhecido como NPS, as taxas de conversão e a fidelização estão entre os resultados que podem ser influenciados por melhorias na jornada de compra.

A inteligência artificial entra nesse contexto como uma ferramenta capaz de apoiar análises e identificar padrões que podem contribuir para decisões mais precisas.

No varejo, fatores como disponibilidade, variedade, comportamento do consumidor e desempenho das categorias de produtos geram grandes volumes de informações.

Transformar esses dados em decisões práticas é um dos desafios das empresas que atuam em um ambiente de concorrência intensa e consumidores cada vez mais conectados.

Os projetos dos trainees deverão buscar justamente oportunidades de aplicação da tecnologia em questões relacionadas ao funcionamento do negócio.

Supply Chain é outra frente estratégica

A segunda trilha do programa está relacionada à cadeia de suprimentos, área considerada essencial para o funcionamento do varejo moderno.

Os participantes que atuam em Supply Chain observam diferentes etapas da cadeia logística, com foco na disponibilidade de produtos, na integração entre canais e na qualidade das entregas.

Em uma operação omnicanal, a eficiência da logística passou a ter influência direta sobre a experiência do consumidor.

Não basta que um produto esteja disponível para venda. Ele precisa estar no local adequado, no momento em que o cliente procura, e ser entregue de forma eficiente quando a compra é realizada pelos canais digitais.

A gestão dessas operações envolve diferentes processos, incluindo movimentação de produtos, estoque, distribuição e integração entre lojas físicas e plataformas digitais.

A utilização de inteligência artificial pode contribuir para análises relacionadas à demanda, identificação de padrões e melhoria da eficiência operacional.

Para os trainees, o desafio será transformar esse potencial tecnológico em soluções aplicáveis ao cotidiano da empresa.

O objetivo é que os projetos não permaneçam apenas no campo conceitual.

A formação prevê o desenvolvimento de iniciativas relacionadas a problemas reais do negócio e com potencial de impacto financeiro ou operacional.

A experiência das edições anteriores demonstra a importância que a companhia atribui aos projetos desenvolvidos pelos participantes.

Em 2025, as iniciativas aplicadas durante o Programa de Trainee geraram impacto financeiro superior a R$ 21 milhões em produtividade e vendas, segundo informações da empresa.

O resultado reforça a estratégia de utilizar o programa não apenas como uma etapa de formação profissional, mas também como um espaço para desenvolver soluções voltadas à operação.

Jovens e IA em uma nova relação com o trabalho

O debate sobre inteligência artificial e emprego ganhou força nos últimos anos.

O avanço de ferramentas capazes de automatizar tarefas, produzir conteúdos, analisar dados e auxiliar decisões tem levantado questionamentos sobre quais profissões serão transformadas pela tecnologia.

Entre os principais pontos de preocupação está o impacto sobre profissionais que estão entrando no mercado de trabalho.

Funções tradicionalmente utilizadas como porta de entrada para jovens podem sofrer transformações à medida que determinadas atividades repetitivas passam a ser automatizadas.

A estratégia adotada pela Leroy Merlin segue em outra direção.

A empresa busca preparar os jovens profissionais para trabalhar ao lado da tecnologia e utilizá-la como ferramenta de apoio.

Nesse modelo, a inteligência artificial não substitui o profissional na análise dos problemas. Ela amplia a capacidade de processamento de informações e pode acelerar determinadas etapas de trabalho.

A tomada de decisão, a criatividade, a compreensão do contexto e a capacidade de avaliar os impactos das soluções continuam sendo elementos associados à atuação humana.

A proposta da companhia é que os trainees desenvolvam justamente essa combinação.

A criatividade e o repertório dos jovens participantes devem ser associados às possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias.

Cliente continua no centro da estratégia

Apesar da presença crescente da tecnologia, a Leroy Merlin mantém o cliente como ponto central dos projetos desenvolvidos pelos trainees.

As duas trilhas do programa, Loja e Supply Chain, estão diretamente relacionadas à experiência de compra e à capacidade da empresa de atender às necessidades dos consumidores.

Na área comercial, os projetos buscam melhorar a oferta e a experiência.

Na cadeia logística, o foco está na disponibilidade e na eficiência do atendimento.

A inteligência artificial funciona como um instrumento para apoiar esses objetivos.

Ao analisar dados e identificar oportunidades, a tecnologia pode ajudar as empresas a responder de maneira mais rápida às mudanças no comportamento do consumidor.

O varejo tem enfrentado uma transformação contínua com o crescimento dos canais digitais.

O consumidor passou a alternar entre diferentes pontos de contato, utilizando lojas físicas, sites, aplicativos e canais de atendimento.

Esse cenário exige maior integração entre as áreas da empresa.

Uma decisão relacionada ao sortimento de produtos pode ter impactos na logística. Uma mudança na disponibilidade pode afetar a experiência do cliente. A eficiência da cadeia de suprimentos pode influenciar diretamente a percepção sobre uma compra digital.

Por isso, a formação de novos líderes para o varejo exige uma visão cada vez mais ampla da operação.

Formação busca preparar líderes para novos desafios

Com 36 participantes, o Programa de Trainee 2026 busca desenvolver profissionais preparados para atuar em um ambiente de negócios marcado pela transformação tecnológica.

A iniciativa combina projetos práticos, desafios relacionados à operação e uso de ferramentas de inteligência artificial.

A estratégia também acompanha um movimento de empresas que passaram a incorporar habilidades relacionadas à tecnologia aos programas de desenvolvimento profissional.

O conhecimento técnico continua sendo importante, mas outras competências ganham espaço.

Capacidade de adaptação, pensamento crítico, criatividade e habilidade para interpretar informações são características cada vez mais valorizadas em um cenário de rápida transformação.

A inteligência artificial amplia esse debate.

À medida que ferramentas se tornam capazes de executar parte das tarefas anteriormente realizadas manualmente, o diferencial dos profissionais tende a estar cada vez mais na capacidade de formular boas perguntas, compreender contextos e transformar informações em decisões.

Para a Leroy Merlin, o Programa de Trainee funciona como uma oportunidade de identificar e preparar profissionais que poderão atuar nos próximos anos em posições estratégicas.

Ao colocar a inteligência artificial no centro dos projetos, a companhia busca aproximar os participantes de uma realidade que já influencia o funcionamento das empresas.

A tecnologia, nesse contexto, não aparece como um elemento separado da operação.

Ela é utilizada como uma ferramenta para apoiar desafios relacionados ao cliente, produtos, vendas e logística.

Leroy Merlin aposta em estratégia omnicanal

Há 27 anos no Brasil, a Leroy Merlin atua no varejo de produtos, serviços e soluções para o lar.

A empresa desenvolveu uma estratégia omnicanal que integra lojas físicas, plataformas digitais e diferentes canais de atendimento.

A companhia está presente em 14 estados brasileiros, com mais de 50 lojas físicas, além de canais como site, WhatsApp e aplicativo.

A operação reúne mais de um milhão de itens voltados para construção, reforma e decoração.

Além dos produtos, a empresa oferece serviços e soluções financeiras.

Entre as iniciativas estão o programa de fidelidade Leroy Merlin Com Você, a solução financeira Leroy Merlin Pay e o serviço Leroy Merlin Instalação e Reformas.

Para o público profissional, a empresa também mantém soluções voltadas ao atendimento de pessoas jurídicas, incluindo os serviços PRO e Leroy Merlin Empresas.

Com mais de 10 mil colaboradores, a companhia afirma investir no desenvolvimento de pessoas por meio de sua Universidade Corporativa e em iniciativas relacionadas à inovação e à tecnologia.

A aposta na inteligência artificial dentro do Programa de Trainee reforça essa estratégia.

Ao utilizar a tecnologia desde a seleção dos candidatos até o desenvolvimento de projetos aplicados ao negócio, a empresa busca preparar uma nova geração de profissionais para um varejo cada vez mais conectado, integrado e orientado por dados.

O desafio para os participantes será demonstrar que a inteligência artificial pode ir além da automação.

A expectativa é transformar a tecnologia em soluções capazes de gerar resultados concretos para a empresa e melhorar a experiência dos consumidores.

Em um mercado que continua sendo transformado pela digitalização, a formação de jovens profissionais capazes de combinar tecnologia, criatividade e visão de negócio pode se tornar um dos principais ativos das empresas.

A Leroy Merlin aposta que a nova geração não precisa escolher entre talento humano e inteligência artificial.

A estratégia é fazer com que os dois trabalhem juntos.

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